segunda-feira, 27 de maio de 2013

Poema meu.

POEMA:







DIÁLOGOS DE SOLIDÃO



Urgente se torna ,
ao fim do dia,
despir as vestes e pendurá-las num armário
onde se fecham odores a devassar a intimidade que envergámos,
na incomensurável verdade da realidade-corpo-vivo-dos-dias-no-tempo.
A noite fecha-se em torno de todos os ritos de passagem e sentimo-nos
como comboio que vai partir, rumo a interrogações seculares.

Iremos a promontórios românticos
desenhados perto do sufoco da abóbada celeste,
onde a solidão encontrará todas as outras solidões
dos seres e dos aromas
que vão entrar em diálogo
de circunstância,
no silencio do firmamento iluminado pelas mãos dos deuses dos mundos
criados, não entendidos…

E são belas, as Horas, só por existirem comigo dentro delas!
São belos os dias que nos respiram num sopro divino que galga a força do tempo
no -vento-de-existir,

mesmo quando inalamos dúvidas-sem-resposta que não a do sol,
das aves e da luz do dia em que envergamos vestes num equilíbrio
de proporções-tessituras-de-harmonia,

onde versões cristalinas do Viver avançam em sintonia com a música-do-Existir.
Inquietantes visões nocturnas do despir o corpo no vestir a alma
em equilíbrio-do-desequilíbrio-das-emoções…

São tantas as palavras penduradas no ânimo irrequieto dos-cabides-da-vida!

Adio o sono…
Centro-me no silêncio azul de um mar a brilhar rasgos de luz estrelada,
numa poesia de espuma libertadora
às voltas numa onda-de-madrugada…

Maria Elisa R. Ribeiro

(Marilisa Ribeiro)-CQ 13/013-(VDS)

sexta-feira, 24 de maio de 2013



POEMA: BOJADOR




                                                          BOJADOR




Tem tantas vozes, o mar…
Ouvem-se na memória encrespada das ondas
a rodopiar nos lábios de espuma-a-acordar…

Tem música, a voz do mar…
…música que entra pelas frestas mais estreitas da noite
e  sobe pela melodia, aos clarões de luar…
e  que o impele  a pedir às águas o que se pede ao amor,
por meio do sonho e da esperança de SER…


…e uma espécie de reza saudosa levanta os olhos para o céu inclemente
que seca os lábios dos oceanos,
onde vive a verdade de tanta ousada gente…

Quão Longe estavas, ó Mar em que Fomos!
Quão Perto te vivemos, ao-sermos-Povo!

Perdidos os pinheirais de Dinis, o trovador,
aos pés dos areais de Cochim e Cananor,
levaste-nos, mar,  por desertos de suores e lágrimas
a matagais odorosos
 forçados a ultrapassar  cabos tormentosos  de águas-em-dor.

Espelhou-se a Lua nas ondas espumosas de marés duvidosas
a  desfalecerem em promontórios de contornos indefinidos…
Impetuosos raios de delirantes rotas
fizeram supor danças de sereias, envoltas em roxas algas.

(Rendilhados oníricos enredados em cantos de perdição,
não são canção…são triste sina!)

Estátuas errantes do itinerário do Sonho,
estes pinheiros navegantes de quimeras
perderam-se noutras fortunas ,
que o mar desbloqueou
ao abrir a frouxa porta de uma utopia felina….
                                                                               …para que fosses nosso, ó mar…
                                                                               …para que a quimera continuasse –a-viver…
                                                                               …para que a Poesia das marés fossa toada,
                                                                                  cadência ritmada de luta e cor ,
                                                                                 ao passarmos o BOJADOR!

Venceu-se o frio Vento que assombrava a Terra do Mar!
…e o nauta das guitarras de vinho e dor
contornou tantos mostrengos, que venceu UM ADAMASTOR!

A calma face da Terra ergueu-se…quebrou o Cado da dor…
…venceu a hostil Saudade…
perpetuou-se na história de uma estranha identidade…


Maria Elisa R. Ribeiro
Marilisa Ribeiro-OI-013

  

Da REVISTA "SEMEAR 6": EÇA de QUEIRÓS





Revista SEMEAR
 6
 
  
EÇA DE QUEIRÓS, ENTRE A OBSERVAÇÃO, A EXPERIÊNCIA E A IMAGINAÇÃO:
REPERTÓRIO REALISTA EM TRÂNSITO

 
Benjamin Abdala Junior
USP

Na atmosfera de desalento e de falta de perspectivas para o pensamento crítico que tem marcado este final de milênio, pode se tornar imediata uma relação analógica com o final do século XIX. Viemos a nos debater nesses dois momentos - eis a semelhança - entre duas frustrações: aquela dos finais do século passado, motivada pelas promessas não concretizadas de uma espécie de religião das ciências que foi o evolucionismo positivista; neste final de século e milênio, a frustração pode ser creditada - por equivalência de gestos - à derrocada dos ideais libertários da modernidade. Há, entretanto, uma diferença nessas situações: há cem anos os horizontes, em termos de pensamento hegemônico, não se levantavam para além das balizas liberais do capitalismo industrial, que começava a mudar, se quisermos nos valer ainda de um modelo analógico, do mecanicismo das máquinas a vapor para uma energia mais refinada e menos visível, que afinal veio a ser decisiva no encurtamento das distâncias - a eletricidade. Agora, estamos em meio a um turbilhão onde se reformula a própria maneira de ser dessa produção industrial, que passa ao capitalismo informacional. O encurtamento do mundo é vertiginoso e ainda mais radical por estender conexões em níveis múltiplos, que se entretecem para se colocar como presença hegemônica numa escala mundial.

São essas questões de distância e de percursos que serão abordadas nesta exposição, tendo em vista discutir o realismo literário, a partir do distanciamento de nossa situação discursiva. Analogamente também nesses dois momentos finisseculares são problematizadas proposições realistas e, mais do que isso, modos de se pensar e representar a realidade que se debatem entre a particularidade do recorte temático e a aspiração de totalidade do discurso realista. Este estudo está associado a um ensaio de nossa autoria sobre o percurso desse realismo em Portugal e no Brasil, que acabou de ser publicado,[1] quando discutimos as matizações dessa tendência artística a partir de Eça de Queirós, procurando mostrar alguns de seus impactos no Brasil, tal como se deram em Graciliano Ramos e de como este escritor brasileiro vai marcar o romance do ficcionista português Carlos de Oliveira. Graciliano vai permitir assim, indiretamente, uma releitura de ênfase social de Eça via Brasil, por parte dos escritores de Portugal, a par da continuidade, é evidente, de uma tradição de leitura interna e direta, própria do sistema literário português.[2]

Voltamos a discutir assim o problema da distância crítica em Eça de Queirós, retomando a seguinte observação que indicamos no capítulo biográfico do livro Eça de Queirós, publicado pela Editora Abril:
A procura de um sentido para justificar a construção da obra de Eça de Queirós leva-nos a um fator biográfico altamente significativo: o distanciamento dos fatos que mais o sensibilizaram.
Desde muito cedo, o escritor teve consciência do afastamento: menino ainda, não conviveu com os pais; passou a juventude num colégio interno; e, mais tarde, a vida diplomática o levaria para fora de Portugal [...] os momentos de aproximação de sua terra são de curta duração, fixando-se na memória do escritor como lembranças, posteriormente registradas em sua obra.[3]
Após a biografia do escritor, desenvolvida a partir dessas observações, inserimos nesse livro uma coletânea de textos selecionados de Eça de Queirós, aberta com o artigo "Idealismo e Realismo" - um texto escrito pelo autor para ser o prefácio à segunda edição de O Crime do Padre Amaro (1880), ou, melhor dizendo, a terceira versão desse romance se for considerada a edição de 1875, publicada em fascículos na Revista Ocidental. Esse ensaio já se nos afigurava básico para a discussão das tensões e mesmo das ambigüidades do pensamento crítico de Eça de Queirós. Como se sabe, o escritor só aproveitou como "Nota à segunda edição" um trecho desse texto, limitando-se à questão do pretenso plágio, levantada por Machado de Assis em 1878.[4] A parte que sobrou - de maior extensão - refere-se à defesa do método realista, igualmente atacado por Machado - foi publicada postumamente por seu filho, quase trinta anos após sua morte, nas Cartas Inéditas de Fradique Mendes e Mais Páginas Esquecidas.[5] Para Carlos Reis, na introdução à edição crítica de O Crime do Padre Amaro,[6] publicada neste ano, cem anos após a morte do escritor, Eça acabou por levar em consideração as críticas recebidas de Machado de Assis, na grande revisão que procedeu na segunda edição, em livro, desse romance.

quinta-feira, 23 de maio de 2013









Sorriso Audível das FolhasSorriso audível das folhas 
Não és mais que a brisa ali 
Se eu te olho e tu me olhas, 
Quem primeiro é que sorri? 
O primeiro a sorrir ri. 

Ri e olha de repente 
Para fins de não olhar 
Para onde nas folhas sente 
O som do vento a passar 
Tudo é vento e disfarçar. 

Mas o olhar, de estar olhando 
Onde não olha, voltou 
E estamos os dois falando 
O que se não conversou 
Isto acaba ou começou? 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

POEMA: ADÁGIO DAS ÁGUAS...











POEMA: ADÁGIO NAS ÁGUAS…



De doiradas areias revestido
um frio amanhecer acorda, no areal estendido.
Inquieto, o mar não pára de baloiçar
revolteando as ondas, num contínuo subir e descer.
Águas azuis, cobertas de escamas prateadas batem, sensuais,
nas areias adormecidas
onde restos de tempestade repousam,
numa tortura de mil emoções perdidas.
Uma música estranha e mágica
provém do mistério oceânico…


Junto ao nevoeiro da maresia, oiço essa música gloriosa
a passear por entre bocados do mar , pedrinhas de areia,
nácares da maré cheia , búzios vazios fechados ao segredo…

Vozes dos tempos do mar…adágios de ondas a amar…

Tudo é indiferente ao sangue das nossas veias!
Amo a vida, a cada momento de cada espaço,
desde que sinta a meu lado, a força do teu a braço.

O amor realiza a vida na vida!

Uma mística rede de música protege-nos do frio do mar
e das ondas furibundas.
No beijo que damos sorvemos goles de âmbar…
…e poluímos a areia, amando-nos!
Nas águas, há medusas, confusas com a nossa música,
deitada na espuma acastanhada do areal.

Aproxima-se a noite…entristecemos, calados, a hora da despedida…

O marulhar do mundo, no nosso hino, emudece e
deixamos de ouvir a música dos momentos de sonho.

Mas o nosso amoral sentido deseja a Vida!

Instinto de viver feito consciência deita-nos na areia
a ver o céu de loucas estrelas borbulhantes
acariciando os olhos de todos os amantes.

Ao longe, há naufrágios de contínuas desesperanças
onde soam marchas fúnebres de forçosa temperança.

No brilho do desejo, de olhos cerrados,
ouve-se o apelo dum luar de paixão
numa alvorada de silêncios argutos.

Uma conjugação silenciosa do cosmos deixa-nos ouvir
o adágio das águas, em danças de amor.
…e no meio dos pedaços de rocha, plantados no oceano,
há cerejeiras a florir num jardim adormecido,
prontas a descerrar pálpebras, ao alvorecer…



Maria Elisa R. Ribeiro

Marilisa  Ribeiro


R-C13N-3-(MQC)-JAN/012
 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O PENSAMENTO DE MARIA LÚCIA LEPECKI







O Pensamento de Maria Lucia Lepecki (1940-2011)- in NET



Acordo Ortográfico: Catedrática brasileira Maria Lúcia Lepecki considera acordo desperdício de recursos

"Eu sempre achei que o acordo ortográfico não é preciso: um brasileiro lê perfeitamente a ortografia portuguesa e um português lê perfeitamente a ortografia brasileira. Olha a ortografia, sabe que palavra é que é, pronuncia correctamente", disse à Lusa a brasileira de nascimento e portuguesa por casamento, que vive e lecciona em Portugal desde 1970.

Portanto, "acho que é um desperdício de energias, um desperdício de dinheiro, e penso que se devia gastar o pensamento e as forças em outra coisa qualquer", sustentou Maria Lúcia Lepecki, falando à margem da 9ª edição do encontro de escritores de expressão ibérica Correntes d'Escritas, que hoje termina na Póvoa de Varzim.

"Quando houve aqui uma grande polémica sobre esse assunto, há cerca de 20 anos, eu nunca me pronunciei. Na altura, era presidente da Associação de Professores de Português e havia quem se pronunciasse por mim, veiculando a posição da associação", explicou.

Além disso, "achei que essa questão do acordo levantou uns pruridos patrióticos inexplicáveis de um lado e do outro do Atlântico", prosseguiu.

"E não existe esse problema de compreensão em cima da escrita. A escrita é uma convenção. Cada um convenciona como quer e o outro, simplesmente, aprende aquela convenção e a sua", comentou.

Mas se o acordo for ratificado e entrar em vigor, a ensaísta diz que vai cumprir.

"Se for uma lei, é evidente: eu tenho de cumprir. Todo o cidadão tem de cumprir", acrescentou.

Em 1990, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe assinaram um acordo para unificar a língua portuguesa e estabeleceram um prazo de quatro anos para a sua ratificação, que seria em 1994.

Uma década depois, em 2004, foi aprovado um protocolo de alteração prevendo que bastaria que três países o ratificassem para que o acordo entrasse em vigor.

O Brasil ratificou-o logo a seguir e dois anos depois foi a vez de Cabo Verde, São Tomé e Portugal que, contudo, não procedeu ao depósito dos instrumentos de ratificação que a lei exige.

ANC.

Lusa/fim

Agência Lusa
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terça-feira, 21 de maio de 2013

Poema de ÁLVARO de CAMPOS (Fernando Pessoa)



Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa

O Pensamento de Fernando Pessoa


Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.
Fernando Pessoa

domingo, 19 de maio de 2013

PALAVRAS DO BISPO DAS FORÇAS ARMADAS: IN WWW.esquerdanet.pt


D. Januário Torgal: “Tenho vergonha do meu País”

O bispo das Forças Armadas acusa o governo de falta de sensibilidade e de incompetência diante da multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade e do respeito por elas próprias. E diz que não quer ser cúmplice.
D. Januário Torgal: não devo dormir tranquilo perante toda esta multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade. Foto da Lusa
Numa entrevista ao jornalista Manuel Vilas Boas, da TSF, o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, diz não querer ser cúmplice com “esta multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade, do respeito por elas próprias”, elogia a esquerda e acusa o governo de falta de sensibilidade e de incompetência.
“Tenho vergonha porque numa casa onde os mais pequenos não se podem sentar à mesa e comer do mesmo pão, que é o pão dos direitos e da dignidade, quem estiver a presidir à mesa deve sentir-se cúmplice”, disse D. Januário. “E se nos dizemos Igreja, servidores do mundo, devo sentir-me cúmplice e não devo dormir tranquilo perante toda esta multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade, do respeito por elas próprias e a quem as promessas vão no pior sentido”.
Januário recorda o passado e diz ter tido vergonha da Igreja quando esta se calou e se ajoelhou diante de Salazar. Lembra que homens da Igreja foram educados no medo e não na liberdade e no à vontade de dizer o que pensam.
E afirma que hoje em dia, uma pessoa que toca em aspectos sociais é alguém que é de esquerda. “Mas então honra seja feita à esquerda”, afirma, apontando que há muitos comunistas que são mais católicos que muitos católicos”. E questiona: “porque é que só em momentos eleitorais se vai para as feiras? Se vai para os banhos de multidão e se dá beijinhos em gente mais simples?”
Quanto ao actual governo, D. Januário nota falta de sensibilidade nuns casos e noutros perfeita incompetência. “A gente vai dizer para o governo se sentar e nos ouvir”. Não fomos educados na arte do diálogo”, diz, referindo-se também aos que fazem críticas à Igreja.
O bispo das Forças Armadas aponta a falta de cultura democrática que ainda existe, “As pessoas não estão habituadas a quem vem manifestar oposição”.E dá como exemplo a coluna dominical de domingo de Frei Bento Domingues no Público. “Para a mentalidade de muitas pessoas, ele não é nada meigo, diz uma palavra que tem uma originalidade única. Mas há pessoas que ficam incomodadas...”
D. Januário alerta que “há muita gente que gostaria do regresso de Salazar. Isso é uma tragédia”. Mas, na sua opinião, devemos tratar essas pessoas como o Salazar nunca ousou tratar quem diferia dele. “Tratar as outras pessoas de forma diferente que essas pessoas, nas suas fontes culturais, trataram as outras”, isto é, com democracia.
O bispo das Forças Armadas alerta que “há quem não defenda a ditadura, mas que defenda que uma ditadurazinha de algum tempo, que uns safanõezinhos faziam muito bem. Eu digo, os safanões, o prender, o bater só faz mal.”
O que o leva à crítica à guerra do Iraque. “Houve jornalistas que me chamaram 'fundamentalista do Iémene' quando eu disse que estava em total desacordo com a guerra do Iraque”, recorda. D. Januário defende a Primavera dos países árabes e nota que não houve tiques religiosos, o que houve foi tiques de cidadania. “São islâmicos, e portanto o Islão é compatível com a liberdade e até com a democracia. Ao contrário do sr. Bush, que queria impor a democracia com as armas, pode-se chegar à democracia através da razão”.

sábado, 18 de maio de 2013

Poema SEM TÍTULO


.


                                                                ...


todos os dias rejubilo brincando as luzes do universo
…e sorrio sempre que me lembro
de quando existia-antes-de-existir…
                                                            … desde aí,
                                                                      sinto que as tempestades
                                                                                  levam ao uivo dos ventos,
                                                                                         ao murchar de pétalas floridas,
                                                                                                  à altercação das ondas do mar
                                                                                                            quando os golfinhos cantam a
glória   do azul-vermelho,
          do horizonte -a-naufragar!

                    .desde esse místico momento
                              há Palavras a saltarem de meus dedos
                                          comprometidos                                          
                                                       e com elas faço
                                                                     o que faz a primavera
                                                                                    com os rebentos do prado…

 ………………………………………………………………………………..renasço- no-teu-sorrir-de- acolher  
…………………………………………………………………………………e deixo nas nuvens o nosso-ciciar-a-ser!


Por isso ,sinto
que, desde aí,
há um mundo florido de mensagens ,
que volteiam
nas brisas-do-meu-ser…



MRÇ/013- (sem título)
Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

POEMA DE NUNO JÚDICE

A VidaA vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua 
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam 
quando não se espera, o atraso na preocupação 
dos teus olhos, e as nuvens que caíram 
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações 
a abrir-se para dentro e para fora 
dos sentidos que nada têm a ver com círculos, 
quadrados, rectângulos, nas linhas 
rectas e paralelas que se cruzam com as 
linhas da mão; 

a vida que traz consigo as emoções e os acasos, 
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram 
e dos encontros que sempre se soube que 
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com 
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo 
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada, 
sob a luz indecisa que apenas mostra 
as paredes nuas, de manchas húmidas 
no gesso da memória; 

a vida feita dos seus 
corpos obscuros e das suas palavras 
próximas. 

Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"

O POETA NUNO JÚDICE VENCE O PRÉMIO "RAINHA SOFIA" DE 2013


PRÉMIO RAINHA SOFIA

Eduardo Pitta em Da Literatura - Há 2 horas
Nuno Júdice venceu a XXII edição do Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana, no valor de 42 mil euros. Antes dele, só dois autores de língua portuguesa haviam sido distinguidos: o brasileiro João Cabral de Melo Neto, em 1994, e Sophia de Mello Breyner Andresen, em 2003. O prémio foi atribuído ao conjunto da obra. Parabéns, Nuno.