terça-feira, 7 de junho de 2016

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Escolas privadas, hospitais privados e os pobres privados… de ensino e saúde
7 de junho de 2016 por leituras deixe um comentário


Os partidos de direita, confinados à oposição balofa de uma Cristas em busca do populismo perfeito e de um Passos perdido na falta de memória de inaugurações enquanto primeiro-ministro e até depois de deixar de o ser, já têm a sua causa grande: a defesa dos colégios privados contra as limitações legais aos contratos de associação. Nessa cruzada contra a esquerda “jacobina”, a direita, mal habituada ao saque dos recursos do Estado, logrou obter o apoio do seu aliado histórico, a hierarquia católica mal conformada com a laicidade da Escola Pública, e não teve pejo de mobilizar um exército protegido pelos deuses: as inocentes criancinhas que frequentam os colégios privados onde os seus pais julgam encontrar um estatuto de classe superior ou simplesmente a qualidade superior que supostamente não terão as escolas públicas.




Em vários debates na comunicação social tenho ouvido alguns defensores da Escola Pública a aceitarem o falso argumento de que os colégios privados são mais procurados (como assim, se representam apenas uma ínfima minoria das escolas do país?) porque têm melhorqualidade, alegadamente comprovada pelos lugares cimeiros dos rankings das escolas. Ora, nada melhor para refutar este argumento do que o estudo da Universidade do Porto, assinado por José Sarsfield Cabral e Paula Pechincha, do Serviço da Melhoria Contínua da Reitoria da UP, “Análise do percurso dos estudantes admitidos pelo regime geral em licenciatura – 1º ciclo e mestrado integrado na UP em 2008/09, 2009/10 e 2010/11”. Pode ser consultado online, mas deixo aqui uma citação do jornal Público de 10.01.2013, numa notícia intitulada: “Escolas públicas preparam melhor os alunos para terem sucesso no superior” (e no lead) “Universidade do Porto analisou os resultados de 2226 alunos que concluíram pelo menos 75% das cadeiras ao fim de três anos e concluiu que os provenientes das privadas têm piores resultados”:

“As escolas privadas têm grande capacidade para preparar os alunos para entrar, mas o que se verificou é que, passados três anos, estes alunos mostraram estar mais mal preparados para a universidade do que os que vieram da escola pública”, adiantou ao Público José Sarsfield Cabral, pró-reitor da UP para a área da melhoria contínua. Esta constatação baseia-se no facto de estes últimos estarem mais representados no grupo dos 10% melhores daquele ano lectivo. Exemplos? A secundária Garcia de Orta, uma escola pública do Porto, que naquele ano lectivo “colocou” 114 alunos em diferentes faculdades da UP, tinha, ao fim de três anos, 14 desses alunos (12%) entre os 10% melhores do ano. Já o Externato Ribadouro, também do Porto mas privado, colocou 154 alunos na UP, muitos dos quais em Medicina, mas, no fim do terceiro ano, apenas cinco integravam o grupo dos melhores (3%). A Garcia de Orta vinha colocada em 6.º no ranking das secundárias desse ano, enquanto o Externato Ribadouro beneficiava de um confortável 3.º lugar. Do Colégio do Rosário, que tem surgido nos três primeiros lugares dosrankings, transitaram 56 alunos para a UP. Três anos depois, apenas três se incluíam entre os 10% com melhor desempenho académico. Do mesmo modo, o Colégio Luso-Francês, com 39 alunos admitidos, tinha apenas dois no top 10. (Neste estudo, a Universidade do Porto utilizou os critérios dos rankings do PÚBLICO, adaptando-os ao universo das escolas secundárias citadas neste trabalho da UP)”.

Recordo que já em outubro de 2015, o Conselho Nacional de Educação denunciou que havia escolas privadas que inflaccionavam as notas de acesso ao ensino superior.
Continua…

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