

POEMA: UM CAFÉ E UMA MAÇÃ
Saí, hoje, do teu quarto, tão lenta como um rio
_____com dificuldades em passar sob a ponte; a boca triste
_______marcou-me o rosto e as veias que me corriam no corpo
_________padeciam da lentidão de um fruto-que-amadurece-a-seu-tempo.
Reagi; tomei o meu café com uma desusada calma e
alonguei o braço para uma maçã madura
que estava, ali, na taça, sobre a toalha de inesquecível brancura.
As lágrimas estremeceram-me nos olhos,
quando soprou um vento glacial ,que me intimidou
e alertou para o fim do bom tempo…
Quis ir lá acima…
Quis ver como estavas…
Dormias…uma serenidade inacreditável de quem
______nada tem a ver com o mundo….nem mesmo com
_______as dunas desgrenhadas, desalinhadas, quase chorosas…
_________ou com os golpes de vento tempestuosos
____________que faziam com que as aves parecessem lenços rasgados
_______________por sobre o mar, que as açoitava.
A meio da escada vi que o vaso estava cheio
de flores secas, que me lembraram que talvez
já fosse tarde demais, para um dormir tão sossegado…
E percebi, que aquelas escadas estavam tão gastas,
que era melhor não as voltar a subir…
Maria Elisa Ribeiro
NOV/015
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