terça-feira, 29 de maio de 2018

Da nossa SOPHIA de Mello Breyner...

De Sophia de Mello Breyner, in O Citador:
Pátria
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara 
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'
De Dario Fo,italiano,artista e pensador, 1926-2016), in Net:
“Impedir a disseminação do conhecimento é um instrumento de controle do poder, porque o conhecimento é saber ler, interpretar, verificar na pessoa e não confiar no que você diz. Conhecimento faz você duvidar. Especialmente do poder. De todo o poder.”
― Dario Fo
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KDFRASES.COM
Coletânea de frases e citações de Dario Fo

De Helen Keller...

“Muitas pessoas têm uma ideia errada sobre o que constitui a verdadeira felicidade. Ela não é alcançada por meio de gratificação pessoal, mas através da fidelidade a um objetivo que valha a pena.”
— Helen Keller

Bom dia, meus amigos! (Fpto Pinterest)


segunda-feira, 28 de maio de 2018

OBSERVADOR, sobre a revolução de MAIO

Observador
3 h
A Revolução Francesa, e o debate sobre o seu significado se prolonga até hoje, está em inúmeros artigos e livros. Paulo Tunhas pegou em muitos deles para reflectir sobre os acontecimentos daquele mês.
OBSERVADOR.PT
A Revolução Francesa, e o debate sobre o seu significado se prolonga até hoje, está em inúmeros artigos e livros.

LER, sobre a EUTANÁSIA, a discutir no PARLAMENTO português

"Pessoalmente, não tenho pressa, e mesmo que as propostas sejam aprovadas ainda estarão em comissão parlamentar algum tempo até se chegar a votação final global."
A crónica de Paulo Trigo Pereira.
OBSERVADOR.PT
Afirmar que havendo cuidados paliativos e “testamento vital” já não é necessário a possibilidade legal da eutanásia e do suicídio…

OBSERVADOR-PORTUGAL

Bastaram apenas trinta segundos para escalar um prédio e evitar que uma criança caísse. Tornou-se num herói em França e a sua história surpreende: o imigrante ilegal, do Mali, vai ser cidadão francês.
OBSERVADOR.PT
Bastaram apenas trinta segundos para escalar um prédio e evitar que uma criança caísse.

CNN

A fissure in the rift zone has been "very active, producing a large spatter rampart over 100 feet tall from fountains reaching 150-200 feet"

CNN

Ireland just voted to repeal its abortion ban.
Abortions are legal in Great Britain.
But in Northern Ireland, terminations are still illegal.

CNN

Truckers angry at rising fuel prices have blocked major roads across Brazil since May 21

Stive Morgan - Magic World Of Illusions[HD]

Stive Morgan - Solar Wind part 3

Pateira de Fermentelos um paraíso em Portugal

Poema de José Saramago, in Net






Poema à boca fechada 

Não direi: 
Que o silêncio me sufoca e amordaça. 
Calado estou, calado ficarei, 
Pois que a língua que falo é de outra raça. 

Palavras consumidas se acumulam, 
Se represam, cisterna de águas mortas, 
Ácidas mágoas em limos transformadas, 
Vaza de fundo em que há raízes tortas. 

Não direi: 
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem, 
Palavras que não digam quanto sei 
Neste retiro em que me não conhecem. 

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas, 
Nem só animais bóiam, mortos, medos, 
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam 
No negro poço de onde sobem dedos. 

Só direi, 
Crispadamente recolhido e mudo, 
Que quem se cala quando me calei 
Não poderá morrer sem dizer tudo.
José Saramago

De RILKE...







De Rainer M Rilke, in O Citador:


É Possível Estarmos Todos Errados?
É possível (...) que não se tenha visto, conhecido e dito nada de real e importante? É possível que se tenha tido milénios para olhar, reflectir e anotar e que se tenha deixado passar os milénios como uma pausa escolar, durante a qual se come fatias de pão com manteiga e uma maçã? 
Sim, é possível. 
É possível que, apesar das investigações e dos progressos, apesar da cultura, da religião e da filosofia, se tenha ficado na superfície da vida? É possível que até se tenha coberto essa superfície - que, apesar de tudo, seria qualquer coisa - com um pano incrivelmente aborrecido, de tal modo que se assemelhe aos móveis da sala durante as férias de Verão? 
Sim, é possível. 
É possível que toda a História Universal tenha sido mal-entendida? É possível que o passado seja falso, precisamente porque sempre se falou das suas multidões, como se dissertasse sobre uma aglomeração de pessoas, em vez de falar de uma única, em torno da qual elas estavam, porque se tratava de um desconhecido que morreu? 
Sim, é possível. 
É possível que se tenha julgado ser preciso recuperar o que aconteceu antes de se ter nascido? É possível que se tivesse de lembrar a cada um que ele, de facto é proveniente de todos os antecessores, tendo ele disso conhecimento e não devendo dar ouvidos a outros que soubessem outras coisas? 
Sim, é possível. 
É possível que todas estas pessoas conheçam em pormenor um passado que nunca houve? É possível que todas as realidades nada sejam para elas; que a sua vida decorra, desligada de tudo, como um relógio numa sala vazia? 
Sim, é possível 
É possível que nada se saiba das raparigas que, no entanto, vivem? É possível que se diga «as mulheres», «as crianças», «os rapazes» e não se faça a mínima ideia (apesar de toda a cultura não se faça a mínima ideia) de que há muito que estas palavras não têm plural, mas apenas inúmeros singulares? 
Sim, é possível. 
É possível que haja gente que diga «Deus» e julgue que se trate de algo comum a todos? - E veja-se apenas dois rapazinhos de escola: um compra um canivete, e o seu vizinho compra outro tal qual no mesmo dia. E uma semana depois mostram um ao outro os dois canivetes, e acontece que eles só muito de longe se parecem - tão diferentemente evoluíram em mãos diferentes. (Ora, diz a mãe de um deles a esse respeito: vocês têm sempre por força de desgastar logo tudo!). Ah, pois: é possível acreditar que se possa ter um Deus sem se recorrer a Ele? 
Sim, é possível. 
Porém, se tudo isto é possível, se tem mesmo só uma aparência de possibilidade - então, por tudo o que há no mundo, é preciso que aconteça alguma coisa. O primeiro indivíduo, o que teve estes pensamentos inquietantes, deve começar a fazer alguma coisa do que se perdeu; mesmo que seja um qualquer, certamente o menos indicado: mais nenhum há que o possa fazer. 

Rainer Maria Rilke, in 'As Anotações de Malte Lauridis Brigge'

Bom dia, meus amigos!


domingo, 27 de maio de 2018

De Sebastião da Gama

De Sebastião da Gama (1924-1952), in Net:
“Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias, 
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...”
― Sebastião da Gama

Do nosso poeta...

De Al Berto, in Net:
O que é um Romance?
Um romance é aquilo que o autor quiser que seja. O Herberto Helder tem razão quando diz que está tudo misturado: não se sabe quando é que a poesia não dá origem a um romance, quando é que um ensaio não é um romance, quando é que no interior de um ensaio não aparece um poema… Não vejo por que é que essas coisas hão-de ser catalogadas. Há páginas de grandes romances que são grandes páginas de poesia. Bom, mas isto é mais um pressentimento que uma certeza, que o início de uma teoria… É uma interrogação. O meu problema é que sempre li mais prosa que poesia. Na verdade, a poesia aborrece-me mais. Não é bem isso… é no sentido de que ocupa um espaço muito menor nas minhas leituras. A poesia é assim: abro um livro, leio este poema, leio aquele, depois arrumo, um dia volto…
Al Berto, in "Entrevista à revista Ler (1989)"

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