"As minhas palavras têm memórias ____________das palavras com que me penso, e é sempre tenso _________o momento do mistério inquietante de me escrever"
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Poema meu (Obra Regª)
Poema
ACTO TERCEIRO
*
sim…claro que um poema tem vida…
às vezes sinto-o espreitar por dentro do corpo…
…quase desconfiado a sentir que os anos
lhe vão passando por cima, sem lei ou mandado
… sem que o poeta saiba como expor as palavras…
… sem que conheça a majestade das maiúsculas
ou a menoridade das minúsculas…
… todas elas apoiadas na robusta tessitura da Acentuação
…todas elas a obedecer a uma Pontuação
cada vez mais desregrada,
cada vez mais livre na Liberdade do Poema
*
e o Poema sabe tudo…sabe da verdade dos ventos a
correrem nas asas do vento…sabe das nuvens a desfazerem-
-se nas ondas de espuma semelhantes a casulos dos tempos de bruma…
…sabe das ondas do mar e das rotas das canelas que acabaram
[num areal qualquer]
*
Sim…o Poema sabe tudo…e conhece a ogiva teatral do mundo
onde o Ser vive a Infância…
…encena a juventude…
e enfrenta o espelho no Terceiro Acto da peça-drama...
esse que é o último da vida humana…
Maria Elisa Ribeiro-PORTUGAL - Agosto/015

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Da Filósofa Hannah Arendt...
De Hannah Arendt( 1906-1975), in Pesquisa Net:
"A Pluralidade Humana
A pluralidade humana, condição básica da acção e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferença. Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gerações vindouras. Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da acção para se fazerem entender. Com simples sinais e sons poderiam comunicar as suas necessidades imediatas e idênticas.
Ser diferente não equivale a ser outro - ou seja, não equivale a possuir essa curiosa qualidade de «alteridade», comum a tudo o que existe e que, para a filosofia medieval, é uma das quatro características básicas e universais que transcendem todas as qualidades particulares. A alteridade é, sem dúvida, um aspecto importante da pluralidade; é a razão pela qual todas as nossas definições são distinções e o motivo pelo qual não podemos dizer o que uma coisa é sem a distinguir de outra.
Na sua forma mais abstracta, a alteridade está apenas presente na mera multiplicação de objectos inorgânicos, ao passo que toda a vida orgânica já exibe variações e diferenças, inclusive entre indivíduos da mesma espécie. Só o homem, porém, é capaz de exprimir essa diferença e distinguir-se; só ele é capaz de se comunicar a si próprio e não apenas comunicar alguma coisa - como sede, fome, afecto, hostilidade ou medo. No homem, a alteridade, que ele tem em comum com tudo o que existe, e a distinção, que ele partilha com tudo o que vive, tornam-se singularidades e a pluralidade humana é a paradoxal pluralidade dos seres singulares.
Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'
Do nosso Miguel Torga...
Poema de Miguel Torga(1907-1995), in O Citador:
À Beleza
Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.
És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.
És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.
És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.
És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.
Miguel Torga, in 'Odes'
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
De Cummings...

[i carry your heart with me(i carry it in]
Related Poem Content Details
BY E. E. CUMMINGS
i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear;and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
“[i carry your heart with me(i carry it in]” Copyright 1952, © 1980, 1991 by the Trustees for the E. E. Cummings Trust, from Complete Poems: 1904-1962 by E. E. Cummings, edited by George J. Firmage. Used by permission of Liveright Publishing Corporation.
Source: Complete Poems: 1904-1962 (Liveright Publishing Corporation, 1991)
CBC News
2 h ·
Malaysian jet MH17 was struck by a surface-to-air missile from Russia, Dutch-led investigation finds.

Malaysian jet downed by launcher from Russia, probe finds
Dutch-led criminal investigators say they have solid evidence that a Malaysian jet was shot down by a Buk missile moved into eastern Ukraine from Russia.
CBC.CA
in www.publico.pt
Novas buscas nos inquéritos ao colapso do BES
EM ACTUALIZAÇÃO:
MARIANA OLIVEIRA
28/09/2016 - 19:17
Sete processos relacionados com o universo Espírito Santo reúnem 11 arguidos até agora.
0
TÓPICOS
Banca
Ricardo Salgado
BES
Ministério Público
Grupo Espírito Santo
MAIS
Ministério Público apreende bens de Salgado e de outros ex-administradores do BES
Polícia Judiciária faz buscas na consultora KPMG
Salgado em prisão domiciliária, mas pode sair de casa com autorização do juiz
Nesta quarta-feira foram realizadas mais um conjunto de buscas no âmbitos dos inquéritos ao colapso do banco e do grupo Espírito Santo. A Procuradoria-Geral da República emitiu ao fim da tarde um comunicado onde refere que foram alvo de busca três domicílios, um escritório de advogados e as instalações de quatro sociedades, localizadas em Lisboa, Porto e Torres Vedras.
A nota adianta ainda que os sete inquéritos relacionadas com o denominado “Universo Espírito Santo” reúnem até à data 11 arguidos, nove pessoas singulares e duas colectivas.
Almost 100 children killed in Aleppo since Friday, UNICEF says
'There are no words left to describe the suffering they are experiencing'
The Associated Press Posted: Sep 28, 2016 12:10 PM ET Last Updated: Sep 28, 2016 12:10 PM ET

Syrians react as the bodies of children are pulled from the rubble of a building following airstrikes in a rebel-held neighbourhood of Aleppo on Tuesday. (Karam al-Masri/AFP/Getty Images)
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Almost 100 children have been killed, and 223 have been injured amid intense fighting that has gripped the Syrian city of Aleppo since Friday, according to UNICEF.
The children of Aleppo are "trapped in a living nightmare," said Justin Forsyth, deputy executive director of the UN organization, in a statement on Wednesday. "There are no words left to describe the suffering they are experiencing."
Airstrikes highlight failure to end 'barbaric war'
World powers admit political solution may not be possible
UNICEF says 96 children have been killed in Aleppo since Friday. Pro-government forces, backed by Russia, on Thursday launched a massive assault to retake the city from Syria's rebels, following the collapse of a ceasefire.
Nine children were killed Tuesday during airstrikes on the rebel-held al-Shaar and al-Mashad neighbourhoods, according to the Syrian Observatory for Human Rights, which monitors the conflict.

A wounded Syrian child is rushed to hospital after she was hit by mortar shells that targeted Aleppo's government-controlled Aziziyah and Suleimaniyah neighbourhoods on Wednesday. (Georges Ourfalian/AFP/Getty Images)
UNICEF repeated warnings that the city has only about 30 doctors left to care for the estimated 250,000 civilians caught in its rebel-held areas.
"Children with low chances of survival are too often left to die" because of limited resources, the group said.
Pope condemns carnage
Pope Francis decried the carnage on Wednesday, saying those responsible for the bombing must answer to God.
The pontiff expressed "deep pain and strong worry for what's happening," in his public audience Wednesday in St. Peter's Square.
"Children and elderly … everyone is dying," Francis said.
'Rubble fell in on the patients in the intensive care unit.'— Mohammad Abu Rajab, radiologist
A major hospital was among the buildings hit in bombardments in the rebel-held eastern sector on Wednesday, residents said.
"The warplane flew over us and directly started dropping its missiles on this hospital … at around 4 a.m.," Mohammad Abu Rajab, a radiologist at the largest trauma hospital in the sector, told Reuters.
"The rubble fell in on the patients in the intensive care unit."
The strikes also hit the hospital's oxygen and power generators, and patients were transferred to another hospital in the area, medical workers at the M10 hospital said.
A bakery in another rebel-held district was also hit around 3 a.m. local time, as people lined up to collect bread, residents said.
The Syrian Observatory for Human Rights said the bakery in the al-Maadi neighbourhood had been hit by artillery shelling, killing at least six people.

Syrian government forces gather in the largely deserted Palestinian refugee camp of Handarat, north of Aleppo, on Sept. 24. Government forces took the area following multiple Russian airstrikes. (George Ourfalian/AFP/Getty Images)
Earlier in the day, a senior rebel official said pro-government forces were mobilizing in apparent preparation for more ground attacks in central areas of Aleppo , which is divided into zones controlled separately by the rebels and government.
"There have been clashes in al-Suweiqa from 5 a.m. until now. The army advanced a little bit, and the guys are now repelling it, God willing," a fighter in the rebel Levant Front group said in a voice recording sent to Reuters, referring to an area where there was also fighting on Tuesday.
Another rebel official said government forces were also attacking the insurgent-held Handarat refugee camp a few kilometres to the north of Aleppo.
Bombing hospitals in Syria 'an actual strategy of war'
With files from CBC News
Diário de Coimbra
10 h ·
Quebratour organiza cruzeiro pelas águas do Rio Dourohttp://dlvr.it/MLpCCT

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The Guardian
4 h ·
"So Boris Johnson wants to help Turkey join the EU... after he just campaigned for the UK to leave the EU on the basis that Turkey would be joining the EU in the near future."

Brexit negotiator hits out at UK ministers' mixed messages
Guy Verhofstadt says politics ‘never fails to surprise me’ after comments by Boris Johnson, Michael Fallon and Liam Fox
THEGUARDIAN.COM|DE JON HENLEY
The Guardian
2 h ·
"It’s a terrible thing to say, let alone to think, but anyone who cares about the plight of the civilians in Aleppo, and particularly the children, has to wonder now whether the best thing to bring the suffering to an end would be a quick victory for Bashar al-Assad."
The west has to look beyond Aleppo’s agony | Adrian Hamilton
The outside world is powerless to help Syrians trapped under bombardment. Our duty now is to find another way to stop Assad winning the war
THEGUARDIAN.COM|DE ADRIAN HAMILTON
Mas ,onde se esconde do mundo esse SATANÁS?????
Público
14 h ·
Tropas de Assad e seus aliados pressionam em várias frentes no terreno, onde socorristas não conseguem chegar a escombros e feridos graves são deixados a morrer.
Com a ofensiva terrestre, é a "guerra total" em Alepo
Tropas de Assad e seus aliados pressionam em várias frentes no terreno, onde socorristas não conseguem chegar a escombros e feridos graves são deixados a morrer.
PUBLICO.PT
Quem tinha dúvidas?????in www.publico.pt
Investigadores responsabilizam rebeldes pró-russos pelo abate do MH17
JOÃO RUELA RIBEIRO
28/09/2016 - 12:32
(actualizado às 14:25)
Sistema de mísseis Buk foi enviado de uma base militar russa para apoiar rebeldes pró-russos e acabou por provocar queda de avião com 298 pessoas a bordo, durante o Verão de 2014. Rússia critica investigação "tendenciosa".
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TÓPICOS
Europa
Holanda
Ucrânia
Rússia
Aviação
O sistema de defesa anti-aérea russo que atingiu e provocou a queda do avião da Malaysia Airlines no Leste da Ucrânia no Verão de 2014, causando a morte a 298 pessoas, veio de uma base militar russa. As conclusões são do grupo de investigadores liderado pela Holanda que apontam para a responsabilidade dos rebeldes pró-russos e de Moscovo.
Os investigadores determinaram a localização do sistema terra-ar Buk, de fabrico russo, perto da cidade de Pervomaisk, no território controlado pelos grupos separatistas. O sistema anti-aéreo pertencia a uma brigada do Exército russo sedeada na cidade de Kursk (a cem quilómetros da fronteira ucraniana) e há imagens publicadas por habitantes e declarações de testemunhas que o mostram a ser encaminhado de volta para a Rússia logo no dia a seguir ao desastre do MH17.
As conclusões são ainda provisórias e o objectivo é que sirvam de suporte em tribunal. Investigações preliminares levadas a cabo pelas autoridades holandesas de aviação já tinham determinado que o avião da Malaysia Airlines tinha sido abatido por um Buk disparado a partir do território separatista, mas desconhecia-se a origem do sistema anti-aéreo. "A nossa investigação mostrou que o local a partir do qual o míssil foi disparado estava nas mãos dos rebeldes", confirmou Wilbert Paulissen, um dos membros da equipa de investigação, durante a conferência de imprensa desta quarta-feira na cidade holandesa de Nieuwegein.
As conclusões da equipa de investigadores coincidem com as que foram apresentadas por um grupo de jornalistas freelancer, denominado Bellingcat, há mais de um ano. Na altura, este consórcio tinha reconstituído, a partir de vídeos publicados nas redes sociais, a rota de uma frota militar russa que escoltou o sistema Buk até à fronteira da Ucrânia, proveniente da 53.ª brigada sedeada em Kursk.
Os investigadores divulgaram conversas entre militares russos em que é abordado o envio de um Buk para apoiar os rebeldes pró-Moscovo. Existem "pelo menos cem pessoas" que podem estar implicadas na queda do avião, dizem os investigadores, mas que não são formalmente suspeitas. Este número inclui não apenas a equipa que terá operado o sistema anti-aéreo, mas também os responsáveis pelo seu fornecimento e transporte, embora ninguém ainda tenha sido formalmente identificado. A generalidade dos especialistas concorda que um sistema de mísseis como o Buk necessita de pelo menos três pessoas com algum conhecimento específico para o operar.
Os procuradores holandeses apelaram a todas as testemunhas que cooperem com as autoridades ucranianas, para que a identidade dos responsáveis seja apurada. Porém, a equipa de investigadores – que junta responsáveis holandeses, ucranianos, malaios, belgas e australianos – recusou comentar o possível envolvimento russo no fornecimento do sistema de mísseis e quais as suas implicações.
Famílias querem justiça
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia declarou que os resultados da investigação são um "marco importante" e apontam para o "envolvimento directo" da Rússia no abate do avião. "Isto põe um fim a todas as tentativas da Rússia para desacreditar as actividades e conclusões da Equipa Conjunta de Investigação ao disseminarem informações distorcidas ou fabricadas." O Governo russo criticou o relatório dos investigadores que diz ser "tendencioso" e "politicamente motivado".
O voo MH17 da Malaysia Airlines tinha partido a 17 de Julho de 2014 de Amesterdão e tinha como destino Kuala Lumpur, mas acabou por se despenhar no leste da Ucrânia depois de ser atingido por um míssil. Todas as 298 pessoas a bordo morreram, incluindo 80 crianças e 15 membros da tripulação. Nessa altura, o conflito entre o Exército ucraniano e as forças separatistas pró-russas passavam por uma das fases mais intensas de combate. Praticamente desde o início do conflito, a Ucrânia e a NATO acusaram a Rússia de apoiar, com armas, dinheiro e militares, as forças separatistas, embora Moscovo sempre o tenha negado.
Os familiares das vítimas – na sua grande maioria de nacionalidade holandesa – foram informados das conclusões da investigação antes da sua divulgação pública. "Como família, estamos impacientes. Queremos saber o que aconteceu, como aconteceu e porquê", dizia à Reuters Silene Fredriksz, que perdeu o filho de 23 anos no desastre. "Queremos que os responsáveis se apresentem perante a justiça", acrescentou.
Os investigadores começaram por descartar os cenários de um acidente ou de uma explosão no interior da aeronave. A possibilidade de ter sido atingido por outro avião – que chegou a ser invocada pela Rússia – foi explorada, mas acabou por ser afastada depois de analisadas as informações obtidas pelos radares.
Ainda antes da divulgação dos resultados das investigações, o Governo russo já rebatia as conclusões. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, garantiu que o míssil não foi disparado a partir do território controlado pelos rebeldes, servindo-se de dados divulgados pelo fabricante do sistema Buk. "As informações em primeira mão dos radares identificaram todos os objectos voadores que poderiam ter sido lançados ou que pudessem estar no ar sobre o território controlado pelos rebeldes naquele momento. A informação é clara (...) não há míssil. Se houve um míssil, então só pode ter sido disparado de outro sítio", afirmou Peskov, citado pela Reuters.
A Almaz-Antey, o fabricante russo do sistema Buk, disse que os dados obtidos pelos radares russos não mostram qualquer objecto no espaço aéreo proveniente dos territórios controlados pelos rebeldes.
Os procuradores responsáveis pela investigação conjunta internacional dizem, porém, não terem tido acesso às informações dos radares referidas por Moscovo. Os investigadores dizem ter havido cooperação com as autoridades russas, mas afirmam continuarem algumas questões por responder.
In www.publico.pt:Angela Merkel não TEM PALAVRA!

COMENTÁRIO
Berlim ainda não percebeu como se exerce uma liderança
TERESA DE SOUSA
28/09/2016 - 15:18
Angela Merkel garantiu ao Governo de Lisboa que "nunca se oporia" à candidatura de Guterres. Não cumpriu a promessa.
7
TÓPICOS
ONU
Nações Unidas
Alemanha
Bulgária
Angela Merkel
António Guterres
Há quase sete anos, pouco depois de um novo embaixador da Alemanha chegar a Lisboa, fui convidada por ele para um almoço que me pareceu ser de simples cortesia. Cheguei ao almoço, e foi uma daquelas vezes em que não tive resposta imediata ao que ele me queria comunicar. Diria mesmo que fiquei, na minha ingenuidade, de boca aberta. O embaixador, com o qual mantive depois uma excelente relação de cooperação, aliás, muito útil, tinha apenas uma coisa para me dizer de forma absolutamente explícita, sem qualquer linguagem diplomática. Portugal tinha de retirar a sua candidatura ao lugar não permanente no Conselho de Segurança que, tal como era hábito, já estava ser preparada praticamente desde a anterior eleição. A razão era óbvia: a Alemanha acabava de apresentar a sua, cerca de um ano antes da votação e o lugar era por direito dela. A argumentação era absolutamente clara. A Alemanha já deveria ter o seu lugar permanente no Conselho de Segurança, apenas adiado pela pouca vontade americana (em boa verdade, de todos os outros membros permanentes). Era, além disso, uma grande potência europeia, um contribuinte generoso para os cofres do sistema das Nações Unidas com um peso internacional incomparavelmente superior ao de Portugal.
A candidatura portuguesa já tinha feito o seu caminho, reunindo apoios em todo o mundo sem grande dificuldade. Precisamente porque somos um país pequeno mas com uma longa história, sem conflitos ou anticorpos de maior na cena internacional, capaz de construir pontes (era esse o lema), mas que contrabalançava a sua dimensão com a pertença à União Europeia (videTimor). Isso e a persistência e eficácia da diplomacia portuguesa tinham-nos garantido sempre cumprir os objectivos fixados para o Conselho de Segurança. Não seria morte de homem se não ganhássemos, mas já era tarde demais para desistir. A não ser na cabeça do embaixador alemão. Conhecemos o desfecho desta história. Apesar de haver um terceiro concorrente muito forte, o Canadá, ganhámos folgadamente o nosso lugar e a Alemanha o seu. Pouco depois, na decisão sobre a intervenção na Líbia, o voto alemão alinhou com os países emergentes (China e Brasil) e não com os países ocidentais, provando que Berlim ainda não tinha clarificado a sua inserção internacional pós-unificação. Essa clarificação já aconteceu em grande medida. A Alemanha já se realinhou com os seus principais parceiros europeus e com os Estados Unidos. A Rússia e a desordem internacional ensinaram muita coisa à chanceler sobre defesa e segurança. Mas faltou, nessa aprendizagem, um pormenor: perceber que o facto de ser poderosa na Europa não lhe dá o direito de se comportar desta forma arrogante e unilateral.
Angela Merkel garantiu ao Governo de Lisboa que “nunca se oporia” à candidatura de Guterres, porque lhe devia um apoio incondicional na questão dos refugiados e via como muito útil o seu conhecimento de África, que alimenta e continuará a alimentar a fuga para a Europa de milhares e milhares de pessoas. Não cumpriu a promessa. Apoiou Kristalina Georgieva, que saiu direitinha do Berlaymont à última hora, mas com a mesma lógica: o que Berlim apoia é o que interessa e o que a Comissão fabrica é o que vale. A vice-presidente da Comissão pode ser a melhor pessoa do mundo, mas o mundo não teve oportunidade de saber. Uma das suas "qualidades" públicas é pertencer ao PPE para um cargo em que a cor política interessa muito pouco. O que é que Berlim ganha com isto? É difícil de entender a não ser compromissos anteriores, que conhecia antes de transmitir ao Governo português a sua “não oposição”, ou uma forma de manter os seus vizinhos de Leste satisfeitos. Haveria sempre outra dificuldade para Guterres, essa sim com alguma lógica, mesmo que não contribua para uma ONU mais aberta e mais transparente. A sua candidatura teria de passar o crivo de uma relação cada vez mais complexa entre Washington e Moscovo por causa da Síria no quadro de uma situação internacional verdadeiramente perigosa e da tragédia humana que se vive na região. Era provavelmente a isso que Marcelo se referia quando falou em crises internacionais imprevisíveis que ainda poderiam dificultar a vida ao candidato português. Afinal bastou a eurocracia e a displicência como em Berlim se olha para o Sul para colocar uma séria dificuldade a Guterres e à diplomacia portuguesa. Quem quer anular a sua candidatura sabe que o preço a pagar contra a transparência, o mérito, a capacidade e o currículo de António Guterres será rapidamente esquecido. Mas que seja a Europa, com a sua sempre tão proclamada “superioridade moral”, que queira torpedear um processo muito mais transparente e interessante dá-nos a triste medida da forma como as coisas funcionam.
"QUEM TUDO QUER, TUDO PODE PERDER, SrªPOUCO Kristalina!
Kristalina até pode “ajudar” Guterres
TERESA DE SOUSA
28/09/2016 - 16:43
A candidatura pode cair muito mal na sede das Nações Unidas, dizem fontes diplomáticas em Lisboa.
1
TÓPICOS
ONU
António Guterres
MAIS
Kristalina Georgieva entra na corrida a secretária-geral da ONU
Berlim ainda não percebeu como se exerce uma liderança
Política e poder na escolha do secretário-geral das Nações Unidas
A candidatura da vice-presidente da Comissão Europeia, Kristalina Georgieva, ao cargo de secretário-geral da ONU não está, por enquanto, a dar grande preocupação ao candidato português que venceu todas as cinco votações até agora, mantendo um apoio de 12 dos 15 membros do Conselho Europeu.
A forma como a sua candidatura surgiu, dizem fontes diplomáticas em Lisboa, próximas do processo, vai cair muito mal em Nova Iorque, por ser contrária a todo o esforço de transparência que está a ser feito em torno dos candidatos.
As características da candidata, que só muito tarde obteve o aparente consenso do Governo búlgaro, também não são de molde a cair bem nos corredores da ONU. É uma candidata pouco nacional e muito fabricada em Bruxelas e Berlim por uma organização partidária (o PPE), patrocinada abertamente pela chanceler alemã. “Angela Merkel já manda bastante na Europa, mas decidir quem é o próximo secretário-geral da ONU já está muito além das suas capacidades”, diz uma fonte.
As diferentes fontes diplomáticas contactadas pelo PÚBLICO dizem que a candidatura de Georgieva poderia ter alguma viabilidade apenas no caso em que esta última votação tivesse caminhado para um empate relativo entre Guterres e outro candidato – como, por exemplo, o eslovaco, que chegou a ocupar o segundo lugar. Mas isso não aconteceu, como se verificou na última votação. “Para haver terceiros candidatos para desempatar, é preciso haver empate”, disse ao PÚBLICO um diplomata envolvido na negociação. Não é manifestamente o caso. Segundo a mesma fonte, Georgieva pode afectar mais a votação em Miroslav Lajcak do que no candidato português.
A candidatura de Georgieva foi sempre alimentada pelo PPE, onde estão representados o PSD e o CDS-PP portugueses. Publicamente, o empenho de Mário David, eurodeputado do PSD que se move muito bem no grupo de centro direita europeu, na candidatura da vice-presidente da Comissão ao principal cargo da ONU, já era um facto público e indesmentível.
O argumento era dar a candidatura de Guterres como derrotada à partida, o que hoje é difícil de justificar. Mário David era uma figura muito próxima de Durão Barroso, quando este foi presidente da Comissão Europeia. MasBarroso já se demarcou da sua posição. O antigo primeiro-ministro, envolvido no problema da Goldman Sachs, não deixou de dizer, no entanto, que ficou muito sensibilizado com as perguntas que António Costa fez ao seu sucessor em Bruxelas, com uma pequena alfinetada um pouco difícil de entender: lamentou a falta de apoio de António Guterres, que também deveria ter pedido esclarecimentos a Jean-Claude Juncker.
Mas, em Nova Iorque e Lisboa, ninguém mete no mesmo saco o comportamento de Mário David (fundamental na escolha de Barroso para a Comissão, em 2004, quando houve precisamente uma situação de empate político entre o candidato britânico Chris Patten e o candidato francês Guy Verhofstadt, antigo primeiro-ministro belga, permitindo abrir a via para um terceiro nome de conciliação).
Na próxima votação os membros permanentes do Conselho de Segurança vão ter de abrir o jogo. Em Lisboa há também quem lembre que uma candidatura da vice-presidente búlgara da Comissão, que acabasse por vencer todos os obstáculos e chegasse à votação final, haveria sempre a possibilidade de um veto de um dos membros permanentes. De quem? Provavelmente da França, embora o novo ocupante do Foreign Office, Boris Jonhson, já se tenha declarado muito bem impressionado com a performance de António Guterres.
A corrida entra agora na sua fase final. As escolhas políticas vão pesar mais. Para anular as votações do candidato português será, provavelmente, tarde de mais.
Em www.leituras.eu
Austeridade: ricos -13%, pobres -25%
28 de setembro de 2016 por leituras deixe um comentário
Portugal 2009/2014. Portugal antes e depois do pico da austeridade. Portugal com mais desigualdade e mais pobreza. Tinha de ser, foi a crise? Não: aspolíticas adotadas não atenuaram, antes agravaram,quer a pobreza, quer a desigualdade. A austeridade silenciosa sobre os pobres arrombou mais do que a que foi gritada pela classe média e pelos mais ricos. É um facto.Os resultados estão no estudo “Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal”, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, com oapoio do Expresso e da SIC, que será debatido em conferência na próxima sexta e foi antecipado em primeira mão no semanário de sábado. É o primeiro estudo completo, e complexo, sobre o impacto social das políticas de austeridade da era troika. Os resultados são surpreendentes porque destroem a perceção generalizada de que foi a classe média a que mais alombou. E derrubam o discurso político sucessivamente apresentado de que os mais carenciados estavam a ser poupados. Porque, assim se dizia, apenas se cortavam salários e pensões acima de determinados valore; porque os aumentos de impostos incidiam sobre rendimentos maiores. A perceção era, nessa altura, de que a austeridade era progressiva. Pagariam mais os mais ricos. Pois era. Mas não foi. Foi regressiva.
A curva de pobreza inverteu e voltou a subir. Mas, mais do que isso, os cortes de rendimento que abrangeram todas as classes foram eles próprios desiguais. Tiveram maior peso entre os que tinham menores rendimentos. De 2009 para 2014, os 10% mais ricos tiveram uma redução de rendimento de 13%, os 10% mais pobres sofreram uma diminuição de 25%.
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A explicação não está nos cortes de salários da função pública nem de pensões, nem sequer nos aumentos de IRS. Está nos cortes de apoios sociais, como o rendimentos social de inserção e o complemento solidário para idosos. E está no desemprego. Segundo o estudo, conduzido por Carlos Farinha Rodrigues, um em cada três portugueses passou pela pobreza durante pelo menos um dos anos entre 2009 e 2012. Ou seja, tiveram um rendimento mensal inferior à linha de pobreza, que em 2014 seria de 422 euros. O número de famílias sem ninguém empregado aumentou; as famílias mais alargadas e com mais crianças foram mais prejudicadas; os mais jovens foram mais afetados que os mais velhos; o número de crianças na pobreza aumentou.
Continua…
Poema meu(Obra Regª)


PARA LÁ DO TEU SORRISO
Diferente foi o dia que ficou por contar…
…que viveu o Ontem do Hoje,
de um Futuro do qual nada há para saber…
e meus dedos tristes não vêem o que sentem,
quando tudo querem escrever.
Insistentes, tacteiam o papel, à procura
da verdade dos sentidos
em que te quero viver.
Minh’alma, do lado de Lá do teu sorriso, sente o frio do mar distante, que promete fazer chegar ondas do rubro horizonte, para me afagarem a fronte fixa num ponto ondulante. Na consciência, está a poesia onde cabe a desilusão da alegria…
…o sorrir amargo da ilusão…
…a agonia do dia em que o papel não reconhece
as palavras que me tacteiam e que são apenas de amor.
As estrelas, luz genital do espaço, procriam com outros corpos celestes e geram claridades num firmamento ideal. Nas noites dos dias em que se possa tentar responder ao pensamento, ouvir-se-ão os sons de uma montanha de emoções…
… carregada de manhãs de orvalho
…que entram em todos os atalhos das ilusões das flores.
Os caules entorpecidos absorverão as palavras não-escritas, que são o código genético do poema onde te beijo a Alma a saber a raízes despertas,
a desertos de longínquos calores,
a mares sobressaltados de sorrisos
das ondas, numa Outra Ilha-dos-Amores.
Para Além do teu sorriso,
só contarei, DEPOIS,
a noite-do-dia que ficou por revelar…
Maria Elisa Ribeiro-DEZ/015
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