"As minhas palavras têm memórias ____________das palavras com que me penso, e é sempre tenso _________o momento do mistério inquietante de me escrever"
terça-feira, 12 de maio de 2020
domingo, 10 de maio de 2020
quarta-feira, 6 de maio de 2020
COVID/19
Já se encontra disponível o Relatório de situação de hoje, 5 de maio, que pode ser consultado integralmente em https://covid19.min-saude.pt/relatorio-de-situacao/ e em https://www.dgs.pt/…/relatorio-de-situacao-n-064-05052020-p…
#SNS #DGS #UmConselhodaDGS #Sejaumagentedesaúdepública #estamoson
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terça-feira, 5 de maio de 2020
POEMA :
POEMA
BALLET…
Meu tempo são as palavras com que fui-vivendo
os tempos-doutro-tempo, dançando em bicos-de-pés
no sopro musical do vento.
os tempos-doutro-tempo, dançando em bicos-de-pés
no sopro musical do vento.
Nelas, perdura a infância…sonhos, angústias e alegrias
desse bailado dos tempos…
desse bailado dos tempos…
Outrora, passavam lentos, e eu podia ver primaveras a florir
e outonos a brincar “ao despir-das-árvores”…
Dava, até, para subir as encostas das montanhas
e apanhar loiros pinhões, ao lado de gordas castanhas.
(O tempo dava para tudo.)
Com ele, apanhava amoras escondidas nos silvados, e via ninhos tecidos
de doce baba bordados.
e outonos a brincar “ao despir-das-árvores”…
Dava, até, para subir as encostas das montanhas
e apanhar loiros pinhões, ao lado de gordas castanhas.
(O tempo dava para tudo.)
Com ele, apanhava amoras escondidas nos silvados, e via ninhos tecidos
de doce baba bordados.
_________________Tudo cabia nas palavras, que a boca soprava aos dedos,
_________________que deslizavam pelo branco de uma folha irreal
_________________tal bailarina a rodopiar em frágil palco de papel.
_________________que deslizavam pelo branco de uma folha irreal
_________________tal bailarina a rodopiar em frágil palco de papel.
Meus dedos colhiam flores, feno, trigo e papoulas rubras
no meio de extensas searas ondulantes,
e eu aglomerava essas riquezas em sílabas
que se tornavam versos,
a bailarem em instantes da escrita.
no meio de extensas searas ondulantes,
e eu aglomerava essas riquezas em sílabas
que se tornavam versos,
a bailarem em instantes da escrita.
________________e as palavras tornam-se o ballet que danço
_______________ em linhas do meu palco-escrivaninha,
_______________ sem outras máscaras, que não as da música dos lexemas
_______________a formarem verdades minhas.
_______________ em linhas do meu palco-escrivaninha,
_______________ sem outras máscaras, que não as da música dos lexemas
_______________a formarem verdades minhas.
Maria Elisa Ribeiro/2014
Poema REGºººººº
GOTAS POÉTICAS
Regurgita a água do rio
numa voz que provoca o retorno
às memórias,
para nos recordar
onde guardámos tantas das histórias
que tocaram a pele
da nossa vida genesíaca.
Um grande silêncio emana,
de tudo quanto os olhos e os ouvidos
vêem, sentem e saboreiam.
Aí está a VIDA, perante vistas desarmadas
onde os sonhos e os desejos podem,
por vezes,
ter mais poder que algumas estranhas eternidades…
numa voz que provoca o retorno
às memórias,
para nos recordar
onde guardámos tantas das histórias
que tocaram a pele
da nossa vida genesíaca.
Um grande silêncio emana,
de tudo quanto os olhos e os ouvidos
vêem, sentem e saboreiam.
Aí está a VIDA, perante vistas desarmadas
onde os sonhos e os desejos podem,
por vezes,
ter mais poder que algumas estranhas eternidades…
Maria Elisa Ribeiro
Jan/018
(Foto Google)
Jan/018
(Foto Google)
05/05/2020-Dia Mundial da língua portuguesa na Estremadura
Dia 5 de maio é o Dia Mundial da Língua Portuguesa e a região extremeña juntou-se mais um ano a esta comemoração através da XVI Maratona de Leitura em Língua Portuguesa que organizam conjuntamente o Instituto da Juventude de Cáceres e do Centro do Camões I.P. em Cáceres.
Dia 5 de maio é o Dia Mundial da Língua Portuguesa e a região extremeña juntou-se mais um ano a esta comemoração através da XVI Maratona de Leitura em Língua Portuguesa que organizam conjuntamente o Instituto da Juventude de Cáceres e do Centro do Camões I.P. em Cáceres.
Partilhamos cultura, desenvolvimento, liberdade e estamos a constroir juntos um mundo melhor. PARABÉNS A
sábado, 2 de maio de 2020
GOTAS…
Desperto-te…
Encanto-te…
Vivo-te…
Encanto-te…
Vivo-te…
Horas de distracção
sensual…
sensual…
corre o sangue
por quentes estradas
azuis
semeadas de
flores…
por quentes estradas
azuis
semeadas de
flores…
e chegam na hora
os encantamentos
do despertar-do-viver…
os encantamentos
do despertar-do-viver…
odores vagueiam
perdidos
a flutuar nos sentidos…
perdidos
a flutuar nos sentidos…
vivo-te…
por trás
das ondas perdidas,
com o sol colorido a bater-me nos ouvidos...
por trás
das ondas perdidas,
com o sol colorido a bater-me nos ouvidos...
Maria Elisa Ribeiro-MRÇ/012
sexta-feira, 1 de maio de 2020
quinta-feira, 30 de abril de 2020
domingo, 26 de abril de 2020
Do Luís Osório através do Tó Duarte, sobre o "25 de Abril"
Mais um texto maravilhoso, pela linguagem e pela veracidade.
Luís Osório
POSTAL DO DIA
É hoje, dia 24 de abril, que quero falar da liberdade
1.
Hoje, dia 24 de abril, a muito poucas horas de mais um aniversário da revolução, quero dizer-vos que não esqueço.
Hoje, dia 24 de abril, a muito poucas horas de mais um aniversário da revolução, quero dizer-vos que não esqueço.
E todos os anos enquanto for vivo aqui estarei para o repetir.
Não esqueço quem lutou para que hoje tanta gente tivesse opinião. Quem lutou para que fosse possível uma ideia de futuro.
Não esqueço quem lutou para que hoje tanta gente tivesse opinião. Quem lutou para que fosse possível uma ideia de futuro.
Quero dizer-vos que compreendo muito bem que vos seja (como para mim) insuportável ver gente proclamar que o 25 de abril já não deve ser festejado. Que o 25 de abril já não lhes diz nada. Que o 25 de abril é uma data como outra qualquer. Insuportável ver esta gente que não arriscou a ponta de um corno, que cheira a compromisso com quem está no poder (mesmo que se digam amantes da liberdade), ver esta gente perorar sobre o que custou a liberdade.
2.
Não esqueço o papel dos comunistas.
Não esqueço o papel dos comunistas.
Podia falar do papel inultrapassável dos capitães de abril. De muitos democratas socialistas, de gente da extrema-esquerda no final da década de 60, de Humberto Delgado, Norton de Matos e Mário Soares, mas seria de menos, seria injusto que este dia, que este postal, não fosse inteiramente vosso.
Porque foram os únicos que estiveram sempre vivos.
Sempre alerta.
Sempre prontos para morrer, se fosse caso disso.
Sempre organizados contra Salazar e depois contra Caetano. Sempre disponíveis para, demorasse o tempo que demorasse, contaminar o Estado Novo,
Sempre alerta.
Sempre prontos para morrer, se fosse caso disso.
Sempre organizados contra Salazar e depois contra Caetano. Sempre disponíveis para, demorasse o tempo que demorasse, contaminar o Estado Novo,
Quero dizer-vos que não esqueço tantos dos vossos heróis, tantos dos nossos heróis.
Não esqueço António Dias Lourenço. Sabem esses democratas o que foi a vida de Dias Lourenço? Sabem o que foi torturado? Espancado e humilhado, mas sempre um exemplo para os outros camaradas – ainda alguém se lembra dos seus gritos a passar pelas celas dos outros comunistas – “aqui ninguém fala”. Não o esqueço. Aqueles olhos sempre cheios de vida que nem pareciam ter visto tanta tristeza – a memória sempre presente de um filho que lhe morreu de leucemia, criança com menos de 10 anos que a PIDE “generosamente” deixou que se despedisse do pai... desde que não demorasse mais do que três minutos.
Não me esqueço de Edmundo Pedro que aos 15 anos, com o seu pai ao lado, inaugurou o Tarrafal. Não me esqueço o que me contou da “frigideira”, o que me disse do calor e da sua língua a lamber as paredes para desesperadamente conseguir beber uma gota. O Edmundo, na altura comunista, que perdera um irmão um ano mais velho por ter sido brutalmente espancado pela polícia de Salazar numa manifestação de estudantes.
Não me esqueço de Álvaro Cunhal. Dos relatos do isolamento, largos anos num buraco pouco iluminado de dois por três metros.
Não me esqueço de Conceição Matos ou de Helena Pato e do que passaram na António Maria Cardoso. As queimaduras nos mamilos com cigarros, as unhas, a tortura do sono, a PIDE que violentava as mulheres, a célebre Leninha, a chamar-lhes putas e a deixá-las sem poder ir á casa de banho, dias e dias afundadas em merda e mijo. Para as humilhar sem saber que com isso só as glorificava.
Não me esqueço que foram os comunistas que estiveram sempre na primeira linha. Quando os outros desistiram eles mantiveram-se. Quando a maioria se foi aguentando o melhor que pôde, a tratar da vidinha e a fugir da confusão, houve uns malucos na clandestinidade, uns malucos que faziam o seu trabalho sem medo, sem capitularem, sem mostrarem partes de fraco.
Não me esqueço.
E se falei destes homens e mulheres podia ter falado de centenas e centenas de outros. Dos que morreram espancados. Dos que foram abatidos a sangue frio ou sucumbiram com doenças nas prisões ou nos campos de trabalho.
E se falei destes homens e mulheres podia ter falado de centenas e centenas de outros. Dos que morreram espancados. Dos que foram abatidos a sangue frio ou sucumbiram com doenças nas prisões ou nos campos de trabalho.
3.
Não me esqueço que sou filho de um comunista. E que os meus quatro filhos são netos de um comunista que no dia da sua morte tinha o caixão envolto com a foice e o martelo.
Não me esqueço que sou filho de um comunista. E que os meus quatro filhos são netos de um comunista que no dia da sua morte tinha o caixão envolto com a foice e o martelo.
Sabem o quanto tenho dúvidas sobre o leninismo e a razão do vosso combate, mas não me esqueço. Sabem que não sou um comunista, mas não esqueço.
Por isso, é a vós que pretendo fazer o tributo do 25 de abril.
O “Grândola” são vocês.
O “Que Força é Essa” são vocês.
O “Venceremos” são vocês.
O “É preciso Avisar toda a Gente” são vocês.
O “Que Força é Essa” são vocês.
O “Venceremos” são vocês.
O “É preciso Avisar toda a Gente” são vocês.
Outros democratas são de abril. E tantos outros, de quase todos os partidos, aplaudem genuinamente a liberdade.
Para não falar dos militares, todos os que fizeram a revolução arriscando também a sua juventude e a sua vida (que no abraço à memória de Salgueiro Maia todos se sintam abraçados)
Mas hoje, dia 24 de abril, é de vocês que não me quero esquecer.
E até ao meu último dia não o esquecerei.
E se for preciso combater para preservar essa memória também lá estarei.
E até ao meu último dia não o esquecerei.
E se for preciso combater para preservar essa memória também lá estarei.
LO
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