terça-feira, 7 de abril de 2015

As Perseguições de que ninguém fala...Artigo de José Manuel Fernandes


Macroscópio

Por José Manuel Fernandes, Publisher

Boa noite!



O Macroscópio de hoje não tem um só tema, tem dois. Procurarei ser sintético, mas os acontecimentos dos últimos dias, mesmo não sendo surpreendentes, suscitam reflexões importantes.

Vou começar pela Páscoa. Não para recordar a forma como foi celebrada, mas para chamar a atenção para algumas peças jornalísticas muito interessantes.

A primeira é um ensaio do Wall Street Journal sobre o Papa Francisco, Pope Francis and the New Rome. Escrito por Francis X. Rocca, um repórter que segue regularmente as novidades do Vaticano, o texto defende a ideia de que “The most radical part of Francis’ papacy is his embrace of the liberalizing principles of Vatican II—from poverty and sexual ethics to church governance.” É difícil sintetizar numa só passagem as ideias do autor deste ensaio, mas esta reforça, e em parte explica, o seu ponto central:
Pope Francis, the first pontiff to have received holy orders after Vatican II, is very much a son of the council. It took place during his years of study in the Jesuit order in Argentina—he was ordained just four years after it ended—and he enthusiastically followed the proceedings in Rome. On the eve of the 2013 conclave that elected him pope, then-Cardinal Bergoglio identified the main threat to the church: not the encroachment of secular culture but a tendency among Catholics themselves, especially within church institutions, to retreat into ghettos of their own making. The risk, he said, was of “theological narcissism.”

Francisco, recorde-se, foi eleito Papa a 13 de Março de 2013, pelo que a passagem do segundo aniversário do seu pontificado e a análise do que ele trouxe de novo foi também o tema do último Conversas à Quinta, o programa semanal do Observador com Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto. Em Dois anos depois, para onde vai o Papa Francisco? É um programa em que, com a inteligência e a cultura que os caracterizam, vão mostrando como a Igreja Católica nunca deixou de evoluir ao longo das últimas décadas mesmo tendo contado com Papas de estilos muito diferentes (Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco). É muito interessante e também pode ser ouvido em podcast.

Termino este primeiro bloco com um texto mais controverso de um jornalista também muito controverso – o correspondente no Médio Oriente do diário britânico The Independent, Robert Fisk – que se debruça sobre os dias difíceis que vivem os cristãos naquela região: The Christian tragedy in the Middle East did not begin with Isis. Na semana em que ocorreu o massacre de 148 estudantes, a maioria cristãos, na Universidade de Garissa, no Quénia, na semana em que o Papa Francisco aproveitou as celebrações da Páscoa para lembrar as perseguições e massacres – “Hoje vemos os nossos irmãos perseguidos, decapitados e crucificados na sua fé em Ti, os nossos olhos são frequentemente cúmplices com o nosso silêncio” –, Fisk lembra dramas mais antigos e destaca a importância de nos recordarmos do genocídio dos arménios às mãos dos otomanos, um genocídio ocorrido há exactamente 100 anos:
But the Christian tragedy in the Middle East today needs to be re-thought – as it will be, of course, when Armenians around the world commemorate the 100th anniversary of the genocide of their people by Ottoman Turkey. Perhaps it is time that we acknowledge not only this act of genocide but come to regard it not as just the murder of a minority within the Ottoman Empire, but specifically a Christian minority, killed because they were Armenian but also because they were Christian (many of whom, unfortunately, rather liked the Orthodox, anti-Ottoman Tsar).

(Nota importante: leiam, de puderem – é reservado a assinantes – o texto de Henrique Monteiro no Expresso Diário de ontem,Garissa, os cristãos e a honestidade intelectual da Europa. Extracto: “Ninguém, no geral, é perseguido em países de maioria cristã. No entanto, os cristãos são perseguidos em quase todos os países onde constituem uma minoria. E são-no sem um protesto audível e claro dos líderes políticos de países poderosos – como os EUA, a França, o Reino Unido, a Alemanha, a Itália, etc. – em que a maioria da sua população é, justamente, cristã. Os mesmos líderes que “desviam o olhar para o outro lado”, como referiu o Papa Francisco, são os que pedem (e bem) que a Igreja se afaste dos assuntos mundanos; que a Igreja se desculpe pelos excessos passados.”)

Mudo agora de tema e passo à crise grega, que parece ter entrado agora numa nova fase, até porque Tsipras vai estar amanhã reunido com Putin, o que está a deixar a Europa à beira de um ataque de nervos. Vou começar as minhas sugestões pela entrevista que o Observador fez a Manos Matsaganis, um economistas grego de esquerda que actualmente lecciona em Harvard mas que está aterrorizado com o que se está a passar no seu país: “Estratégia do governo grego tem sido ridícula”. Eis o retrato que faz do que se está a passar no seu país: “Quando as eleições antecipadas foram marcadas, a economia grega estava a recuperar um pouco, ainda que não se possa dizer que estivesse em crescimento robusto. Mas, pelo menos, tinha-se terminado a recessão. Agora, voltámos aonde estávamos há três anos, com a economia em recessão profunda, desemprego em alta, bancos completamente sem liquidez, crédito empresarial inexistente, investimento externo congelou e as receitas fiscais estão a cair. Já não existe qualquer superávit primário, foi-se. Nem o governo nega isso, que o cenário está mais negro do que se previa.”

Há neste momento, no que respeita à Grécia, uma espécie de corrida contra o tempo, pois o dinheiro nos cofres de Atenas está a esgotar-se (para quem quiser ter uma ideia de como isso está a suceder recomendo esta pequena e bem apresentada síntese do Wall Street Journal, When Will Greece Run Out of Money?: para uma explicação mais detalhada, há um bom artigo no EUObserver,Greece's cash-flow crisis). E não parece possível que o governo grego possa resolver o problema pedindo apenas ajuda a Putin, como explicava hoje Wolfgang Münchau no Financial Times:Tsipras will not find salvation in Moscow. Breve passagem do seu argumento:
Consider the political dynamics within the EU and in the European Council of heads of government in particular. Yes, Athens has a veto on the renewal of sanctions. But it is also a recipient of EU funds. From that perspective, a totally confrontational attitude would backfire financially. Do you really think the EU would continue to pay subsidies to Greece if Athens were to exit the eurozone and tie up with Russia? So what should Mr Tsipras talk to Mr Putin about? My advice would be to stick to the weather and sports, and then quickly return home and work on a coherent economic strategy — one that does not rely on Russia.

Mas claro que as opções que se colocam a Tsipras são cada vez mais escassas, o que vem bem explicado num artigo de Hugo Dixon, Editor-at-Large da Reuters, que encontrei no jornal grego Ekathimerini: Tsipras needs rupture with far-left, not Brussels. É um texto onde se explica como o primeiro-ministro grego pode ter tantos problemas em casa, e junto dos seus parlamentares, como quando se desloca a Bruxelas. É que, se conseguir chegar a algum acordo com os credores, “they are likely to require him not just to make promises but to start implementing them before they release any more cash. This is where the prime minister will run into a confrontation with his far-left faction, which accounts for around 30 to 40 of his 149 members of parliament. They will accuse him of selling out, and may well vote against the laws needed to implement a deal with his creditors.”

A terminar um artigo muito interessante do El Pais, não sobre a Grécia, mas sobre como têm surgido e crescido os novos partidos radicais que já mudaram a paisagem política grega e podem vir a repetir o feito noutros países. Os repórteres do diário espanhol foram ver como o Podemos medrou numa incubadora muito especial: o campus da faculdade de Ciências Políticas da Universidade Complutense. Ou seja, nos gabinetes e nas salas de aula de alguns dos seus principais dirigentes, como Pablo Iglesias. Em El laboratorio de Podemos en la Universidad Complutensedão-se exemplos de como um território que devia ser de debate inclusivo e aberto a todas as ideias, se transformou numa zona militante onde quem não pensa como os adeptos do Podemos acaba a silenciar as suas ideias. Pequeno extrato:
No todos los estudiantes están dispuestos a hablar. “Basta de manipulación. Fuera prensa burguesa de la universidad”, se lee en los pasillos. Los estudiantes Erasmus se sorprenden ante el humo que hay en el interior del edificio, y que no es solo de tabaco. A la puerta de la cafetería, que paga por la concesión, hay un puesto regentado por unos jóvenes que venden productos parecidos sin pagar impuestos ni alquileres. “La facultad es plural, pero el alumnado que no es de izquierdas es reticente a manifestar su opinión en un debate, le cuesta”, describe el profesor Rubén Herrero de Castro, que se declara “conservador”. “Solo se escucha al 50% de izquierdas”, añade. “La facultad ha sido un espacio de aprendizaje, no solo académico”, señala Héctor Meleiro, que estudió en Somosaguas [assim se chama este campus] y ha participado en todas las iniciativas formadas por o alrededor de Podemos. “En la facultad también aprendimos la importancia de ocupar espacios en las instituciones para asegurar los cambios políticos”.

Por hoje é tudo. Estarei de regresso amanhã, de novo pelo fim da tarde. Até lá, bom descanso e boas leituras.

Do Romance "A Sibila" de Agustina Bessa- Luís (1922- )



In Pesquisa Net , excerto de "A Sibila", de Agustina Bessa-Luís (1922- ):







Agustina Bessa-Luís - excerto de A Sibila







«É esta a mais grandiosa história dos homens, a de tudo o que estremece, sonha, espera e tenta, sob a carapaça da sua consciência, sob a pele, sob os nervos, sob os dias felizes e monótonos, os desejos concretos, a banalidade que escorre das suas vidas, os seus crimes e as suas redenções, as suas vítimas e os seus algozes, a concordância dos seus sentidos com a sua moral. Tudo o que vivemos nos faz inimigos, estranhos, incapazes de fraternidade. Mas o que fica irrealizado, sombrio, vencido, dentro da alma mais mesquinha e apagada, é o bastante para irmanar esta semente humana cujos triunfos mais maravilhosos jamais se igualam com o que, em nós mesmos, ficará para sempre renúncia, desespero e vaga vibração. O mais veemente dos vencedores e o mendigo que se apoia num raio de sol para viver um dia mais, equivalem-se, não como valores de aptidões ou de razão, não talvez como sentido metafísico ou direito abstracto, mas pelo que em si é a atormentada continuidade do homem, o que, sem impulso, fica sob o coração, quase esperança sem nome.
Eis Quina, exemplo de energias humanas que entre si se devoraram e se deram vida. Vaidade e magnífico conteúdo espiritual foram os seus pólos; equilibrando-se entre eles, percorreu um extremo e outro da terra, venceu e foi vencida, sem que, porém, as suas aspirações mais inquietantes deixassem de ser, no seu íntimo, as mesmas formas incompletas, chave da transfiguração que os homens eternamente tentam moldar e se legam de mão em mão, como um segredo e como uma dúvida.
Eis Germa, que, embalando-se na velha rocking-chair, pensa e pressente, sabendo-se actual relicário desse terrível, extenuante legado de aspiração humana. Nas suas veias, estão todos os infinitos estados do passado, no seu cérebro condensaram-se muitas e muitas experiências que não viveu, as negações e afirmações ocupam vastos espaços da sua alma. Ela move-se ritmicamente baloiçando-se naquela sala onde se recolhem em pilhas as maçãs; todo o ar rescende a maçã que suga da própria pele a frescura e dela dessangra o suco que acrescentará a reserva da polpa viva, ainda por todo o Inverno.
Eis Germa, eis a sua vez agora e o tempo de traduzir a voz da sua sibila. Talvez, porém, o seu tempo seja improdutivo e nefasto, e ela fique de facto silenciosa, porque - quem é ela para ser um pouco mais do que Quina e esperar que os tempos novos sejam mais aptos a esclarecer o homem e a trazer-lhe a solução de si próprio? Talvez ela fique de facto imóvel no seu constante, lento ou vertiginoso baloiçar, na casa que fortuitamente habita, e a sua história fique hermeticamente fechada no círculo de aspirações que não conseguiu detalhar e cumprir, porque aconteceu ser cedo ou ser tarde, porque não se compreende ou não se crê o bastante, porque se deseja demasiado e isto é todo o destino, porque... porque...» (16 de Janeiro de 1953)







*
Estes são os últimos parágrafos de A Sibila de Agustina Bessa-Luís, o primeiro livro dela que li e de que gostei muito, e que ficam aqui como homenagem enquanto ainda está viva, embora muito doente; estou a começar a ficar cansada de só homenagear alguns dos grandes seres humanos in memoriam, porque ela, a morte, apanha-nos quase sempre desprevenidos.E a grande verdade é que é preciso ler, ler, ler...

Bom dia, amigos!

Bom dia , amigos!

Do escritor Manuel da Fonseca, in Net











De Manuel da Fonseca (1911-1993), in Pesquisa Net, www.escreveretriste.com




"Se não esta­mos cru­ci­fi­ca­dos, anda­mos lá perto. Mudou tudo à nossa volta. Tanto que, da cabeça aos pés, o nosso corpo estra­nha. Estra­nha muito e nada se entra­nha. Um pro­fes­sor de Har­vard (quem me dera ser um pro­fes­sor de Har­vard!) ditou-nos a sen­tença. E não pen­sem que ele é como Pila­tos, que lava daqui (ou de nós) as suas mãos. O pro­fes­sor Lie­ber­man é claro como água: o corpo que temos não serve. O mundo mudou e este corpo não é já deste mundo, como Cristo disse aos que o jul­ga­vam. Ou seja, este corpo não tem minis­tros que o defendam.


O cére­bro, con­fun­dido pela vida seden­tá­ria, deixa-se atin­gir pelo Alzhei­mer. Os olhos, que já foram de aven­tu­rei­ros caça­do­res e colec­to­res de gran­des espa­ços livres, con­fi­na­dos a salas fecha­das e a écrãs dimi­nu­tos converteram-se à mio­pia e à dege­ne­res­cên­cia macu­lar. Os seios e a prós­tata, assis­tindo impo­ten­tes à inva­são do corpo por pode­ro­sas hor­mo­nas, desa­bro­cham em can­cros. O ven­tre, outrora seco e firme, parte inte­grante de um corpo em acção, expande-se em obe­si­dade e açú­car. Os nos­sos pobres den­tes, car­re­ga­dos de cáries à conta de fécu­las, ami­dos e mais açu­ca­res, mor­rem de inveja dos den­tes sãos de qual­quer chim­panzé. Des­cal­ci­fi­ca­dos, os ossos dos nosso velhos fracturam-se como palha seca. O cora­ção e as arté­rias, sub­me­ti­dos a um doce e letal bom­bar­de­a­mento e à ausên­cia de exer­cí­cio do nosso aban­do­nado corpo, rompem-se em ate­ro­es­clo­rose, taqui­car­dias, arrit­mias, isque­mias e mil cardiopatias.


Este corpo já não nos serve. Nós, huma­nos, pre­ci­sa­mos de um corpo novo. O que temos — tomai e comei todos — já não é um corpo para o século XXI. Temos de meter metal nisto, mate­ri­ais leves, chips, pier­cings no cora­ção. Bem podem os sadu­ceus dizer que não há res­sur­rei­ção. O corpo que sécu­los sepul­ta­ram, esse corpo que mor­reu de tan­tos peca­dos, no alvor deste século XXI, tem de res­sur­gir, lumi­noso, fos­fo­res­cente de ómega 3, elec­tró­nico, para os novos sécu­los de face­book, ins­ta­gram, açú­car e soli­dão que hão-de vir.

Amen.

Editorial de `Público"


EDITORIAL
O bluff diplomático e a falta de dinheiro


DIRECÇÃO EDITORIAL

06/04/2015 - 17:38


Há uma pergunta que nesta altura ninguém se atreve a fazer em Atenas e em Bruxelas.




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TÓPICOS

Grécia
Rússia
Vladimir Putin
FMI
Dívida Pública
Editorial
Alexis Tsipras
Yanis Varoufakis




O que vai acontecer à Grécia a partir de Junho? É uma pergunta de muitos mil milhões de euros.

Por estes dias já se percebeu que, com mais ou menos esforço, mais ou menos diplomacia, os gregos devem conseguir chegar a acordo com os credores oficiais para prolongar o actual programa de resgate que termina em Junho. O ministro da Economia já deu indicações de que o “acordo deverá ficar fechado na semana da Páscoa” (os ortodoxos celebram a Páscoa no próximo domingo) e os gregos devem finalmente receber o cheque de 7,2 mil milhões da troika. Em troca disponibilizam-se a fazer reformas que se calhar poucos acreditam ser exequíveis mas, talvez vencidos pelo cansaço, ou temendo umGrexident (uma saída acidental ou inadvertida da zona euro), os parceiros europeus já não deverão esticar muito mais a corda.

Os cofres de Atenas começam a ficar vazios – desde Agosto do ano passado que o país não recebe um cêntimo dos credores oficiais – e não é por acaso que na semana passada o ministro do Interior veio sugerir que o Governo preferiria pagar salários e pensões do que fazer o reembolso de 450 milhões ao FMI que vence esta quinta-feira. Provavelmente não iremos assistir a nenhum default já que à boa maneira europeia tudo se há-de resolver à última hora.

Passada esta fase de maior aperto de tesouraria, chegará a hora de responder à pergunta de um milhão de dólares que neste momento tanto aflige os gregos. E a resposta é clara: se os juros não sofrerem uma correcção brusca no espaço de três meses, a Grécia vai continuar arredada dos mercados e vai necessitar de um terceiro resgate. E resta saber como é que Yanis Varoufakis e Alexis Tsipras estão em condições de negociar (e de aguentar a negociação) de um novo resgate, que irá exigir concessões que irão ao arrepio de todas as promessas eleitorais feitas pelo Syriza. Sendo que nesta altura já são poucas as que se mantêm incólumes.

Numa tentativa de não colocar toda a diplomacia no mesmo cesto, Alexis Tsipras vai esta quarta-feira a Moscovo provavelmente falar com Vladimir Putin sobre a flexibilização das restrições sobre os produtos alimentares gregos. Mas Tsipras quer que os parceiros europeus (e americanos, ainda ontem Varoufakis esteve com o responsável do Tesouro norte-americano para os Assuntos Internacionais) olhem para a Rússia como uma possível fonte alternativa de financiamento para Grécia. Algo que já se percebeu que Vladimir Putin não será.

Neste périplo diplomático pelos ‘inimigos dos meus amigos’, Antonis Samaras até já veio dizer que Tsipras também terá procurado apoio de Teerão para comprar dívida pública helénica. Atenas procura nesta altura todos os trunfos a que possa deitar mão para que possa chegar a Junho com algum poder negocial. Nem que tenha de faze
bluff diplomático.

Poema (Obra regª)








POEMA:




CÂNTICO-DE-SER-ROSA-CARMIM…




…e as tuas palavras onomatopaicas desfilavam, suaves, por cima do meu corpo, no meu rosto… por dentro dos ombros…
…entravam-me na boca pelo beijo que me davas…
…entravam-me nos ouvidos pela música sibilante, da hora de mil desejos…
Insinuantes de perfumes e aromas, sentavam-se-me no nariz…escorriam pelo pescoço…
…tuas mãos, sem saberem por onde andar, desenhavam-me os contornos do rosto sem precisarem de luz, de raios de luar-crescente, de estrelas a brilhar ou de qualquer outra fonte de calor…





…e a buganvília estremeceu de alegria…compôs as mil flores do seu vestido, e quis ser inspiração da rota que percorrias pelo meu corpo, ao tentar implantar-se na eternidade do sufoco da oscilação do MEU momento…




---onomatopaicos, são todos os sons que o mundo ouviu
no auge confuso da dádiva-em-silêncio,
num imenso recanto de flores de cetim
onde as rosas continham a respiração-de- mim,
rubro carmim do que sou, enfim…




Tudo foi ,em tempos,
________ um grito de canções intensas que desapareceram
______ ao surgir um novo Cântico-dos Cânticos.


Resta, na minha face, o registo das tuas mãos macias,
_________impresso em afagos trocados naquela eternidade
_____________que teve o seu fim, na hora de uma certa verdade.




Maria Elisa Ribeiro
DEZ/014

VERDADE!!!!!!


foto de Anti-Passos Coelho.
5 min ·



Bom Humor


foto de Anti-Passos Coelho.
3 min ·




Anti-Passos Coelho

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Boa noite, meus amigos de Lusibero!



Trabalho escravo, em Portugal!






Bragança e Beja no topo do trabalho escravo
NUNO SILVA | 02/04/2015
Beja e Bragança foram os distritos com mais casos de tráfico de pessoas para exploração laboral, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna.


RUI MANUEL FERREIRA / GLOBAL IMAGENS
Diego está em Portugal há seis anos. Na família, são 10 e trabalham todos na agricultura, legalmente e sem intermediários







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JUSTIÇA


No primeiro, foram sinalizadas 17 pessoas e no segundo 15, sendo que a maioria das situações ocorreu em explorações agrícolas, para a apanha da azeitona (Beja) e da castanha (Bragança). O documento não explicita nacionalidades, mas em causa estão sobretudo cidadãos romenos e búlgaros, que foram detetados em operações desenvolvidas pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e que foram trazidos para Portugal com promessas de salários dignos, mas acabavam mal pagos e alojados em condições miseráveis.




Ler mais na edição impressa ou na versão e-paper

De Pacheco Pereira... Ler no site...


Não votem em corruptos!: Fundos de pensões: mais uma "swapada" tuga sem responsáveis. Governos...
LUIS MONTENEGROOs Maçons Responsáveis pelo Estado da Nação já começaram a receber os seus dividendos...pagos pelo FMI, BCE e União Euopeia!O Maçon Luís...
APODRECETUGA.BLOGSPOT.COM

Poema de Afonso Duarte



Poema de Afonso Duarte (1884-1958), in Net




Humana Condição


Um sonhar-me distante, um longe incrível
É agora o meu estado: Eu sonho o Espaço
Que se fixa no mundo ao invisível
Como se o mundo andasse por meu braço,


Existo além: Sou o animal temível
De Jesus com o mundo-Deus na mão.
Sou para além do mundo concebível
Onde morre e começa a criação.

Eu, homem, sondo e meço o Infinito;
Sou corpo e espírito, esse corpo oculto,
E é só na mão de Deus que ressuscito.

E chamam a isto humana condição ...
Um nada, e tudo: — Vivo e me sepulto
Dentro e fora do próprio coração.




Afonso Duarte, in "Ossadas"

De Bernardo Soares (Pessoa)



In Arquivo Pessoa:



Arquivo Pessoa
Obra AbertaOBRA ÉDITA · FACSIMILE · INFO
pdf
Bernardo Soares
A literatura, que é a arte casada com o pensamento,


A literatura, que é a arte casada com o pensamento, e a realização sem a mácula da realidade, parece-me ser o fim para que deveria tender todo o esforço humano, se fosse verdadeiramente humano, e não uma superfluidade do animal. Creio que dizer uma coisa é conservar-lhe a virtude e tirar-lhe o terror. Os campos são mais verdes no dizer-se do que no seu verdor. As flores, se forem descritas com frases que as definam no ar da imaginação, terão cores de uma permanência que a vida celular não permite.
Mover-se é viver, dizer-se é sobreviver. Não há nada de real na vida que o não seja porque se descreveu bem. Os críticos da casa pequena soem apontar que tal poema, longamente ritmado, não quer, afinal, dizer senão que o dia está bom. Mas dizer que o dia está bom é difícil, e o dia bom, ele mesmo, passa. Temos pois que conservar o dia bom em uma memória florida e prolixa, e assim constelar de novas flores ou de novos astros os campos ou os céus da exterioridade vazia e passageira.
Tudo é o que somos, e tudo será, para os que nos seguirem na diversidade do tempo, conforme nós intensamente o houvermos imaginado, isto é, o houvermos, com a imaginação metida no corpo, verdadeiramente sido. Não creio que a história seja mais, em seu grande panorama desbotado, que um decurso de interpretações, um consenso confuso de testemunhos distraídos. O romancista é todos nós, e narramos quando vemos, porque ver é complexo como tudo.
Tenho neste momento tantos pensamentos fundamentais, tantas coisas verdadeiramente metafísicas que dizer, que me canso de repente, e decido não escrever mais, não pensar mais, mas deixar que a febre de dizer me dê sono, e eu faça festas com os olhos fechados, como a um gato, a tudo quanto poderia ter dito.
s.d.
Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982. - 520.

Do Bispo de Beja...


ENTREVISTA
“O mundo financeiro tem os políticos todos na mão”


MARIA JOÃO LOPES

05/04/2015 - 08:26


O bispo de Beja, D. Vitalino Dantas, 73 anos, nasceu em Vila Verde, Braga. Diz que a Igreja não se deve alhear dos que sofrem e não gosta do assistencialismo. Defende a não eternização no poder e espera que o Papa Francisco continue a renovação em curso. É adepto das novas tecnologias. Usa smartphonee tablet.D. Vitalino Dantas é o bispo de Beja, onde vive há 16 anos ENRIC VIVES-RUBIO




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TÓPICOS

Bento XVI
Governo
PCP
José Sócrates
25 de Abril
Religião
Alentejo
Casamento gay
Papa Francisco
Partidos políticos
questões sociais


Aos 10 anos descobriu a vocação. No exame da quarta classe, foi-lhe pedida uma redacção sobre o que queria ser. “Missionário e dar a conhecer Jesus Cristo”, respondeu. O pai, “um pequeno construtor do Minho”, ofereceu-lhe trabalho. Recusou: “Posso ir nas férias, mas quero ir para o seminário”. Viveu dez anos na Alemanha, mas depois do 25 de Abril quis regressar.

Passou pelo Minho, Alentejo, viveu na Alemanha.
A minha infância foi no Minho. Aos 10 anos quis ser missionário e escolhi os Capuchinhos. Fui para Vila Nova de Poiares. Voltei ao Minho para outro seminário. Depois entrei na Ordem do Carmo. Estudei em Fátima e na Alemanha, Teologia e Filosofia. Vivi na Alemanha de 1966 a 1976. Dediquei-me aos emigrantes. Mas o tempo principal da minha vida foi em Santo António dos Cavaleiros, Loures. Fui com a tarefa de construir uma igreja, a comunidade. Foi a minha grande aprendizagem como padre. A seguir ao 25 de Abril, havia muita pobreza, pessoas de costas voltadas. Umas com a ideia de revolução; os retornados descontentes; e aqueles a quem chamavam fascistas. Não se falavam. Um bairro assim não tinha futuro.

Qual foi o seu papel?
Tentar o diálogo. Consegui com alguma imaginação pôr aquela gente a colaborar. Nasceu a paróquia. Construímos a igreja e outras infra-estruturas. Fundei um centro cultural e social que tinha mais de 500 praticantes. Fundei a ocupação de tempos livres, com os jovens. Nasceu ali uma comunidade que continua.

Estava na Alemanha no 25 de Abril?
Voltei em 1976, mas em 1974 aproveitei para ver o ambiente. Foi para mim um momento muito feliz, de esperança. Muita gente emigrou por causa da pobreza, da falta de liberdade, pelo medo. Como devo obediência a uma congregação, escrevi que estaria disposto a regressar. Pedi um tempo e em 1976 voltei.

De que forma é que a crise actual chegou ao Alentejo?
A crise afectou muito, mas a reorganização das empresas, da agricultura também trouxe muitos desempregados. As máquinas fazem parte do trabalho. As pessoas têm mais níveis de formação, já não querem voltar à agricultura. Os jovens quase não encontram aqui futuro. Há poucas indústrias. E o Alentejo está muito desertificado. Estou cá há 16 anos - neste período perdemos mais de 10 mil habitantes na área da diocese. Há aldeias que nos anos 60 tinham cinco a seis mil habitantes e que, agora, nem mil têm. Muitos montes estão abandonados.

Disse que no Alentejo “há empresas agrícolas que são associais, criadoras de pobreza”. Qual é, para si, a função social da terra?
Quando os bens não são usados apenas para o bem-estar dos proprietários, mas para contribuir para o desenvolvimento integrado do país e da região estou de acordo. Porque o que é de todos às vezes não é de nenhum. O resultado de uma boa administração não pode ser para o consumo desenfreado de alguns e outros ao lado a morrerem ou a passarem fome. Para nós, que acreditamos na doutrina social da Igreja, uma boa administração é solidária e social. Se não for, quer dizer que só se interessa pelo capital, consumo próprio, e não pelo bem das pessoas. Aí o Estado, através de impostos ou de outras medidas, terá de ajudar esses proprietários a entrarem na dinâmica do bem comum. Não apenas numa dinâmica de uso egoísta dos bens.

Este modelo económico exclui os mais fragilizados?
Este sistema económico, se não for acompanhado, pode levar à exclusão. Uma sociedade que cultiva desigualdades e que exclui cidadãos não tem futuro. Pode provocar uma crise social e dar origem a convulsões que a desagregam. Nós, como Igreja, temos de lutar, para usarmos os recursos e a inteligência para o bem de todos. Aqui no interior, devido a este sistema económico e social, quem não tem nada acaba por emigrar ou ficar sujeito à acção solidária de algumas instituições.

O líder do PCP, após uma audiência com o cardeal patriarca, identificou convergências sobre a necessidade de alterar o rumo desta política. Afirmou ter no partido dezenas de milhares de católicos. Sentiu-se chocado?
Não. Como pároco que fui de Santo António dos Cavaleiros conheci muitos militantes do PCP que eram da Igreja, nunca os excluí. Tinha do CDS, de todos os partidos. A Igreja tem de ser um espaço de diálogo e comunhão. Vai além das nossas divergências. Quanto ao sistema económico e a crise a que chegámos, há muitas coisas que não domino. Hoje sabemos que o mundo financeiro tem os políticos todos na mão. Nenhum político pode fazer política, se não conseguir ter alguma boa relação com o mundo financeiro. Tem, pelo menos, de lhes dar confiança, ou eles fogem e ficamos a mendigar. Era o que estava a acontecer. Estavam a degolar-nos com juros usurários. Este mundo financeiro não perdoa. O que o Governo português fez foi sujeitar-se a muitas das exigências. Mas, pelo menos, conseguiu baixar os juros. A dívida é que se ma
ntém.

De Vasco Pulido Valente, in "Público"




OPINIÃO
Basta o que basta


VASCO PULIDO VALENTE

05/04/2015 - 03:33


O prof. Crato devia fechar imediatamente a Lusófona e entregar o caso à Procuradoria-Geral da República.




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TÓPICOS

Universidades
Ensino privado
Educação
Praxe académica


Tudo começou com o prof. Veiga Simão, ministro de Marcelo Caetano e de Mário Soares, que foi o primeiro promotor da chamada “democratização” do ensino. Como se calculará, a “democratização do ensino” é, em si própria, uma política justa e necessária. Mas Veiga Simão entendeu que a melhor maneira de a executar consistia em abrir as portas ao maior número de estudantes possível, sem qualquer exigência académica ou material.

Na Universidade, para falar só dela, meteu milhares de adolescentes em edifícios caducos do século XVIII ou XIX, que já tinham pertencido à Igreja, e que a I República adaptara à mais nobre função de espalhar as “luzes” entre o povo (e a classe média) que o “jesuitismo” deformara; o ISE, por exemplo, agora ISEG, nasceu assim no convento do Quelhas.

Professores quase não havia e os que havia passeavam o seu espanto e a sua angústia pelo meio do caos. A agitação política cresceu até 1976 e mesmo daí em diante não aprovar um aluno com 18 ou 19, como ele se achava com direito, era contribuir para uma “sociedade de classes”, ditatorial e exploradora. Perante esta catástrofe e a absoluta falta de espaço físico para acomodar a elite da democracia, o Estado decidiu permitir “universidades privadas” sob forma de cooperativas. Não vale a pena entrar aqui na história pouco edificante dessas putativas universidades. Basta dizer que não existia, nem podia existir, entre elas e a verdadeira coisa a mais leve semelhança. As “privadas” não passavam de um negócio, em que a produção e a transmissão de ciência não ocupavam lugar e em que a educação não fazia parte dos fins gerais da empresa.

Como sempre sucede em Portugal, depois de um “escândalo” com um ministro, embora o escândalo fosse há anos público e notório, o prof. Nuno Crato mandou abrir um inquérito à Universidade Lusófona. E esse inquérito apurou que em 152 casos – um número extraordinário – os diplomas daquela augusta casa não deviam ser considerados válidos, por erro na avaliação de “equivalências” várias. Sobre isto, que deixa ver como funciona e para que serve a “Lusófona”, cresceram e floresceram as “praxes” que levaram aos seis mortos da praia do Meco, com absoluta ignorância da gente em posições de autoridade, a quem incumbia garantir a saúde e a segurança das crianças (porque eram crianças) que lhes tinham confiado. O prof. Crato devia fechar imediatamente a Lusófona e entregar o caso à Procuradoria-Geral da República. Basta o que basta. Principalmente para um Governo que não se preocupou de mais com a observância da lei e a limpeza cívica.

De Manuel de Carvalho, in `Público"




OPINIÃO
O fracasso das reformas arde todos os anos no Verão


MANUEL CARVALHO

05/04/2015 - 07:38







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TÓPICOS





1 -O “comando operacional” está desenhado, uma estrutura de “direcção, comando e controlo” definida, os “teatros de operações” identificados, mais de 12 mil homens mobilizados para a “fase Charlie”, as bases logísticas geridas por 1047 homens foram devidamente estabelecidas, 41 helicópteros e 8 aviões anfíbios estão ou vão ser contratados. Uma vez mais, Portugal está preparado para a sua eterna guerra do Verão. O Governo verteu para a linguagem marcial as formas e os meios com que pretende travar o combate contra o fogo que todos os anos devasta uma parte da floresta nacional. Uma guerra, bem se sabe, dura e inglória, mas que ainda assim consegue convocar um aparato suficiente para esconder a falta de políticas de fundo para o mais importante recurso natural renovável do país.

Se há um exemplo acabado de um fracasso nacional esse exemplo está na floresta. Há décadas que ministros, economistas, ambientalistas, empresários ou silvicultores descrevem em sonantes apresentações o que o país poderia ganhar com uma fileira florestal bem gerida e bem protegida. Nos anos 90, os mais convictos falavam na descoberta de um petróleo verde que alimentaria uma cadeia industrial condenada ao sucesso pelas enormes vantagens comparativas do país. Havia, e há, cerca de um terço do território nacional apto para a florestação; a produtividade de espécies como o pinheiro bravo é especialmente elevada em algumas regiões; a singularidade do clima e dos solos era propensa ao cultivo de espécies nas quais Portugal tem não só saber silvícola como industrial, caso do sobreiro. Havia tudo mas, 30 anos depois, uma grande parte do “sonho florestal” desvaneceu-se nos incêndios e na incapacidade de Portugal planear e executar políticas de longo prazo.

O aparato militar do combate aos incêndios florestais é por isso a revelação de uma má consciência, a transposição para o papel de uma falha, o reconhecimento de que Portugal é um país incapaz de projectar o seu futuro. É mais fácil pegar em 80 milhões de euros e mobilizar bombeiros, viaturas e aviões do que definir uma estratégia que exige determinação, persistência, zelo e continuidade que demora anos a produzir resultados. Só que em vez desse trabalho discreto e silencioso, os diferentes governos foram-se entretendo em alimentar o espectáculo que no auge do Estio garante às televisões e aos jornais imagens dantescas e esforços desmesurados de bombeiros. A opção deu no que deu: apesar dos milhões gastos, não foi possível evitar a destruição de amplas e importantes franjas do património florestal nacional, com destaque para o pinheiro bravo.

A troca do imediato espectacular pelo futuro discreto e incerto tornou-se uma das matrizes da governação dos últimos 20 anos. O Estado perdeu capacidade de estudar e de reflectir e a produção de diagnósticos e de estratégias foi concessionada através de contratos generosos a privados aos quais faltava geralmente memória e experiência. O auge desse esvaziamento aconteceu neste Governo com a extinção do que restava do outrora magnífico Gabinete de Prospectiva e Planeamento, que produziu algumas das mais densas e profícuas reflexões sobre o futuro do país. Mas já antes serviços como a Direcção-geral das Florestas tinham sido vitimados pela política do efémero e do espectáculo, na qual vale mais uma promessa cheia de ar do que uma acção discreta plena de conteúdo.

Foi este culto do transitório em detrimento do permanente que tornou o Estado refém de uma geração de políticos empenhada em mudar tudo o que vinha de trás para que nada acontecesse. Políticas como a do PEDIP de Mira Amaral, logo no início da integração europeia, demoraram dez anos a dar resultados em sectores como a têxtil ou o calçado e dez anos é muito tempo para a “política J”, que para lá da ignorância e da escassa vocação para ler e estudar se preocupa em demasia em fazer muitas coisas e depressa, sabendo que toda a sua acção será varrida por quem vier a seguir. Opções como a construção de auto-estradas e outras obras públicas na geração Cavaco-Guterres-Durão-Sócrates resultam apenas de uma atitude comodista que, justamente, considera ser mais fácil pagar a empreiteiros do que fazer escolhas e realizar políticas que dispensam inaugurações. A falta de empenho reformista deste Governo, que agora, no final do mandato, se tenta dar ares de solene empenho com as mudanças em áreas como descentralização administrativa ou a Educação, é a prova acabada dessa impreparação para liderar o país numa visão a prazo.

Imagens de DESTRUIçÃO


Estado Islâmico publica vídeo da destruição de Hatra


PÚBLICO

05/04/2015 - 18:31


Martelos e metralhadoras foram usados para destruir património histórico iraquiano .





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Jihadistas já chegaram às ruínas de Hatra combulldozers e explosivos
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Jihadistas destroem esculturas pré-islâmicas em nova "tragédia cultural" no Iraque
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Destruir o passado para "controlar o futuro"


Quase um mês depois do anúncio da destruição de Hatra, a cidade histórica iraquiana fundada há 2000 anos e que é património mundial desde 1985, os extremistas do autoproclamado Estado Islâmico (EI) divulgaram um vídeo onde aparecem de martelos em mão e até de metralhadoras a destruir esculturas.



Como já vem sendo hábito na propaganda jihadista, o vídeo, divulgado neste fim-de-semana, tem uma realização profissional. Nele, vários homens aparecem a destruir diferentes esculturas. Uns fazem-no com martelos e há outro que dispara uma metralhadora contra as obras. O ataque aconteceu a 7 de Março, dias depois de os jihadistas terem saqueado e destruído Nimrud, no norte do Iraque, uma das cidades mais importantes da antiga Mesopotâmia e ponto de referência na história da civilização.

Hatra, que é conhecida pelos seus templos de colunas de influência clássica, situa-se na província de Nínive, nas mãos dos extremistas desde Junho de 2014. O EI tem vindo a impor pesadas perdas ao património iraquiano, procurando eliminar os vestígios do passado pré-islâmico do país. Os seus membros defendem que a destruição de esculturas, frisos, relevos e documentos milenares faz parte do seu combate contra a idolatria, proibida pelo Profeta.

Hatra e Nimrud ficam ambas a sul de Mossul, numa região com quase dois mil sítios arqueológicos registados (o Iraque tem 12 mil). Mossul, a cidade mais importante do Norte do Iraque, foi tomada pelo Estado Islâmico em Junho do ano passado.

De acordo com o site da UNESCO, Hatra é um excelente exemplo das cidades fortificadas do Médio Oriente, símbolo das lutas que opuseram os impérios parta (uma das potências da antiga Pérsia) e romano na hora de dividir o que restou dos domínios de Alexandre, o Grande. Terá começado por ser um pequeno povoado assírio, no século III a.C., para 100 anos depois se transformar num importante entreposto da Rota da Seda, podendo ser comparada a outras grandes cidades árabes, como Palmira, na Síria, ou Petra, na Jordânia. Os vestígios que nela hoje se encontram datam, na sua maioria, dos séculos I e II e neles, sobretudo nos templos, as marcas da arquitectura romana e grega misturam-se com motivos orientali
zantes.

Capa de "Público"



Segunda-feira, 6 de Abril de 2015

Atrasos na administração pública podem obrigá-la a pagar indemnizações

Sucessão em Lisboa: Costa fala numa "tranquila transição geracional"


Cancro colorrectal: a vergonha de falar em fezes pode matar

Leia mais em www.publico.pt

domingo, 5 de abril de 2015

sábado, 4 de abril de 2015

Boa noite, amigos de lusibero!


SOBRE Alexandre Herculano...



De Alexandre Herculano (1810-1877), in pesquisa net







A Graça
Que harmonia suave
É esta, que na mente
Eu sinto murmurar,
Ora profunda e grave,
Ora meiga e cadente,
Ora que faz chorar?
Porque da morte a sombra,
Que para mim em tudo
Negra se reproduz,
Se aclara, e desassombra
Seu gesto carrancudo,
Banhada em branda luz?
Porque no coração
Não sinto pesar tanto
O férreo pé da dor,
E o hino da oração,
Em vez de irado canto,
Me pede íntimo ardor?


És tu, meu anjo, cuja voz divina
Vem consolar a solidão do enfermo,
E a contemplar com placidez o ensina
De curta vida o derradeiro termo?

Oh, sim!, és tu, que na infantil idade,.
Da aurora à frouxa luz,
Me dizias: «Acorda, inocentinho,
Faz o sinal da Cruz.»
És tu, que eu via em sonhos, nesses anos
De inda puro sonhar,
Em nuvem d'ouro e púrpura descendo
Coas roupas a alvejar.
És tu, és tu!, que ao pôr do Sol, na veiga,
Junto ao bosque fremente,
Me contavas mistérios, harmonias
Dos Céus, do mar dormente.
És tu, és tu!, que, lá, nesta alma absorta
Modulavas o canto,
Que de noite, ao luar, sozinho erguia
Ao Deus três vezes santo.
És tu, que eu esqueci na idade ardente
Das paixões juvenis,
E que voltas a mim, sincero amigo,
Quando sou infeliz.
Sinta a tua voz de novo,
Que me revoca a Deus:
Inspira-me a esperança,
Que te seguiu dos Céus!...

Alexandre Herculano, in 'Antologia Poética'










Alexandre Herculano, o introdutor do Romantismo, em Portugal, a par de Almeida Garrett, tem uma escrita erudita que torna os seus poemas um pouco mais difíceis de interpretar, ao contrário da poesia de Garrett. Romancista ( Euríco, o Presbítero), poeta grande e grande Historiador, esta personagem das nossas Letras deixou de fazer parte dos programas de Literatura Nacional. Estudei-o e ainda o ensinei nos 11ºs Anos.Como entendo que o "analfabetismo literário" anda à solta, aconselho os meus amigos a descobrirem este autor ou a redescobri-lo. "Lendas e Narrativas" seria um óptimo modo de tomar/retomar contacto com o grande homem de letras!

Maria Elisa Ribeiro

Sobre a Língua Portuguesa...



Através da poetisa Regina Correia , palavras do escritor cabo-verdiano Filinto Correia e Silva







Filinto Correia e Silva defende que sem o conhecimento das matrizes gramaticais e semânticas não haverá boa poesia





Imprimir Email ACTUALIZADO A 21/03/2015, 10:40
Cidade da Praia, 21 Mar (Inforpress) – Sem o conhecimento das matrizes gramaticais e semânticas não haverá boa poesia, afirmou hoje o escritor cabo-verdiano Filinto Correia e Silva, sublinhando que numa selecção antológica e honesta, Cabo Verde tem meia dúzia de bons poetas.

O também cronista, que falava a Inforpress sobre o Dia Mundial da Poesia, que se celebra a 21 de Março, disse que poetas em estrito senso não há muitos, sendo que não “basta apenas fazer versos, nem reflexões imagéticas, tampouco a insubmissão” e o que panteísmos são suficientes para se ser poeta.

“Assim como para se ser músico, dançarino, actor, pintor ou outra coisa qualquer, o poeta precisa, a par de um sentir recheado de signos e metáforas, de um conhecimento da língua e da linguagem, e sem o conhecimento das matrizes gramaticais e das matrizes semânticas, não haverá boa poesia”, argumentou

Filinto Elísio espera que os poetas cabo-verdianos, tanto os que escrevem em português como os que o fazem em língua cabo-verdiana, ganhem uma nova consciência de que a poesia é essencial para a vida, e ela mesmo que arreigada à pedra e tende a mundializar-se.

No seu ponto de vista, o sentido da vida, deus em sua fragilidade e omnipotência, o enigma da morte, a solidão, o amor e a raiva, a memória, e a ambiguidade existencial constituem, numa recorrência activa, as principais motivações dos poetas contemporâneos.

Segundo o escritor, há nesta nova geração um acentuado viés filosófico, muito orientado para a interrogação e a abstracção e que, entretanto, não há uma linha única e contínua, sendo que uns, numa arreigada clave telúrica, que mantêm o padrão claridoso, outros, buscando linguagens rebuscadas, que privilegiam toadas românticas e nativistas, quando não nacionalistas.

“É uma profusão temática, o que me encanta na medida em que a poesia, ainda que não negue o colectivo, é uma expressão estética do indivíduo”, advogou.

Para Filinto Elísio, seria bom se houvesse algum ideário de renovação, já que há necessidade indescritível do confronto e da premonição, e uma nova safra de poetas capazes de fazer estética, de recriar uma ética artística, inovando na linguagem e ousando nos afrontamentos.

“Falta ir contra a corrente do sórdido e do patético, falta ser moderno sem vender a plenitude artesanal, nem perder a identidade, sem abandonar o fumeiro da ilha. Estas anotações ocorrem-me a propósito de um projecto de livro de um estreante poeta, Rony Moreira, que recusa velhos paramentos e promete ser pedra no charco. Apesar de seguirem dos aparos de sintaxe, existe ali um plano poético diferente e de radical alteridade”, disse, acrescentando que o poeta Ovídio Martins prenunciou que o povo das ilhas continua a querer um poema diferente para o povo das ilhas.

Questionado se as autoridades dão o devido valor aos poetas, disse que essa questão dever ser colocada às autoridades, mas frisou que em qualquer relação entre o poder político, social, religioso, económico, inclusive o cultural e a arte, há espaços fraturantes e conflituantes.

Contudo, lembrou que o escritor Ken Saro-Wiwa dizia que o poeta que não tem problemas com o rei terá seguramente problemas com a sua poética.

“O abuso, a hegemonia, a desigualdade, a força, a fome, toda a sinecura deste mundo inquieta o Poeta. A utopia e a miragem estonteante e quase subversiva, esse tentar pegar na “bunda do vento”, como diria o poeta Manoel de Barros, tudo isso às vezes bate de frente com o estabelecido e irrita solenemente a super estrutura, a infra-estrutura e os seus arrabaldes”, destacou.

Poeta e cronista, Filinto Correia e Silva nasceu na Praia, é autor das obras "Do Lado de Cá da Rosa" (Poesia), "Prato do Dia" (Crónica), "O Inferno do Riso" (Poesia), "Cabo Verde, 30 anos de Cultura" (Antologia), "Das Hespérides" (Poesia, Prosa e Fotografia) e "Das Frutas Serenadas" (Poesia). Tem ainda por publicar "Sem Margens" (Crónicas) e "Praiademincidade" (Romance).

AV

Inforpress/Fim

POEMA-PROSA








QUANDO A PROSA ME INVADE A POESIA…




Penso que há lugares diferentes nos nossos corações onde podemos encontrar um espaço para voltar a dançar, pois que a música atravessa os tempos em sementes de flores azuis no pó dos caminhos andados, com a força das orações inocentes dos meninos.
Gosto da palavra “azul”, das ideias azuis, porque me ficam na memória da língua, a saber a tinta da cor do céu. Adoro “semente”, porque me sabe a vida, a rejuvenescimento, ao trigo a desabrochar, no cumprir-a- criação.
Amo as margens do rio onde, deitada na relva macia, olho o céu e oiço os feitiços da natureza que flutuam, livres como borboletas sedentas de néctares, cor, luz e amor.


(ALBERTO CAEIRO MEU MESTRE -DE-VIVER!)


Enfeitiçam-me, na memória, os laçarotes brancos que prendia os cabelitos loiros como um trigal, a adornar os sonhos cor de magia de cada dia e que, num “flash” de tempo, iria perder…
No fundo da objectiva com que revejo o Passado, encontro a infância, que deu tal salto na vida, que me sinto um estranho lugar neste Presente-de-um-Futuro-tão provável-quanto-improvável, da tessitura do tempo.
Ao ouvido, sussurram-me todas as sensações que ordenam o espaço molecular do mistério percorrido…Fui vivendo as gerações ao som de um ciciar permanente de quem é humano, de quem é “PESSOA”, que não se desliga dos sons do vento a tocar CHOPIN nas ramas das árvores, que oscilam perto das flores a emergir, como notas de sinfonia-a-sorrir.
Não pára a vida interior…Os sentimentos brotam como orvalho que rebenta, ao deslizar pela folha de uma planta, que a não aguenta.
Há coisas mágicas…são a minha noese…só eu as sei …Então, faço de conta que sou POETA e invento uma “criação”…Teço os meus noemas à boleia das palavras de que o meu conhecimento dispõe e sinto-me um tecelão de ideias, que coso numa manta de retalhos a que chamo “a minha doce canção”…Poeta-tecelão! Hábil como pássaro que guarda na sua genética o segredo da construção do ninho, semente de uma verdade, única e inconfundível, que resulta de uma luta metafísica, invencível mas tão vulnerável, como as notas de uma canção.
Uma semente de trigo não se confunde com outra, de milho, por exemplo! Em cada uma há um brilho inconfundível, que vive na escuridão-a-pensar no melhor modo de dar pão…


(SINTO-TE CANTAR -DE-DOR, FLORBELA, ÁVIDA DE AMOR!)




Há coisas mágicas, dizia, que nasceram para permanecerem inteiras e que não podemos observar por partes, senão desaparecem… escorrem pela genética do nosso mistério-sempre-a-SER.
Respeito, amando-os, os meus sonhos velhos, que se Foram.Hoje, posso dar-me ao luxo de estar feliz por tê-los sonhado-a-crescer, porque vivi! Eles estabeleceram pontes de contacto com o presente, de tal modo que a Poesia permite à Prosa que, impunemente, invada o seu território expressivo, sem EU -DEIXAR-DE -SER-EU.


(“A nortada encheu de ilhas o horizonte
olhando bem nenhuma é verdadeira
mas cada uma em mim tem porto e monte
que eu sou homem que vê de outra maneira.”
Vitorino Nemésio)




Ao entardecer, o horizonte enche-se de sombras vermelhas de um amarelo-dourado. No Silêncio, parecem um coro de violinos que se derramou no dia, com as horas-Todas nas minhas mãos.
Amo a Poesia que sai desta imagem e reflecte a minha pessoalidade, sem abafar a música que engrandece as sinfonias de todos nós… de cada um de nós… quando elevamos o cálice para um brinde de grandeza.
Um suave perfume de óleo de jasmim entrou-me no corpo…E dizia, assim:
“ FUI AO JARDIM DA CELESTE/
GIROFLÉ, GIROFLÁ/
FUI AO JARDIM DA CELESTE/
GIROFLÉ, FLÉ, FLÁ…”

Os poros cantam ainda… O jardim continua LÁ… A dança mudou…
A Vida está onde está e eu continuo a cantar enganos e desenganos…poema atrás de poema…texto atrás de texto-no-contexto-místico-do-que-sou…
… passado no Presente, nas flores que vivem morrendo-a-desabrochar…nas pegadas deixadas no areal de SOPHIA, que o mar levou para as ondas de ANTIOQUIA …nos caminhos percorridos-a-percorrer que,
dentro de mim,
sinto que Continuam-a-SER…

“ …GIROFLÉ- GIROFLÁ/
…GIROFLÉ-FLÉ-FLÁ…”
………………….………………..~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Maria Elisa Ribeiro
MEALHADA

Feliz Páscoa, meus amigos!



Feliz Páscoa, meus amigos!

De Sophia de Mello Breyner



De Sophia de Mello Breyner (1919-2004), in O Citador




"Caminho da Manhã
Vais pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a pesada mão do Sol pousada nos teus ombros, mas conduzida por uma luz levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que estão em ruínas. Passa debaixo da porta e vai pelas pequenas ruas estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro branco, o branco da cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e escuros com malhas pretas.

E o homem há-de pedir-te que vejas como as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás peixes pretos e vermelhos e cor-de-rosa e cor de prata. E verás os polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá correndo sobre uma mesa de pedra. À tua direita então verás uma escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar. E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e leves na cara. E tem ao pescoço uma medalha de ouro com o retrato do filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante compra figos pretos: mas os figos não são pretos mas azuis e dentro são cor-de-rosa e de todos eles escorre uma lágrima de mel. Depois vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos, hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada, sai do mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do Sol. Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada.
Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível. " (...)





Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'