
POEMA: SE...
SE…
Se ao menos uma palavra iluminada soubesse
ensinar-me o caminho…
Se as flores não desmaiassem de cor perante
o brilho quente do sol…
Se ao menos o vento te fechasse na força
de um abraço, contra meu peito…
Se teus dedos soletrassem os meus sentidos, perdidos
no magma de sulcos de lava…
…as areias do mar, ao longe, perder-se-iam no canto
das sereias prateadas…
...os rios deslizariam por cima de seixos quentes, obstinados,
sempre presentes na trajectória dos dias…
…o orvalho sensual perdido nas folhas das árvores, escorreria ,
natural, pela folha de papel
onde me escondo-a- sentir
a fugaz, pálida , luz do teu olhar, ao encontro do viver…
Oh, se caminhássemos nesta bruma, que anuncia o dia onde já nos perdemos…
Talvez tivéssemos mudado a mão do vento que sufoca as árvores…
E outros poderiam ter sido ser os rios, as montanhas, as florestas dos desertos
onde o desalento e a erosão dão as mãos…
e talvez, das nossas memórias se tivesse ausentado o esquecer-as-flores-rubras a vicejar…
………………………………………………Se não tivéssemos sido pedra-arruinada-entre-ruínas
………………………………………………talvez o sangue continuasse a fluir no corpo dos cactos
……………………………………………..e voltássemos a ouvir um piano no meio das águas
……………………………………………..um violino a dançar num céu de espumas esbranquiçadas
……………………………………………..uma sonata de amor num poema de noites exaustas….
Maria Elisa Ribeiro -2012
O pensamento de Balzac (1799-1850), in Net
"O Crime da Palavra
Nenhum código, nenhuma instituição humana pode prevenir o crime moral que mata com uma palavra. Nisso consta a falha das justiças sociais; aí está a diferença que há entre os costumes da sociedade e os do povo; um é franco, outro é hipócrita; a um, a faca, à outra, o veneno da linguagem ou das ideias; a um a morte, à outra a impunidade. "
Honoré de Balzac, in "O Contrato de Casamento"
Poema de Mário Dionísio (1916-1993), in Net
Para Ser Lido Mais Tarde
Um dia
quando já não vieres dizer-me Vem
jantar
quando já não tiveres dificuldade
em chegar ao puxador
da porta quando
já não vieres dizer-me Pai
vem ver os meus deveres
quando esta luz que trazes nos cabelos
já não escorrer nos papéis em que trabalho
para ti será o começo de tudo
Uma outra vida haverá talvez para os teus sonhos
um outro mundo acolherá talvez enfim a tua oferenda
Hás-de ter alguma impaciência enquanto falo
Ouvirás com encanto alguém que não conheço
nem talvez ainda exista neste instante
Mas para mim será já tão frio e já tão tarde
E nem mesmo uma lembrança amarga
ou doce ficará
desta hora redonda
em que ninguém repara
Mário Dionísio, in 'O Silêncio Voluntário'
EMIGRAÇÃO
Partir e voltar
Duarte Vaz Pinto
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2/7/2015, 7:13237 PARTILHAS
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Não podemos partir todos mas é importante que alguns partam à conquista e à descoberta. Mas o mais importante e mais decisivo é voltar.
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JOVENS
TRABALHO
Muito se tem falado da mais recente vaga de emigração portuguesa. Trabalhar noutro país não é nem pode ser um estigma. No mundo globalizado em que vivemos, todos os dias nos deparamos com histórias e imagens que despertam a nossa curiosidade e nos fazem ter vontade de rasgar horizontes e conhecer novas realidades. Porém, os jovens que hoje emigram, fazem-no principalmente por razões que nada têm a ver com este idealismo. Partem porque não encontram uma oportunidade de trabalho ou porque lá fora encontram projetos mais aliciantes e melhores salários.
Há também quem fique, a lutar e a dar o melhor de si pelo seu sucesso individual e pelo nosso sucesso coletivo. Ou então, com uma atitude inerte, a bramir inconsequentemente contra tudo e contra todos à espera que tudo mude e melhore sem nada contribuir para uma solução. Um país em recuperação de uma grave crise, com um crescimento económico incipiente e com uma economia em restruturação não cria empregos para todos nem os cria com as melhores condições.
A emigração é uma solução que tem de ser encarada como uma oportunidade e não necessariamente como uma fatalidade. Não é necessariamente a fuga sem retorno de uma geração altamente qualificada e a mais bem preparada de sempre. Podemos emigrar “à anos 60”, saltar para o desconhecido, desconfiados, amargurados, a invocar a fuga da pobreza, a protestar contra um Estado que não cria empregos, que falha na educação e na justiça, que não garante cuidados de saúde e que nem as pensões assegura. É uma forma de encarar a situação, mas uma forma cansativa e desgastante, para todos!
A alternativa é emigrar “à descobrimentos”, porque queremos, porque é o melhor para nós. Porque sabemos o que queremos e somos capazes de mais e melhor. Traçar um plano, suficientemente flexível para admitir desvios de rota, como os que levaram Álvares Cabral ao Brasil, mas com objetivos definidos e metas ambiciosas, com uma visão de futuro. Colocar a render os melhores talentos de cada um, no melhor interesse individual e coletivo. Abrir as portas à experiência, ao conhecimento, a novas realidades, absorver tudo! Procurar crescimento pessoal e acrescentar qualquer coisa a uma comunidade. Sem patriotismos bacocos, representar sempre o nosso país o melhor que sabemos e podemos, levar Portugal mais longe e mais alto. Mas no fim do dia, o mais importante de tudo é que este plano inclua o regresso.
Trazer para casa tudo o que aprendemos, partilhar essa experiência e ajudar a transformar o nosso país. Vivemos tempos de mudança e disrupção. Há imensa coisa que não funciona no nosso país e os incentivos para voltar podem parecer poucos ou nenhuns mas é precisamente essa circunstância que deve fazer balançar consciências. Não precisamos de grandes gestos nem de novos heróis, só precisamos que cada um largue o discurso miserabilista e o queixume que ouvimos tantas vezes por aí e contribua com a sua parte para um todo, para um país melhor e com mais futuro.
Não podemos partir todos mas é importante que alguns partam à conquista e à descoberta. Mas o mais importante e mais decisivo é voltar.
Licenciado em Relações Internacionais, neste momento a trabalhar em Macau
ESPANHA
Ex-tesoureiro do Partido Popular afirma que há um saco azul no partido desde 1982
HÁ 2 HORAS
José María Aznar e Mariano Rajoy sabiam perfeitamente que a contabilidade paralela do partido existia, diz o ex-tesoureiro. PP refuta acusações.

Luis Bárcenas foi funcionário do PP desde 1982
Gonzalo Arroyo Moreno/Getty Images
Autor
João Pedro Pincha
jpedropincha
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CASO BÁRCENAS
ESPANHA
PARTIDO POPULAR
O Partido Popular (PP) espanhol tem um saco azul pelo menos desde 1982, acusa o ex-tesoureiro, Luís Bárcenas, que responde em tribunal por um alegado esquema de corrupção que envolve altos dirigentes do partido de Mariano Rajoy. Em causa, o favorecimento de empresas em concursos para obras públicas da última vez que o partido esteve no poder.
Segundo o documento entregue por Bárcenas para a sua defesa, ao qual o El Mundo teve acesso, há “um sistema perfeitamente institucionalizado” de contabilidade paralela no PP, no qual, “como em todas as pirâmides hierárquicas, as instruções emanavam de cima para baixo”. Ou seja, de acordo com o ex-tesoureiro, o atual e o ex-primeiro-ministro, José María Aznar e Mariano Rajoy, tinham conhecimento da situação, bem como Manuel Fraga e Antonio Hernández Mancha, presidentes da Aliança Popular, partido que antecedeu o PP.
Bárcenas alega que, entre 2008 e 2009, período em que foi tesoureiro do partido, “sempre reportou às duas pessoas de que dependia hierarquicamente: o Sr. Rajoy e a Sra. Cospedal”, secretária-geral do PP.
O líder parlamentar do Partido Popular reagiu entretanto às acusações de Bárcenas, alegando que ele é que montou um esquema de contabilidade paralela para proveito próprio e retirando ao PP qualquer responsabilidade sobre o assunto. “O senhor Bárcenas não goza de nenhum tipo de credibilidade. O que ele tem de fazer é reconhecer que era ele que manejava essa caixa que se alimentava de determinados fundos e dizer à sociedade espanhola quando pensa devolver o dinheiro que tem na Suíça”, disparou Rafael Hernando.
Luís Bárcenas entrou para o PP em 1982 e desde 2009 que tem estado envolvido em processos judiciais que envolvem alegada corrupção na política espanhola, em particular no Partido Popular. O processo contra ele, relativo a donativos àquela organização que nunca foram declarados, começou em 2013, quando os jornais El Mundo e El País denunciaram que Bárcenas tinha pago luvas a diversos políticos e empresários espanhóis, de forma a influenciar concursos para obras públicas.
FUTURO DA GRÉCIA
FMI sobre a Grécia: novo resgate de 50 mil milhões até 2018
HÁ 2 HORAS
Mais dinheiro, o dobro do prazo de pagamento e melhores condições. Se a situação piorar, credores podem perder todo o primeiro resgate, mais de 53 mil milhões, diz o FMI.

Stephen Jaffe / IMF HANDOUT/EPA
Autor
Nuno André Martins
Atenas, Grécia
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A Grécia precisa de um terceiro resgate de pelo menos mais 50 mil milhões de euros para cobrir as necessidades do Estado grego só até ao final de 2018, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI), dos quais 36 mil milhões de euros teriam de ser assegurados pela Europa. Se a situação piorar, diz o FMI, a Europa devia simplesmente eliminar todo a dívida grega do primeiro resgate, mais de 53 mil milhões de euros.
Numa tomada de posição muito invulgar, o FMI publicou esta tarde a sua versão da análise de sustentabilidade da dívida grega. A conclusão é muito clara: na atual situação, a dívida grega não é sustentável.
A análise é dura. Para começar, para o Estado grego. Diz o FMI que se o programa, do segundo resgate, acordado em 2012 tivesse sido implementado, a Grécia não teria necessitado de qualquer alívio na sua dívida. Agora, depois de vários atrasos e da resistência em implementar o programa, têm de ser tomadas medidas.
Para ser considerada sustentável com elevado grau de probabilidade, o FMI diz que os gregos têm de voltar a implementar as medidas e de forma correta e vigorosa, e que, “no mínimo, as maturidades dos atuais empréstimos europeus têm de ser alargadas significativamente, enquanto será necessário também novo financiamento europeu para cobrir as necessidades de financiamento nos próximos anos, e em termos semelhantes”.
Mas mesmo assim, o cenário pode ficar pior. Se as reformas que estão a ser pensadas não forem implementadas e sofrerem novos reveses, o cenário piora e os credores terão mesmo de aceitar novas perdas. Diz o FMI que, se a situação piorar, ou seja, se a Grécia não conseguir acumular os níveis de saldos primários que a troika tem proposto, os credores europeus podem ter de abdicar de receber todos os empréstimos que foram dados à Grécia no primeiro resgate, em 2010. Mais de 53 mil milhões de euros.
CANCRO
Universidade de Coimbra disponibiliza molécula para deteção do cancro da próstata
HÁ UMA HORA
O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde da Universidade de Coimbra desenvolveu uma molécula "bastante eficaz" no diagnóstico do cancro da próstata.

PAULO NOVAIS/LUSA
Autor
Agência Lusa
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CANCRO
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O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra desenvolveu uma molécula “bastante eficaz” no diagnóstico do cancro da próstata, que está agora disponível para utilização no país, disse o diretor da instituição.
O ICNAS, a partir de uma equipa de radioquímicos coordenada por Antero Abrunhosa, desenvolveu um marcador “bastante eficaz” na identificação do cancro da próstata, estando pela primeira vez disponível para utilização em hospitais portugueses, depois de a molécula já ser aplicada noutros países, disse à agência Lusa o diretor do instituto, Miguel Castelo Branco.
Esta molécula marca “uma proteína de superfície das células” do carcinoma da próstata, ao invés de outros marcadores mais usados que são “menos específicos”, sublinhou.
“É um marcador muito recente, validado este ano, e que agora vamos começar a disponibilizar à comunidade”, referiu.
O diretor clínico do ICNAS, João Lima, sublinha as “grandes vantagens” deste radiofármaco no acompanhamento e avaliação do reaparecimento de cancro da próstata após um primeiro tratamento, estando sensível à deteção de alterações a partir de uma intervenção não evasiva.
A substância radioativa, gálio-68, permite que, num único estudo, se detetem “lesões na proximidade da próstata ou em locais afastados”, tendo já sido testada e utilizada na Alemanha, Áustria e França, sendo agora também produzida em Portugal graças ao desenvolvimento do radiofármaco no ICNAS, explanou.
O diretor do ICNAS, Miguel Castelo Branco, toma posse na sexta-feira para cumprir o seu terceiro mandato à frente da instituição.
Os objetivos para o futuro do ICNAS centram-se em consolidar “a rede nacional de imagiologia nacional, a investigação clínica de elevada qualidade”, continuar a participar em projetos internacionais e “manter a investigação aplicada com intervenção em hospitais e empresas”.
Sabe qual é o país que mais vezes não pagou dívida?
30/6/2015, 14:21201.778 PARTILHAS
O primeiro incumprimento de que há registo aconteceu... na Grécia, no ano de 377 AC. Mas a Grécia não é o país que já leva 14 episódios de "default".

AFP/Getty Images
Autor
Edgar Caetano
edgarcaetano
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BBC
DÍVIDA
DÍVIDA PÚBLICA
FUTURO DA GRÉCIA
Esta terça-feira será, tudo indica, o “Dia D” para a Grécia. “D” de default, isto é, incumprimento em dívida pública, neste caso perante o Fundo Monetário Internacional (FMI). O ministro Yanis Varoufakis já confirmou que a Grécia não pagará ao FMI esta terça-feira. Daí que a BBC tenha decidido olhar para a História e notado que apesar de ter sido na Grécia que tenha sido registado o primeiro default da História, em 377 AC, este não é o país com maior número de incumprimentos.
Espanha falhou pagamentos de dívida 14 vezes, segundo a BBC, que parte da análise dos economistas Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, de Harvard, e Miguel Angel Boggiano, de Buenos Aires. Seja por situações ligadas a guerra, catástrofes naturais ou questões de gestão financeira, o país vizinho encabeça a lista dos países com mais episódios de incumprimento. Os dados vão bem atrás na História, até ao século XVI.
Depois da Espanha, surgem a Venezuela e o Equador como segundos piores devedores do mundo, com 11 situações de incumprimento. Com 10 defaults surge o Brasil e países como França, Alemanha e México têm entre oito e novos episódios de falha de pagamento de dívida. Portugal aparece em sexto lugar, com sete defaults, a par da Colômbia e o Uruguai.
O incumprimento por parte da Argentina, em 2001, é normalmente tido como o default público de maior dimensão em toda a História.Desapareceram 95 mil milhões de dólares. Mas há quem defenda que esse título pouco honroso pertence à Grécia, que em 2012 promoveu uma troca voluntária de títulos de dívida que causou uma perda real superior a 70%.
E há bons devedores? Muito poucos. Apenas países como a Suíça, a Bélgica, a Noruega, a Finlândia, Coreia do Sul, Singapura e Nova Zelândia têm um cadastro limpo. Os EUA e a Alemanha já tiveram situações de incumprimento mas, nesta fase, são vistas como bons devedores, em parte devido ao facto de serem emprestadores líquidos (e não credores, quando se ponderam os empréstimos concedidos e pedidos, numa análise global).

Poema:
*****
---------------------------------------------------os Outros dormem…
à janela, o vento frio desfaz o fumo
do cigarro, entre os dedos que tremem
no vazio…
não sabemos de Nós…nem dos Outros, afinal,
perdidos pelas vielas de cimento das cidades,
chorosas e atormentadas.
sabemos dos fumos dos cigarros,
sabemos das chaminés dos navios a zarpar,
nos crepúsculos perdidos no Tempo-do-tempo
de navegar e de atracar a ilhas desconhecidas.
há corpos enigmáticos encostados às paredes desse tempo,
que fazia chorar guitarras, num eterno lamento.
os vidros das janelas das tavernas, apagados e tristes,
são os espelhos baços onde se miram todos
os que, de qualquer modo, resistem.
-----------------------------------------------------os Outros dormem…
passa a noite
e, daqui a nada,
nós acordamos do sonho
ao som da nova alvorada.
Maria Elisa Ribeiro
Abril/015
Crash à Taïwan : le pilote aurait coupé le moteur
Le Monde.fr avec AFP | 02.07.2015 à 09h11
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image: http://s2.lemde.fr/image/2015/07/02/534x0/4667037_6_69dd_les-equipes-de-secours-tentent-de-sauver-les_d91999edec57650df43efffe5273172d.jpg
Les équipes de secours tentent de sauver les survivants de la carcasse de l'avion TransAsia qui s'est abîmé dans une rivière près de Taipei le 4 février causant la mort de 43 personnes. PICHI CHUANG / REUTERS
Le décryptage des boîtes noires de l’avion de la compagnie TransAsia qui s’était abîmé dans une rivière après son décollage de l’aéroport de la capitale de Taïwan, Taipei, causant la mort de 43 personnes, a permis d’établir que le pilote a coupé lui-même le moteur.
« Oh, j’ai tiré sur la mauvaise manette ! », aurait-il déclaré quelques secondes avant le crash, selon les premiers éléments du rapport d’enquête réalisé par le Conseil de sécurité de l’aviation civile taïwanaise dévoilés jeudi 2 juillet.
Une descente spectaculaire
D’après les enquêteurs, le seul moteur encore opérationnel de l’ATR 72-600 a été coupé alors que l’autre moteur avait perdu de la puissance. Avec ses deux moteurs hors d’usage, l’avion a commencé à perdre de l’altitude : des images amateur spectaculaires ont montré l’appareil en train de dévisser, heurter une autoroute puis plonger dans une rivière.
« Pourquoi le pilote a fait cela, nous ne le savons pas, a malgré tout commenté le directeur du Conseil de sécurité de l’aviation civile. C’est la principale chose que devra déterminer notre rapport d’analyse. » L’enquête définitive est attendue en avril 2016.
En savoir plus sur http://www.lemonde.fr/asie-pacifique/article/2015/07/02/crash-a-taiwan-le-pilote-aurait-coupe-le-moteur_4667038_3216.html#lQFITRyEMPWtyuLV.99
L’inexorable progression de l’Etat islamique
Le Monde.fr | 02.07.2015 à 11h47 • Mis à jour le 02.07.2015 à 12h05
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Editorial du « Monde » Un an après la proclamation du califat par Abou Bakr Al-Baghdadi, une constatation s’impose : son mouvement, l’Etat islamique, n’a cessé de se renforcer dans son territoire d’origine – l’Irak et la Syrie – et d’étendre son influence dans le monde musulman, voire au-delà. Partout ou presque, il progresse, si l’on excepte de très rares revers, à Kobané et à Tal Abyad, au Kurdistan syrien, et dans la région de Tikrit, au nord de Bagdad.
En un an, l’EI a eu le temps d’accroître son emprise dans les territoires qu’il occupe en Syrie et en Irak, en installant un ersatz d’administration dont la tâche première est de contrôler les populations locales et de prélever des taxes pour remplir les caisses de l’organisation. La mise en place d’un système éducatif et l’embrigadement de toute une génération d’enfants constituent le phénomène le plus alarmant : encore trois ans, et une classe d’âge entière qui a grandi entre Damas et Bagdad n’aura rien connu d’autre que la guerre, l’Etat islamique et son idéologie mortifère. Le cœur du Proche-Orient connaîtra alors un destin « à l’afghane », fait de guerres sans fin et de confusion totale entre islam et djihadisme.
Ailleurs, le bilan est tout aussi inquiétant. Présenté, à l’origine, comme un concurrent d’Al-Qaida – en plus violent, plus radical, au recrutement plus large –, l’EI talonne et menace désormais sa grande sœur un peu partout. Dans le monde arabe, des cellules de plus en plus opérationnelles ont émergé – en Arabie saoudite, au Yémen, au Koweït, en Egypte. Au Maghreb, la menace ne cesse de s’étendre – en Libye, mais aussi en Tunisie, menaçant de faire échouer la transition démocratique. L’Algérie se demande quand viendra la prochaine alerte, après l’assassinat d’Hervé Gourdel. Le Maroc vit dans l’expectative.
Surenchère
Au Proche-Orient encore, l’offensive des partisans de l’EI, mercredi 1er juillet, dans le Sinaï, constitue un nouveau défi. Pas seulement pour l’Etat égyptien, mais aussi pour le Hamas palestinien, explicitement visé. Très affaibli après la guerre meurtrière de Gaza en 2014, le Hamas ne peut se permettre un nouvel affrontement avec Israël, laissant ainsi le champ libre à toute surenchère extrémiste. La nouvelle cible de l’Etat islamique est le conflit israélo-palestinien, enfermé dans une impasse suicidaire qui a fini par affaiblir et décrédibiliser même le Hamas, présenté longtemps comme l’épouvantail absolu.
Lire aussi : Dans le Sinaï, escalade guerrière entre l’Egypte et l’Etat islamique
Enfin, des groupes ont prêté allégeance un peu partout dans le monde musulman. Dans le Caucase, un ancien commandant des forces spéciales azerbaïdjanaises, entraîné aux Etats-Unis, a pris la tête de la branche locale de l’EI. C’est aussi le cas en Afghanistan et au Pakistan, où même les talibans se sentent menacés. En Afrique, Boko Haram s’est rallié au drapeau noir de l’EI. Si les offensives récentes ont réduit les capacités du groupe nigérian, sa capacité de nuisance nationale et régionale reste vivace. D’autres suivront. Sans compter les attentats commis en Occident par des « loups solitaires » autoradicalisés, à l’instar de Yassin Salhi, accusé d’avoir décapité un chef d’entreprise dans l’Isère et tenté de faire exploser une usine chimique.
Le constat est cinglant. Partout où les guerres s’enlisent, partout où la politique n’offre aucune perspective aux conflits, l’Etat islamique sait que son heure est venue et en fait, sans hésitation, la démonstration. Les pays de la coalition mise sur pied pour combattre l’EI ne doivent se faire d’illusions ni sur l’ampleur du défi ni sur le temps qu’il faudra pour le relever.
En savoir plus sur http://www.lemonde.fr/idees/article/2015/07/02/l-inexorable-progression-de-l-etat-islamique_4667565_3232.html#dUfAXJuFmWRHJGgp.99
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Eurogrupo, Europa, Grécia,Internacional, referendo
Presidente do Eurogrupo avisa que "Não" deixa Grécia e Europa em "posição muito difícil"
Publicado hoje às 12:06
A três dias do referendo na Grécia, o presidente do Eurogrupo avisa que uma eventual vitória do "não", não vai servir para reforçar a posição de Atenas, nas negociações com os credores internacionais.
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Guilhermina Sousa resume o que pensa o presidente do Eurogrupo sobre os últimos acontecimentos na Grécia
No parlamento da Holanda, Jeroen Dijsselbloem sublinha que, em caso de rejeição das propostas da troika, a Grécia e a Europa ficam numa "posição muito difícil". Isto porque, entende Dijsselbloem, o documento que vai a votos no domingo não tem "qualquer relevância", porque o resgate já terminou, na terça-feira.
Yves Herman/Reuters

Perante os deputados holandeses, o chefe dos ministros das finanças da Zona Euro considerou que, daqui a três dias, os gregos vão mostrar até que ponto querem mesmo ficar no espaço da moeda única. O referendo vai servir para clarificar "se estão, ou não, preparados para aceitar a austeridade necessária" para que isso aconteça. Mas, diz Dijsselbloem, a situação na Grécia "deteriora-se de dia para dia".
Agora que a porta de Bruxelas está fechada para os gregos, o presidente do Eurogrupo revela que "todos os ministros, à excepção da Grécia, estiveram sempre unidos". Dijsselbloem diz que a única voz dissonante foi mesmo a de Atenas; que "todas as discussões" com a Grécia foram "altamente politizadas" e fala mesmo em "perda de tempo".
Na Holanda, onde é também ministro das Finanças, o presidente do Eurogrupo considera que um "sim" no referendo, abre "perspectivas muito mais optimistas" para o recomeçou das negociações. Mas "é difícil ultrapassar diferenças fundamentais" entre a Grécia e a Europa.
Guilhermina Sousa
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crianças, Educação, Guerras e Conflitos, Internacional, Síria,UNICEF
Guerra na Síria está a afastar as crianças da escola
Publicado há 25 mins
A preocupação é manifestada pela UNICEF e pela organização Save The Children. Antes da guerra, 90% dos sírios eram letrados, mas o conflito fez encerrar muitas escolas e são cada vez mais as crianças obrigadas a trabalhar. Ahmed tem 12 anos e diz que se sente responsável pela família.
Laszlo Balogh/REUTERS

As crianças terão sido as mais afetadas pela guerra que dura há mais de 4 anos.
Muitas fugiram para os países vizinhos, outras continuam a ser submetidas a combates, algumas pegaram em armas e são muitas as que tiveram de começar a trabalhar
Já antes da guerra o trabalho infantil era um problema na Síria, mas agora agravou-se de forma inimaginável.
Há crianças recrutadas para os diversos grupos em conflito, outras são alvo de exploração sexual, muitas trabalham no campo ou em empresas nos países em que se refugiaram.
A UNICEF e a Save the Children acreditam que, com a destruição do sector produtivo no país e com muitos dos pais envolvidos nos combates, restam as crianças para trabalhar.
Margarida Serra
Ler Artigo Completo (Pág.1/2)
De Herman Hesse (1877-1962), in O Citador
"A Criança Dentro de Nós
Todas as crianças, enquanto ainda vivem dentro do seu mistério, estão sempre ocupadas nas suas almas com a única coisa que é importante, que são elas próprias e a sua relação enigmática com o mundo à sua volta. Os descobridores e as pessoas sábias voltam a essas ocupações à medida que amadurecem. A maioria das pessoas, no entanto, esquecem-se e deixam para sempre este mundo interior do que é realmente significativo muito cedo nas suas vidas. Como almas perdidas elas vagueiam, durante todas as suas vidas, num labirinto multicolorido de preocupações, desejos e objectivos, mas nenhum deles habita verdadeiramente nos seus íntimos nem os levará ao seu núcleo mais íntimo e à sua casa. "
Hermann Hesse, in 'Iris'
Poema de Elisabeth Bishop (1911-1979), traduzido por um (?) autor brasileiro.In O Pensador
"Uma Arte
Não é tão difícil dominar a arte de perder;
tanta coisa parece preenchida pela intenção de ser perdida
que sua perda não é nenhum desastre.
Perca alguma coisa todo dia. Aceite a novela das chaves perdidas,
a hora desperdiçada, aprender a arte de perder não é nada.
Exercite-se perdendo mais, mais rápido:
lugares, e nomes e... para onde mesmo você ia viajar?
Nenhum desastre...
Perdi o relógio de minha mãe. E olha, minha última e
minha penúltima casas ficaram para trás.
Não é difícil dominar a arte de perder.
Perdi duas cidades, adoráveis. E, mais ainda, alguns domínios,
propriedades, dois rios, um continente.
Sinto sua falta, mas não foi um desastre.
- Até mesmo perder você (a voz gozada, o gesto que
eu amava) eu não posso mentir. É claro que não é tão difícil dominar
a arte de perder apesar de parecer (pode Escrever!) desastre."
Elizabeth Bishop
Olhe para cima: Vénus e Júpiter vão estar tão próximos que parecem colidir
por DN.ptOntem
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Fotografia © Liz West | Via Flickr
Os dois planetas vão permanecer muito próximos no céu noturno durante quatro dias, e podem ser facilmente vistos a olho nu.
Esta semana, um pequeno espetáculo astronómico pode ser observado a olho nu ou com pequenos telescópios básicos no céu do final da tarde. Os planetas Vénus e Júpiter, habitualmente visíveis no céu devido ao seu forte brilho, vão estar muito próximas no dia 1 de julho, quando, a partir das 15.00, vão surgir a menos de meio grau de distância no céu.
Em Portugal continental, a melhor hora para observar o espetáculo são as 22.00, quando os dois vão poder ser vistos a poente, mesmo a olho nu.
O esquema divulgado pelo OAL mostra como vai estar o céu às 22 horas em Lisboa no dia 1 de julho.Fotografia © Observatório Astronómico de Lisboa
O Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) explica, no seu guia para o céu do mês de julho, que o planeta Vénus estará particularmente brilhante no céu. No dia 6 de julho, "estará mais brilhante que o céu azul". O OAL lança o desafio: ver Vénus a olho nu pelas 16.30, com algumas instruções sobre onde o procurar.
Embora os dois planetas estejam muito longe da Terra e a distâncias enormes um do outro, vão surgir próximos no céu. Vénus está a 41 milhões de quilómetros da Terra, mais próximo do Sol, enquanto Júpiter está mais longe do Sol, a 638 milhões de quilómetros de nós. Essa grande diferença nas distâncias faz com que os dois planetas aparentem ser mais ou menos do mesmo tamanho quando vistos a olho nu, quando, na verdade, Júpiter é muito maior.
Maria Luís "põe aquele ar cândido" e pensam "que foi poupadinha"O líder do Partido Socialista recorreu à ironia para comentar o ‘fundo de maneio’ do Estado. Costa aproveitou uma visita à redação do Jornal de Negócios para falar das contas portuguesas e de vários assuntos da atualidade.
DR
POLÍTICA ANTÓNIO COSTAHÁ 29 MINSPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
António Costa já sabe de onde veio o dinheiro que levou Maria Luís Albuquerque a afirmar que Portugal tem os “cofres cheios”. A 'revelação' foi feita à redação do Jornal de Negócios, onde esteve esta quarta-feira.
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“Quando a ministra das Finanças põe aquele ar cândido e diz que temos os cofres cheios, as pessoas pensam que ela foi poupadinha e juntou ali um mealheiro com o que nós pagámos a mais de impostos. Mas não é nada disso”, afirmou o líder do PS, antes de revelar a verdadeira origem dos fundos: “Ela fez uma outra coisa: utilizar e aproveitar a redução da taxa de juro para refinanciar a dívida”.
“Contraiu nova dívida em melhores condições financeiras”, conclui António Costa. O secretário-geral do Partido Socialista aproveitou também para reiterar que “é um erro e um perigo” abdicar da maioria do capital da TAP, antes de avisar que a Altice se prepara para fazer “aquilo que tem feito em todo o sítio onde tem comprado empresas”, ou seja, despedir trabalhadores da Pharol, antiga Portugal Telecom.
Apesar das críticas às privatizações, o ex-presidente da Câmara de Lisboa que não tem “qualquer tipo de preconceito” em relação à origem do investimento estrangeiro, quando questionado sobre os candidatos finais à compra do Novo Banco.
Os rivais políticos não escaparam às ‘farpas’ de António Costa, com Passos Coelho e Paulo Portas a receberem atenção ‘especial’. O líder socialista referiu-se à biografia do primeiro-ministro como “uma peça ridícula e de propaganda”, antes de admitir que conhece “mal” Passos Coelho, “um produtor de monólogos”.
Paulo Portas é para António Costa “a exuberância da insustentável criatividade na vida política, mas com um grande e indiscutível brilho”. Para o antecessor na liderança, a definição é bem mais simples. António José Seguro é definido por António Costa apenas como “o ex-secretário-geral do Partido Socialista”.
O bacalhau “o fiel amigo” - Bacalhau de festas

Ana Margarida Palmeira (Guida)
23.06.15

O bacalhau “o fiel amigo”, faz parte da gastronomia portuguesa pelo menos desde o século XIV, quando a pesca do bacalhau pelos portugueses foi objeto de um acordo entre este Portugal a Inglaterra.

A história da pesca do bacalhau pelos portugueses (a Faina Maior) é pela primeira vez referenciada em 1353, quando D. Pedro I e Edward II de Inglaterra estabelecem um acordo de pesca para pescadores de Lisboa e do Porto poderem pescar o bacalhau nas costas da Inglaterra por 50 anos. A necessidade de estabelecer um acordo indica que esta actividade já se realizava em anos anteriores, e em tal quantidade, que justificava a necessidade de a enquadrar nas relações entre os dois reinos.

Pelo menos desde o século X que os mercadores escandinavos vinham buscar o sal a Portugal, e aí estabeleceram colónias ou feitorias, como indicam as construções ovais, do tipo viking em Pedrinhas, perto de Fão. Do século XI existem registos dos normandos estabelecerem relações amigáveis com as populações do litoral, e terão sido estes a transmitir os conhecimentos da navegação atlântica. Contudo não seria ainda o bacalhau o peixe de eleição no centro de toda esta actividade comercial.
A tripulação era constituída:
Capitão
Piloto
Marinheiros-pescadores
Cozinheiro
1 ou 2 moços
Entre os marinheiros-pescadores, existiam as seguintes divisões:
Escaladores
Salgadores
Pescadores verdes, aqueles que participavam pela primeira vez
O método de pesca adoptado pelos portugueses foi introduzido com a compra dos barcos aos ingleses e manteve-se inalterado até aos anos 70 do século XX.
Este método baseado em pequenos dóris para um homem, de cerca de 4 a 5 m de fora a fora, e que pesavam entre 80 e 100 kg, em que cada homem tinha duas linhas, com um só anzol, e pescava de pé.

Após regressar ao navio com a captura, o peixe era atirado para dentro de umas caixas, as quêtes, com a ajuda de forquilhas, que se chamavam garfos. Daqui passava para o troteiro que o degolava e abria, com uma faca de dois gumes, a trota. Ambas as denominações derivam do inglês troater. Passa para o quebra-cabeças, que lhe retira as vísceras, com uma pancada na espinha, que separa a cabeça definitivamente, empurrando-o para o escalador. Em cada mesa havia um buraco para o qual se atirava o fígado, lêvas ("livers") na giria dos pescadores, que depois de reunidos eram colocados em barricas, ficando a decompor-se, separando assim o óleo dos restantes líquidos, que sendo menos densos ficavam por baixo, abrindo uma torneira que existia no fundo das barricas. Cabia ao escalador dar a forma ao bacalhau que nos habituamos, triangular e plano, usando uma faca de um só gume, após o que o atirava para dentro da selha de lavagem. Este trabalho decorre durante todo o dia, sob os rigores do clima, e do mar, que volta não volta tudo inunda com uma vaga. Com o cair da noite e a recolha dos últimos dóris, sob a luz das lanternas de petróleo, baldeia-se o convés, lançando ao mar os restos, a que os pescadores chamam gueira, que no entanto, vai deixando o cheiro entranhado no navio, que todos menos os pescadores notam e referem. Mas sob a coberta o trabalho contínua, depois de lavado, o bacalhau vai para o porão para ser salgado, e talvez este seja o trabalho mais duro a bordo, com a escotilha quase sempre meia fechada, para proteger o bacalhau da chuva e dos golpes de mar, com pouca luz e o mau cheiro intenso, de gatas sobre o bacalhau que vão empilhando, os salgadores deitam mão cheia de sal atrás de mão cheia sobre o peixe, que passa então a ser "bacalhau verde". A memória da dureza deste trabalho ficou marcada na expressão popular que algumas mães usavam quando queriam ameaçar os filhos: “se continuas assim, mando-te embarcar como salgador”. O frio, o sal, as linhas, em suma toda a dureza do trabalho reflectia-se sobretudo nas mãos. Incham, enrijam-nas, enchem-se de frieiras, que com o tempo rebentam, transformando-se em chagas. Nos dóris o trabalho não permite o uso de luvas, pelo que os pescadores usam umas tiras de couro para proteger as palmas a que chamam néplas. Todas as tarefas passam-se entre as 4 horas da manhã e a meia-noite, sem feriados ou fins-de-semana, e mesmo o tempo de vigia é tirado ao tempo de descanso.

O bacalhau possui um estatuto único na cozinha portuguesa, pois é ao mesmo tempo um alimento muito frequente no seu receituário do dia a dia ou em festas e um símbolo da própria identidade nacional.

Em 1884, numa carta endereçada ao seu amigo Oliveira Martins, Eça de Queiroz escreveu: “Os meus romances no fundo são franceses, como eu sou em quase tudo um francês – exceto num certo fundo sincero de tristeza lírica, que é uma característica portuguesa, num gosto depravado pelo fadinho, e no justo amor do bacalhau de cebolada” (Queiroz 2008: 331).

O consumo de peixe, em Portugal como nas outras sociedades europeias, está associado a motivações de ordem religiosa. O cristianismo impunha, como penitência, jejuns e a abstinência da carne e das gorduras animais numa boa parte do ano, o que tornava obrigatório o recurso ao peixe para escapar a uma alimentação inteiramente vegetal. As zonas costeiras eram abastecidas por peixe fresco, o que não sucedia nas zonas interiores – onde algum ainda chegava às escassas elites –, apesar de se recorrer ao peixe de água doce. Havia que o importar, como sucedia com a sardinha, abundante em toda a costa, mais acessível e transportada salgada, mas que não chegava para as necessidades da procura.

Há que ver, também, que o bacalhau, uma vez curado adequadamente, teria uma maior capacidade de conservação. Outros pequenos peixes, como o carapau, seco pelos pescadores, e mesmo outros maiores – como a pescada ou o polvo secos, ou o atum de barrica, oriundo do Algarve – também não tiveram uma difusão comparável à escala do país. O bacalhau tornou-se uma mercadoria importante, muitos séculos antes de a ciência moderna o valorizar como alimento excecional devido à sua carne branca e firme, quase isenta de gordura, que quando seca é um concentrado de proteínas: perto de 80%.
Além disso, há um grande aproveitamento do seu corpo: das cabeças e da língua (em salmoura), dos sames – ou samos, a bexiga-natatória – e do fígado, fonte de óleo saudável e de pequenos traumas infantis ligados à sua ingestão compulsiva.
Ao longo de séculos, o bacalhau transformou-se de simples género alimentar em símbolo da identidade portuguesa, de comida socialmente conotada com situações de abstinência e mesmo própria de pobres, em alimento caro e prestigiado no campo gastronómico.

Os bacalhaus salgados e secos são muito importantes na alimentação atual em Portugal, pois os portugueses são o seu primeiro consumidor mundial. Já o são há muito. Antes da Segunda Guerra Mundial, o consumo médio anual era de 7 kg por habitante; entre 1946 e 1967 de 8,8 kg per capita. Dados comparativos relativos a outros grandes consumidores revelam a distância que os separa do consumo português.

Receita de Bacalhau de festa
500 g de lombos de bacalhau demolhado
Leite
6 dentes de alho
1 folha de louro
400 g de camarão 20/30
água
6 a 8 batatas doces médias
margarina
300 g de cogumelos Portobello
Sal
Pimenta de moinho
50 g de farinha
200 g de miolo de broa salsa
100 g de espinafres em folha
100 g de tomate-cereja
Coloque os lombos de bacalhau num tacho, junte 2 dentes de alho esborrachados e a folha de louro. Cubra com leite e leve a ferver em lume brando durante cerca de 8 minutos.
Ao mesmo tempo ferva o camarão em água temperada com sal durante 2 minutos. Escorra o camarão e passe-o por água fria. Retire as cabeças e as carapaças, deixando-lhe os rabinhos e reserve.
Escorra o bacalhau e junte as cabeças dos camarões ao leite onde o cozeu e deixe ferver mais 5 minutos. Limpe o bacalhau de peles e espinhas, desfaça-o em lascas grandes e reserve.
Retire a folha de louro e triture muito bem as cabeças dos camarões com a varinha mágica. Coe o caldo obtido através de um passador de rede fina e reserve.
Lave as batatas-doces, descasque-as e corte em dados pequenos. Deite cerca de 50 g de margarina num tacho, deixe aquecer bem e junte as batatas. Salpique com sal e salteie entre 5 e 10 minutos.
Limpe os cogumelos com papel de cozinha, corte-os em quartos e adicione às batatas. Mexa e deixe cozinhar tapado até as batatas estarem tenras.
Entretanto leve ao lume noutro tacho mais 50 g de margarina, junte a farinha e mexa até obter uma pasta. Adicione cerca de 5 dl do caldo reservado e deixe engrossar mexendo frequentemente com uma vara de arames. Tempere com sal e pimenta moída na altura.
Triture a broa com os restantes dentes de alho e um punhado de salsa no robot de cozinha.
Regule o forno para os 180ºC com o grill ligado.
Espalhe a mistura de batatas e cogumelos sobre um tabuleiro de louça, por cima espalhe os espinafres, o tomate-cereja cortado ao meio e as lascas de bacalhau. Cubra com o molho preparado e por cima disponha os camarões e a mistura de broa.
Leve ao forno durante cerca de 10 minutos.
Sugestão:
Prepare este prato em copos ou taça de vidro que possam ir ao forno e sirva em doses individuais.