sábado, 11 de janeiro de 2025

POEMA






 A LAVRA

Acompanho meus passos pela solarenga colineta
onde posso admirar os pássaros a roubarem ramos e palhas,
com os quais percorrem as matas a anunciar a previsível primavera.
Meus olhos vêem e ouvem os sons peculiares da beleza das flores,
e o sussurro dos troncos felizes por renascerem.
Revive a alma nas palavras que os passos vão compassando.
Ouve-se já o silêncio a começar a descer as nuvens das
vertentes do entardecer da colina,
prestes a chegar à boca da noite.
Lavro meus versos,
ao som dos passos descompassados das enxadas dos cavadores
e do ronco dos tractores.
Guardo-os no meu Dentro, pois
na hora certa,
farei deles grandes senhores dos sonhos-a-viver
em memória aberta-alerta.
A terra ferida expõe, ante mim, os rasgos de sangue
onde irão viver palavras-sementes.
E será num templo de luz e dourada cor
que o fruto de todas elas abrirá para todos os seres ,em perturbado sabor !
Maria Elisa Ribeiro-foto google
JAN/020

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Bom Dia, meus amigos!


 





 POEMA

lesta e fugaz
bela quanto voraz
é a vida


o tempo nasce-nos e morre-nos
sem dó nem piedade
e os breves dias deixam
de existir no-nosso-Existir
nem sequer desfrutamos do tempo dado
do que sonhamos
e mal nos apercebemos
da voracidade com que o
tempo-nos-usurpa-o-TEMPO

depois a nossa existência parte breve
carregada de flores
como se fosse o Jardim onde
as plantas nascem e morrem cedo
sem que o Homem tivesse tido Tempo
de saber a verdade da mística da sua Vida

Maria Elisa Ribeiro
JAN/019

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

 

A trasladação de Eça de Queirós para o Panteão é um “reconhecimento”, mas não beneficia particularmente o autor nem a obra, consideram dois especialistas, que lembram o papel marcante do escritor na luta contra a mentalidade provinciana de Portugal.
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Bom dia, meus amigos!


 

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

A LIBERDADE

 

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2 d 
Um dos trechos mais marcantes de “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, é o célebre discurso de Quixote sobre a liberdade, no capítulo 58 da segunda parte:
"A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos que os céus deram aos homens; com ela não podem igualar-se os tesouros que encerram a terra e o mar: pela liberdade assim como pela honra, pode e deve aventurar-se a vida."
Essa passagem, em que Dom Quixote exalta a liberdade como um dos maiores dons celestiais, é uma das mais profundas de “Dom Quixote de la Mancha”.
Nela, o cavaleiro andante expressa uma visão elevada da liberdade e da honra, colocando-os acima de qualquer tesouro material.
O discurso transcende as aventuras do protagonista, revelando a profundidade moral e política da obra.
Ao valorizar a liberdade como essencial à dignidade humana, Cervantes oferece uma reflexão atemporal sobre a condição humana e os ideais que orientam a existência.
A Liberdade e a Dignidade Humana:
O discurso de Dom Quixote revela uma concepção idealista e universal da liberdade. Para ele, a liberdade é uma característica essencial da dignidade humana, elevada à esfera transcendental, sendo um direito inalienável, independente de condição material ou social.
Essa visão antecipa ideias discutidas por filósofos iluministas, como Rousseau e Locke, que também defenderam a liberdade como um direito natural.
A filosofia de Quixote, no entanto, está ligada à honra. Viver em liberdade é viver com honra, e sem honra, a vida perde seu valor.
A honra aqui não é apenas reputação exterior, mas integridade moral, que permite agir conforme os próprios princípios, sem imposições externas.
Idealismo versus Realidade:
O idealismo de Quixote contrasta com a dura realidade que o cerca. A obra de Cervantes se constrói sobre o conflito entre os altos ideais do cavaleiro e a frieza da sociedade.
Quixote luta para manter seus princípios em um mundo que ridiculariza e nega esses valores.
Para ele, a liberdade é um ideal pelo qual vale a pena sacrificar a vida, ainda que o sacrifício não seja compreendido pelos outros.
Esse embate entre o ideal e o real é central na obra. A "loucura" de Quixote representa uma forma de resistência contra a injustiça e a banalidade do mundo moderno.
Sua recusa em se submeter às convenções do materialismo de sua época revela um espírito livre, que prefere a morte à escravidão moral ou física.
Honra e Aventura:
Para Dom Quixote, a vida só tem valor se for vivida de acordo com princípios que dignificam o ser humano.
A honra é inseparável da liberdade, pois só em liberdade é possível agir com retidão moral.
A honra, portanto, não é questão de status, mas de viver em conformidade com valores elevados.
Quixote se recusa a aceitar a decadência dos valores medievais de honra e virtude e insiste em viver segundo esses códigos, mesmo em desacordo com a sociedade.
A vida, para ele, é uma aventura em busca de liberdade e justiça, uma luta contínua contra os desafios e obstáculos do mundo.
A Tragédia da Liberdade:
Apesar de exaltar a liberdade como o maior dos dons, Cervantes revela a tragédia dessa busca. A liberdade absoluta é muitas vezes inatingível, e a luta de Quixote o leva à marginalização e derrota, sugerindo que mesmo os valores mais elevados podem ser esmagados pelas forças da realidade.
No entanto, a derrota de Quixote não diminui a nobreza de sua missão. Cervantes cria um herói paradoxal, cuja loucura revela verdades profundas sobre a condição humana. Quixote percebe a importância da liberdade e da honra em um mundo que as despreza, conferindo à sua batalha uma dimensão épica e trágica.
O discurso de Dom Quixote sobre a liberdade sintetiza os grandes temas da obra: a tensão entre idealismo e realidade, a importância da dignidade humana e a busca por uma vida honrada e livre.
Mesmo ridicularizado, Quixote oferece uma crítica ao materialismo de sua época, sugerindo que, apesar das derrotas, a busca por liberdade e honra é o que define a verdadeira grandeza da alma humana.
E você, já leu este clássico?
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