sábado, 3 de junho de 2023

Teixeira de Pascoaes

 De Teixeira de Pascoaes, in Net, O Pensador:

A Mentira é a Base da Civilização Moderna
É na faculdade de mentir, que caracteriza a maior parte dos homens actuais, que se baseia a civilização moderna. Ela firma-se, como tão claramente demonstrou Nordau, na mentira religiosa, na mentira política, na mentira económica, na mentira matrimonial, etc... A mentira formou este ser, único em todo o Universo: o homem antipático.
Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita. A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.
A mentira reina sobre o mundo! Quase todos os homens são súbditos desta omnipotente Majestade. Derrubá-la do trono; arrancar-lhe das mãos o ceptro ensaguentado, é a obra bendita que o Povo, virgem de corpo e alma, vai realizando dia a dia, sob a direcção dos grandes mestres de obras, que se chamam Jesus, Buda, Pascal, Spartacus, Voltaire, Rousseau, Hugo, Zola, Tolstoi, Reclus, Bakounine, etc. etc. ...
E os operários que têm trabalhado na obra da Justiça e do Bem, foram os párias da Índia, os escravos de Roma, os miseráveis do bairro de Santo António, os Gavroches, e os moujiks da Rússia nos tempos de hoje. Porque é que só a gente sincera, inculta e bárbara sabe realizar a obra que o génio anuncia? Que intimidade existirá entre Jesus e os rudes pescadores da Galileia? Entre S. Paulo e os escravos de Roma? Entre Danton e os famintos do bairro de Santo António? Entre os párias e Buda? Entre Tolstoi e os selvagens moujiks? A enxada será irmã da pena? A fome de pão paracer-se-à com a fome de luz?...
Teixeira de Pascoaes, in "A Saudade e o Saudosismo"
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sexta-feira, 2 de junho de 2023

POEMA...

 MANHÃ- SUADA-A-ROMPER…

______________________________________ é o céu, quando
teus olhos se fecham nos meus
e tuas mãos mergulham na seiva-orvalho de meu corpo quente…
_______________________________________é o céu, quando
pelos horizontes esvoaçam aves
que não ouvimos, no vôo alterado dos nossos sentidos…
_______________________________________é o céu quando,
inspirados pela alma-força desses movimentos
abrimos as asas e voamos, lentos, sobre aromáticas flores, adormecidas
ao sol quente,
que mancha as folhas das árvores no avermelhado de um Outono
a passear , indiferente, pelos sopros do vento…
________________________________________é o céu, ainda e também,
quando o fogo consome o ondular das marés ofegantes
do sono das sensuais borboletas,
que se cobrem de tintas coloridas dos pós das estrelas
a trespassarem o firmamento do nosso SER-ALI…
****
Em teu céu misturo cores da manhã-suada-a-querer-romper a alba.
Minhas mãos, partículas de sonho desfeitas no teu ser,
perdem-se na teia das tuas cores vivas…
e solta-se delas uma tela de perfumes e sabores
de um verde de folhas vivas, aguerridas, num azul-céu
onde as urzes e as giestas são um mar-espelho dos sentidos,
*vivos,
*despidos,
*perdidos, de tão confundidos*
****
Avança o dia-a-ser, enquanto sorrimos…
Rompe o sol em raios dourados, a afagar a colina…
Deslizam os rios a acordar a Aurora dos trigos adormecidos…
O céu abre os olhos das estrelas
na hora em que os botões de rosas
despem seus rubros vestidos…
Os pós dos sonhos caminham…
[pelas florestas perdidas…
[pelos mares e pelas nuvens…
[pelas montanhas e vales onde, serenos, se espalham
[ pela ponta dos dedos, com que brinco teus segredos…
A manhã- rompe-suada, sem espaço-para-descansar…
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Alda Bandeira, Jamal Benjamal Ourdi e 2 outras pessoas

Boa tarde, meus e minhas amigas!


 

quinta-feira, 1 de junho de 2023

POEMA

 OURO FLUVIAL

Escrevo versos tristes na noite deste dia
__________________________que amanheceu risonho.
Escrevo astros e estrelas, que tiritam de frio azul
______________lá longe, onde o vento canta e assobia,
______________antes de percorrer o caminho que, do firmamento,
______________o vai trazendo ao meu dia.
Escrevo esse frio nos meus versos quentes.
A alma sente-os cair, sílaba a sílaba,
________________ sobre o papel húmido
___________________como superfície campal, onde o orvalho cai e acalma
_________________________a sede infindável da terra túmida.
Escrevo sombras enredadas na solidão profunda
de sufocar lamentos nas lágrimas orvalhadas,
que regeneram rebentos.
Minha rede de música está presa nos sonhos
que se iluminam à passagem do poema pela noite fria,
onde o dia acordou risonho…
Nos sonhos, escrevo o canto da amplitude universal
ao alcance dos meus dedos como ouro fluvial…
Quem não canta, chora…
___________________… sente que a brisa da tarde arrasta a voz interior
_______________________para o crepúsculo das nuvens, sem dar pelo passar da Hora.
Nas montanhas, contudo, há flores alegres, amoras rubras
___________e árvores orgulhosas das suas ramas folhosas.
Nos mares, sempre iguais- ao-Igual, as ondas
________não precisam do brilho das estrelas nem da luz da lua,
__________para melhor verem o caminho, que as leva ao areal.
Só Eu, animal racional no meu labirinto emocional,
eu só, afinal,-
- sei que estou de mal comigo,
quando não consigo ver o dia risonho
nos versos do poema, em que é a noite o meu abrigo…
Inscrevo, então, meu estado pessoal
_______ na verdade das folhas amontoadas
___________ num remoinho de vento,
______________que andou em vôos pelo céu,
___________________ no meu orvalho astral.
Maria Elisa Ribeiro
AG/014
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Boa noite, meus amigos (as)!


 

Aida Garifullina - Casta Diva - Bellini (Norma)

Va, pensiero (Giuseppe Verdi) cantato da 4600 coristi all'Arena di Verona

Mudança crítica no mapa da guerra ucraniana! Tropas russas forçadas a se...

Van Gogh

 Obra de Van Gogh (in Google)

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DIA da CRIANÇA!

 DIA da CRIANÇA!

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Tu e Sandra Regina Machado

 Antero de Quental: embora tivesse entrado na difusão do REALISMO, em Portugal, este Poeta e Filósofo foi um verdadeiro romântico, no tratamento da MULHER, nomeadamente. Foi um dos cérebros da implantação do Realismo, em Portugal e fez parte da célebre "Questão Coimbrã".

Soneto sobre a Mulher, in Internet.
Sonho Oriental
Sonho-me ás vezes rei, n’alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha…
O aroma da magnólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente…
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha…
E enquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n’um cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,
Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.
Antero de Quental
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Maria Elisa Ribeiro

Bom dia, meus e minhas amigas!( Arte de Konstantin Razumov)

 


Antero de Quental, in Internet

 Antero de Quental: embora tivesse entrado na difusão do REALISMO, em Portugal, este Poeta e Filósofo foi um verdadeiro romântico, no tratamento da MULHER, nomeadamente. Foi um dos cérebros da implantação do Realismo, em Portugal e fez parte da célebre "Questão Coimbrã".

Soneto sobre a Mulher, in Internet.
Sonho Oriental
Sonho-me ás vezes rei, n’alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha…
O aroma da magnólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente…
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha…
E enquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n’um cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,
Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.
Antero de Quental
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Maria Elisa Ribeiro