quarta-feira, 27 de outubro de 2021

POEMA MEU

 BREVES

(Parece-me que adormeci...)
...que adormeci nas reticências da vida,
enquanto pensava nas memórias do tempo.
Tinha-me o vento aconchegado nas folhas
ramalhudas das árvores sazonais.
Hoje, já vi o sol a boiar,
Lentamente,
Para ter tempo de cobrir a terra de fragrâncias...
O brilho é único! É forte!
Desvio-me do escuro e abraço o Futuro-que-está-a-vir!
Poeta me sinto e embarco em viagens interrogativas,
em frases exclamativas e vírgulas curiosas dos espaços circundantes.
...sei que já não sou o que FUI...mas sei que sou tantas OUTRAS coisas!
Ontem fui um reflexo na límpida,
evanescente água do rio deslizante.
E quero ser diferente, ainda hoje...
É que,
a cada momento que passa
temos que se subtrair o que agora existe
©Maria Elisa Ribeiro
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SAUDAÇÃO DE BOM DIA!


 

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

BOM DIA e boa semana, amigos!


 

Texto de Ramalho Ortigão

 

Grandes Homens Forjam-se a si Próprios

Para conhecer a realidade do mundo, único fim sério da ciência, é preciso entrar no combate da vida como entravam na liça os paladinos bastardos - sem pai e sem padrinho. Os príncipes não constituem excepção a esta lei geral da formação dos homens. Da educação de gabinete, do bafo enervante dos mestres, dos camareiros e das aias, nunca sairam senão doentes e pedantes.
Na sagração dos czares há uma cerimónia de alta significação simbólica: o imperador não se confirma enquanto por três vezes não haja descido do trono e penetrado sozinho na multidão; e isto quer dizer que na convivência do povo a autoridade e o valor dos monarcas recebe uma tão sagrada unção como a da santa crisma. Todos os reis fortes se fizeram e se educaram a si mesmos nos mais rudes e mais hostis contactos da natureza e da sociedade humana.
Veja vossa alteza Carlos Magno, que só aos quarenta anos é que mandou chamar um mestre para aprender a ler. Veja Pedro o Grande, do qual a educação de câmara começou por fazer um poltrão. Aos quinze anos não se atrevia a atravessar um ribeiro. Reagiu enfim sobre si mesmo pela sua única força pessoal. Para perder o medo aos regatos, um dia, da borda de um navio, arrojou-se ao mar. Para se fazer marinheiro começou por aprender a manobrar, servindo como grumete. Para se fazer militar começou por tambor na célebre companhia dos jovens boiardos. E para reconstituir a nacionalidade russa começou por construir navios, a machado, como oficial de carpinteiro e de calafate, nos estaleiros de Sardam. Também não teve mestres, e foi consigo mesmo que ele aprendeu a lingua alemã e a lingua holandesa. Veja vossa alteza, enfim, todos aqueles que no
governo dos homens tiveram uma acção eficaz, e reconhecerá se é na lição dos mestres ou se é no livre exercicio da força e da vontade individual que se criam os carácteres verdadeiramente dominadores, como o de Cromwell, como o de Bonaparte, como o de Santo Inácio, como o de Lutero, como o de Calvino, como o de Guilherme o Taciturno, como o de Washington, como o de Lincoln.

Ramalho Ortigão, in 'As Farpas (1883)'

TEXTO em O Pensador-google

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

terça-feira, 19 de outubro de 2021