U.S. and Cuba to announce embassy openings
By Jim Acosta, Elise Labott and Kevin Liptak, CNN
Updated 1621 GMT (2321 HKT) July 1, 2015| Video Source: CNN

How do new U.S.-Cuba relations impact you?

Politicians on the U.S.-Cuba relationship

Bridging Cuba's wealth gap

Cubans optimistic about 2015

What led up to America's deal with Cuba?

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Grab your bags, get ready for Cuba!

Cuba opening Internet to citizens

Many Cubans welcome closer ties with U.S.

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Obama: U.S. flag will fly in Havana once more

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Castro's surprising words about Obama

Obama: Conversation with Castro 'candid and fruitful'

Obama, Castro hold sit-down meeting

Historic handshake: Obama, Castro meet, greet

Will U.S. take Cuba off terror sponsor list?

No U.S. embassy in Cuba ... yet

American fugitive in Cuba wants to return to the U.S.

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American fugitive in Cuba wants to return to the U.S.
Washington (CNN)The United States and Cuba on Wednesday plan to officially seal the renewal of diplomatic ties begun last year, announcing the reopening of embassies in Washington and Havana for the first time in more than half-a-century, two senior administration officials told CNN on Tuesday.
"We will formally announce tomorrow that the United States and Cuba have reached an agreement to re-establish formal diplomatic relations and open embassies in each other's capitals," one senior U.S. administration official said. "We expect President Obama and Secretary Kerry to address this publicly tomorrow morning."
9 questions you wanted to ask about the embargo

The re-establishing of embassies is a final step in the fulldiplomatic thaw President Barack Obama initiated in December. Since then, the United States has loosened some travel restrictions to Cuba and allowed for some new economic ties.
In April, Obama met with Raul Castro during a summit meeting in Panama, the first time the leaders of Cuba and the United States had met in more than 50 years.
Ferries set to run between U.S. and Cuba
The United States officially removed Cuba from its list of state sponsors of terror earlier in June, eliminating a remaining stumbling block in the diplomatic renewal.
In Havana, the American embassy will likely occupy the same building where the Interests Section currently operates, White House aides have said. That's the same structure, situated on the Havana waterfront, which housed the American embassy prior to the severing of diplomatic ties after the Cuban Revolution in the 1950s.
Report: Sinai attacks kill 20 Egyptian soldiers; ISIS claims responsibility
By Don Melvin, CNN
Updated 1630 GMT (2330 HKT) July 1, 2015

Smoke rises after a blast on Egypt's Sinai Peninsula, as seen from the Israel-Egypt border Wednesday. ISIS claimed responsibility for five coordinated attacks Wednesday on Sinai military checkpoints.
Story highlights
The attacks at five military checkpoints show the expanding reach of ISIS
Seventy terrorists attacked the checkpoints, an Egyptian military official says
At least 20 Egyptian security force personnel have been killed, state-run media reports
Cairo (CNN)In a dramatic demonstration of its expanding reach, ISIS apparently launched simultaneous attacks Wednesday on five Egyptian military checkpoints, killing 20 Egyptian soldiers and injuring 30 others.
At last report, clashes on the Sinai Peninsula were continuing. A spokesman for the Egyptian military said 22 terrorists had been killed.
ISIS -- the Islamic State in Iraq and Syria -- was known until not long ago exclusively for its activities in those two countries.
But it has claimed responsibility in the last week for a drumbeat of attacks in a range of countries: the deadly bombing of a mosque in Kuwait last Friday, the horrific beachfront killings in Tunisia the same day, and now five coordinated military attacks in Egypt.
A deadly claim on Twitter
ISIS claimed responsibility for Wednesday's attacks in statements posted on Twitter.
The toll of those attacks -- 20 soldiers killed and 30 others injured -- was reported by Egypt's state-run Al-Ahram online media outlet.

Map: Sinai Peninsula
EXPAND IMAGE
A spokesman for the Egyptian military, Mohammed Samir Abdelaziz Ghaneem, said the clashes between ISIS and Egyptian soldiers were continuing. Egyptian military forces were continuing to chase the terrorists, he said.
Ghaneem posted on his Facebook page: "70 terrorists attacked 5 checkpoints simultaneously in North Sinai."
The Sinai borders the Mediterranean Sea to the north and Israel to the east. It is the only part of Egypt that lies in Asia rather than Africa.
The toll: 38 dead in Tunisia, at least 27 in Kuwait
Last Friday, a gunman with apparent ties to ISIS roamed a Tunisian beachfront, shooting 38 people to death and leaving others wounded. Police shot and killed the gunman.
And in Kuwait that same day, a bomber also apparently linked to ISIS blew himself up inside a mosque during Friday prayers, killing at least 27 people.
ISIS' expanding reach is worrying officials concerned about keeping their populations safe. The interior ministers of Germany, Britain and France traveled to Tunisia this week to meet with that country's interior minister.
They pledged continued work on finding ways to thwart attacks and, in the words of British Home Secretary Theresa May, "to fight against this perverted ideology that is causing this death and destruction."
CNN's Sarah Sirgany and Salim Essaid contributed to this report.
O lapso de Cavaco Silva
01/07/2015 por Autor Convidado 4 Comentários
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Laura Santos
“Nós devemos dar graças a Deus por termos a rede de instituições de solidariedade social que temos em Portugal“.
No dia 29 de Abril deste ano, Cavaco Silva agraciou várias instituições e individualidades ligadas ao exercício da Solidariedade Social. Na curta intervenção efectuada na altura, ressaltou que, nos últimos anos, tinham conseguido “atenuar o sofrimento de milhares de portugueses que foram atingidos pela crise económica e financeira”.
Até aqui, nada a objectar. O problema, a meu ver, surge quando Cavaco Silva afirma que “Nós devemos dar graças a Deus por termos a rede de instituições de solidariedade social que temos em Portugal”, frase a que alguns canais televisivos deram destaque.
No nosso país, há felizmente separação entre o Estado e as diversas religiões ou comunidades religiosas, como é dito no ponto 4 do Artigo 41.º da Constituição. Que Cavaco Silva, como simples cidadão crente e católico, queira dar graças ao seu Deus pela existência das instituições de solidariedade social, é algo que pertence ao foro da sua liberdade pessoal. O problema é que Cavaco Silva é Presidente de uma República não confessional e proferiu essa afirmação no âmbito do exercício do seu cargo, como se todos os portugueses devessem dar essas “graças” a que aludiu.
Esta é uma linguagem que não se compagina com a dita separação entre religião e Estado, nem com a mesma separação existente nos países mais próximos do nosso (neste aspecto, o Reino Unido tem obviamente características particulares e, fora da Europa, os EUA também). Julgo que até um católico se deveria sentir desconfortável com essa linguagem, pois fere a isenção religiosa do Estado.
No domínio da política, ou seja, no domínio do governo da polis, ninguém pode ser valorizado ou desvalorizado pelas crenças religiosas que tem, mas pelo trabalho efectivo que desenvolve em favor de uma melhor vida em comum.
Aliás, julgo perigoso que, neste contexto da solidariedade social, se vinque demasiado o aspecto religioso das instituições
que para ela contribuem. Vem-me à memória a carrinha de uma instituição particular de solidariedade social que, numa pequena vila, fazia o bom trabalho de recolher as crianças para as levar para a “escola primária”, mas que, para isso, não batia às campainhas das casas nem instruía os pais para terem as crianças à porta a determinada hora, mas que percorria as diversas ruas a buzinar, manhã bem cedo, não só contra as regras do código da estrada, mas sem ter em conta quem não precisava de acordar a horas tão matutinas, porque trabalhara até tarde, porque estava doente, ou simplesmente porque queria dormir mais, sem precisar de se explicar diante de um juiz. Perante as reclamações, a instituição irritou-se e justificou as «buzinadelas» com o trabalho meritório que fazia com as crianças. Só quando o propietário de algumas casas alugadas viu o incómodo que os apitos repetidos causavam em vários inquilinos e, temendo perder o aluguer, usou a sua influência para pôr cobro à situação, os condutores da carrinha passaram a não buzinar. É fácil justificar o mal com o bem. Fácil e perigoso. Quando muitas instituições de solidariedade social são ligadas à Igreja Católica, maioritária em Portugal, há também o perigo de excluir quem não pertence ao “rebanho”, por não frequentar a Igreja ou ter convicções que a Igreja não aprova. Mais ainda, é a própria Igreja que, sentindo a importância de que se reveste num período de crise, mais facilmente pode ceder à tentação do desrespeito pelos que não partilham a sua crença ou pelos que a vivem de um modo considerado menos “ortodoxo”. Refira-se, por ex., as missas e os terços transmitidos por altifalante para fora dos templos, algo que decerto não acontece em Lisboa, mas acontece noutros pontos do país. Cristo resistiu às tentações do deserto. Não esperemos, sem mais, que quem diz segui-lo manifeste a mesma resistência.
Professora Aposentada da UMinho (laura.laura@mail.telepac.pt) inPúblico 18-05-2015
Estado Islâmico decapita duas mulheres acusadas de feitiçaria
PÚBLICO
30/06/2015 - 18:35
Foi a primeira vez que o grupo terrorista decapitou mulheres civis em público. Os seus maridos tiveram o mesmo destino, tendo as quatro pessoas sido julgadas por “procurar remédios” através de “magia”
Não é a primeira vez que o Estado Islâmico decapita mulheres JONATHAN ERNST /REUTERS
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TÓPICOS
Médio Oriente
Síria
Direitos humanos
Estado Islâmico
Quatro pessoas foram decapitadas, nos últimos dois dias, na Síria, por membros do grupo terrorista autodenominado Estado Islâmico. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) informou, esta terça-feira, que duas mulheres e os seus respectivos maridos foram condenados à morte por decapitação, acusados de “procurar e utilizar remédios para a saúde”, através de actos “feitiçaria e magia”.
“É a primeira vez que a decapitação de mulheres em público, pelo uso da espada, tem lugar na Síria”, disse à Al-Jazeera Rami Abdel Rahman, director do OSDH, organização com sede no Reino Unido e que se dedica à monotorização dos direitos humanos no território sírio. As decapitações aconteceram na cidade de Mayadin, situada na província síria de Deir Ezzor, onde um dos casais foi condenado à morte no domingo, desta forma, e o outro na segunda-feira.
A televisão britânica BBC e a Al-Jazeera noticiaram que não é a primeira vez que o Estado Islâmico decapita mulheres, uma vez que, no ano passado, se verificaram algumas execuções deste tipo de mulheres curdas combatentes. De qualquer forma, as decapitações destas duas mulheres, reportadas pelo OSDH, são os primeiros casos civis tornados públicos.
Segundo o OSDH, as quatro pessoas foram acusadas pelos membros do Estado Islâmico de “procurar e utilizar remédios para a saúde, através de feitiçaria e magia”. A condenação de pessoas sob acusação de feitiçaria, não é um exclusivo do Estado Islâmico, esclarece a BBC. “As autoridades da Arábia Saudita também já condenaram homens e mulheres por acusações semelhantes”, refere a notícia publicada pela estação pública britânica.
O OSDH informou ainda a agência AFP que tinha tido acesso a um vídeo que mostrava um “carrasco, mascarado (…) a proclamar uma oração, antes de decapitar, com um só golpe, um casal ajoelhado”.
CRÓNICA DE JOGO
O título fugiu apesar de Portugal terminar o Europeu sem derrotas
TIAGO PIMENTEL
30/06/2015 - 22:29
(actualizado às 23:38)
A final diante da Suécia acabou sem golos após os 90’ regulamentares e o prolongamento. O sonho da selecção sub-21 portuguesa caiu por terra no desempate por grandes penalidades.
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TÓPICOS
Futebol internacional
Futebol
Selecção de Sub-21
A caminhada de Portugal no Campeonato da Europa de sub-21 terminou sem derrotas no tempo regulamentar, mas terminou também sem o título. Na final, diante da Suécia, o marcador não chegou a funcionar e as grandes penalidades desempataram o encontro a favor dos nórdicos (4-3), que assim conquistaram o título de estreia em selecções jovens. Para Portugal, o sonho voltou a ser adiado, novamente com laivos de crueldade — em 1994 perdeu para a Itália no prolongamento, com um “golo de ouro”, e agora, em Praga, caiu nos penáltis. A equipa de Rui Jorge começou bem, dominou durante largos períodos da partida e teve a sobrevivência nos pés de William Carvalho, mas o remate foi travado pelo guarda-redes sueco. O título voltou a fugir.
O sonho comandava o destino da selecção sub-21 portuguesa, que chegou à final sem derrotas. O percurso irrepreensível começou durante a qualificação e continuou na fase final, culminando num expressivo triunfo sobre a poderosa Alemanha na meia-final (5-0) que colocou o favoritismo do lado português no encontro decisivo. Mas a equipa nacional acordou desse sonho de forma dolorosa, superada nas grandes penalidades pela frieza sueca — apenas duas semanas depois de a formação sub-20 ter sido afastada pelo Brasil, também nos penáltis, nos quartos-de-final do Mundial. Para a equipa de Rui Jorge sobra, como consolação, a qualificação para os Jogos Olímpicos (colocando um ponto final a 12 anos de ausência) e um percurso notável ao longo da competição.

Pela primeira vez desde 2002, o Europeu sub-21 foi decidido nas grandes penalidades. Mas, até lá, Portugal e Suécia travaram uma batalha de nervos, no estádio onde a selecção nacional tinha sofrido a última derrota (em Março, num jogo particular contra a República Checa). A preponderância foi inicialmente da equipa portuguesa, que esteve muito perto de marcar logo aos sete minutos: num livre a castigar falta sobre William Carvalho, Sérgio Oliveira acertou em cheio na trave.
POSITIVO/NEGATIVO
Paulo Oliveira e Tiago Ilori
José Sá foi uma das figuras do Europeu sub-21, mas é justo reconhecer que teve à sua frente uma dupla quase intransponível. Os dois centrais foram um seguro de vida para a baliza portuguesa na hora de maior aperto. Não foi por ali que o título voltou a fugir.
João Mário
Incansável até ao último instante, não perdeu a lucidez nas grandes penalidades.
Portugueses nos penáltis
Dos cinco chamados a marcar só dois não tremeram. Tozé acertou na trave (mas a bola entrou) e depois Ricardo Esgaio e William Carvalho falharam.
Saída de Sérgio Oliveira
Até pode ter sido coincidência, mas a equipa portuguesa começou a desmoronar-se com a saída do capitão, aos 54’.
A formação orientada por Rui Jorge surgiu sem novidades no “onze” — a única alteração foi o regresso de Tiago Ilori à titularidade no centro da defesa, ao lado de Paulo Oliveira, recambiando Tobias Figueiredo para o banco de suplentes — e começou a monopolizar a bola e a dominar os acontecimentos. Mas sentia dificuldades em entrar na área sueca, porque os lances aéreos não faziam mossa nos defesas nórdicos, que foram uma autêntica parede de gelo. Hakan Ericson, o seleccionador sueco, tinha prometido uma equipa muito compacta e o sector recuado nunca se descompôs.
Numa das raras oportunidades para Portugal atirar à baliza sueca (38’), João Mário surgiu em excelente posição mas viu o remate ser interceptado por Milosevic. A estratégia sueca era evidente: conceder a iniciativa a Portugal e esperar. A equipa nacional terminou o primeiro tempo com 61% de posse de bola e 267 passes completados (contra 105 da Suécia), mas após largos períodos de pressão intensa sobre o adversário, começou a ficar mais exposta. Até sensivelmente 15 minutos do final do tempo regulamentar, Portugal não deixou a Suécia respirar.
Mas, subitamente, os escandinavos despertaram. Cada minuto pesava como chumbo aos jogadores portugueses, cujo desgaste após uma longa temporada de futebol era evidente. A Suécia melhorou na partida e levava cada vez mais perigo à baliza de José Sá, mas Guidetti e Kiese Thelin não foram capazes de desfazer a igualdade.
O prolongamento foi o derradeiro sacrifício para a selecção portuguesa, que jogava de forma lenta e previsível, orientada por um instinto de sobrevivência que a impelia a ficar perto da área defensiva. Ao mesmo tempo, os suecos como que cresciam e tornavam-se mais velozes. A melhor oportunidade do tempo extra pertenceu a Khalili, cujo remate passou rente ao poste da baliza e fora do alcance de José Sá (95’).
Tudo seria decidido nas grandes penalidades. E aí, com excepção de Khalili (que atirou fraco, para as mãos de José Sá), os suecos foram muito mais assertivos do que os portugueses: Guidetti, Kiese Thelin, Augustinsson e Lindelöf marcaram de forma irrepreensível, sem hipóteses de defesa. A equipa de Rui Jorge começou a vacilar ao segundo pontapé, quando Tozé acertou na trave mas viu a bola ressaltar dentro da baliza e depois sair. Ricardo Esgaio falhou, depois João Mário manteve Portugal agarrado ao sonho mas no penálti decisivo William Carvalho não foi capaz de bater Carlgren.
A Suécia celebrou o título de campeã da Europa de sub-21, sucedendo à Espanha. E Portugal, 21 anos depois, voltou a ver fugir o troféu europeu sub-21. Mesmo que tenha caído sem sofrer derrotas.
Poema de Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), in O Citador
Além-Tédio
Nada me expira já, nada me vive -
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.
Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.
Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.
Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A propria maravilha tinha côr!
Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tedio.
E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...
Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'
O pensamento de Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), in Pesquisa Net
"A Impossibilidade de Renunciar
Eu decido correr a uma provável desilusão: e uma manhã recebo na alma mais uma vergastada - prova real dessa desilusão. Era o momento de recuar. Mas eu não recuo. Sei já, positivamente sei, que só há ruínas no termo do beco, e continuo a correr para ele até que os braços se me partem de encontro ao muro espesso do beco sem saída. E você não imagina, meu querido Fernando, aonde me tem conduzido esta maneira de ser!... Há na minha vida um bem lamentável episódio que só se explica assim. Aqueles que o conhecem, no momento em que o vivi, chamaram-lhe loucura e disparate inexplicável. Mas não era, não era. É que eu, se começo a beber um copo de fel, hei-de forçosamente bebê-lo até ao fim. Porque - coisa estranha! - sofro menos esgotando-o até à última gota, do que lançando-o apenas encetado. Eu sou daqueles que vão até ao fim. Esta impossibilidade de renúncia, eu acho-a bela artisticamente, hei-de mesmo tratá-la num dos meus contos, mas na vida é uma triste coisa. Os actos da minha existência íntima, um deles quase trágico, são resultantes directos desse triste fardo. E, coisas que parecem inexplicáveis, explicam-se assim. Mas ninguém as compreende. Ou tão raros... "
Mário de Sá-Carneiro, in "Cartas a Fernando Pessoa"
"É inevitável Portugal sair do Euro" afirma antigo director do FMI
● PG ● ● 22:40
"O euro tem os dias contados" e Portugal devia ser dos primeiros países a terminar com a "tentativa fútil de permanecer na moeda única", afirma Desmond Lachman, antigo director adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), numa entrevista exclusiva ao Expresso.

Porque é que Portugal deve abandonar o euro?
É inevitável. Portugal não vai conseguir aguentar a políticas do FMI sem grandes cortes da despesa e sem deixar o euro. Esse será o fim. A minha pergunta é: se este será o fim, porquê esperar dois anos, que se avizinham de recessão, quando já sabemos que a saída do euro é fatal? Não sugiro que o default (incumprimento do pagamento da dívida) ou a saída do euro seja uma opção fácil ou que não vai provocar dor, mas apesar de tudo e preferível fazê-lo agora do que perder dois anos. Quando olho para os números de Portugal não percebo como é que o país irá conseguir ao mesmo tempo pagar a divida e aguentar um programa de austeridade imposto pelo FMI, que resultará em recessão profunda e ao mesmo tempo em deflação, o que irá piorar tudo, aumentando o problema da dívida pública.
É mais pessimista em relação a Portugal do que em relação à Grécia?
Sim. São países com problemas diferentes, mas o que me preocupa em relação a Portugal é a sua fraqueza extrema no lado externo. Portugal tem uma dívida externa superior à grega (por percentagem do PIB). Se incluirmos o sector privado, o país deve ao exterior o equivalente a 230% do PIB. É brutal! E ainda temos o problema do défice orçamental, que não anda longe 10%. Portugal tem fraquezas enormes e eu não percebo como e que vai lidar com elas mantendo-se no euro e sem poder desvalorizar a moeda.
Mas aparentemente isso não vai acontecer visto que o novo governo, tal como o anterior, não pensa numa solução dessas.
Isto tudo não tem a ver com o que eles querem, mas com a realidade que irá acabar por se impor. Nesta altura, parece-me evidente que a Grécia não vai ficar conseguir cumprir com o pagamento da dívida e consequente saída do Euro. E se a Grécia falha não há forma de Portugal sobreviver às pressões dos mercados
O Nobel da economia Milton Friedman disse em 1999 que o euro não resistiria à primeira recessão. Acha que ele estava certo?
Nem alguém tão pessimista como Friedman acharia um dia que os desequilíbrios orçamentais chegassem a este ponto, muito além do que se esperava. Para os corrigir só saindo do euro, caso contrário podem ficar mas aí terão um futuro estilo Letónia onde os programas de austeridade sucessivos levaram a quedas de produtividade de 26% e a um aumento do desemprego até aos 26%. Se é isso que querem....
De quem é a culpa da actual situação?
Temos de perceber uma coisa, há uma grande diferença entre o que é do interesse da Alemanha e da França e o que é do interesse de Portugal, Espanha ou Grécia. Os primeiros querem este tipo de políticas, porque querem evitar o default dos parceiros do sul, visto que o seu interesse é a protecção do seu sistema bancário. Eles sabem que se estes países falharem eles terão uma crise do sistema bancário. Eles querem por isso que Portugal, Grécia ou Espanha fiquem no sistema, algo que penso não ser do interesse desses países. Quantos às culpas, há muitas para distribuir. Na verdade, o que quero dizer é que isto é uma desgraça! Primeiro os governos dos países que conduziram políticas irresponsáveis durante tanto tempo, segundo a Comissão Europeia por não ter percebido o problema e pela sua fraca capacidade de análise, pensando que se os países periféricos arrastassem défices durante anos a fio nada aconteceria, isso foi um erro enorme. E claro o mercado. O que é que os bancos estavam a pensar quando emprestaram dinheiro a estes países a taxas de juro baixíssimas quando se percebia que eles estavam a arrastara-se para ums situação de insolvência? O que devia ter acontecido é que deviam ter subido as taxas de juro muito mais cedo e assim estes países não tinham ficado nesta situação. Por fim, o FMI, que nem sequer cheirou a crise a chegar.
Se Portugal e Grécia saírem do Euro e o futuro da moeda única ficar em risco, quais as consequências disso para a economia mundial?
Enormes! E não estamos muito longe desse momento. O que se passa é que Portugal, Irlanda e Grécia são economias relativamente pequenas e a União pode aguentar o seu colapso, mas o mesmo não se pode dizer de Itália ou Espanha. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) tem 440 mil milhões e 250 foram gastos com Grécia e Portugal. Por isso, já não há dinheiro para socorrer Espanha ou Itália. A não ser que a Alemanha queira aumentar esse fundo para 1,5 ou 2 biliões.
Portugal deve abandonar o euro?
SIMNAONÃO SEI
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Com a crise em marcha em vários países (Portugal, Irlanda, Grécia), e adivinhando-se mais problemas em Itália e Espanha, o que é que devia ser feito?
Só há uma alternativa: se a Alemanha e a França querem salvar o projecto europeu terão de injectar muito dinheiro. Eles têm de estar preparados para gastar muito dinheiro durante muitos anos. O Banco Central Europeu alertou que se a Grécia entrar em default (incumprimento) teremos uma enorme crise do sistema bancário na Europa, isto porque sabem que se a Grécia falhar, Portugal e Irlanda irão a seguir e depois a pressão sobre a Espanha e Itália será enorme. Estamos a falar de uma crise muito pior do que aquela que se seguiu à falência da Lehman em 2008/2009.
Mas o euro ainda tem os seus adeptos.
Seria muito agradável continuar a haver euro, mas não é possível. A partir do momento em que se criaram enormes desequilíbrios orçamentais todos sabem que eles não podem ser corrigidos dentro do euro. expresso2011