quinta-feira, 16 de maio de 2013

RICARDO REIS-Através do site blog; porf2000-NET







RICARDO REIS – O POETA DA RAZÃO
Heterónimo de Fernando Pessoa
A partir da carta a Adolfo Casais Monteiro
nasceu no Porto (1887);
foi educado num colégio de jesuítas ;
”É latinista por educação alheia e semi-helenista por educação própria”;
médico;
viveu no Brasil, expatriou-se voluntariamente por ser monárquico;
Interesse pela cultura Clássica, Romana (latina) e Grega (helénica);
Fisicamente:
”Um pouco mais baixo, mas forte, mais seco” do que Caeiro;
” de um vago moreno”; cara rapada;
Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, é o poeta clássico, da serenidade epicurista, que aceita, com calma lucidez, a relatividade e a fugacidade de todas as coisas. “Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio”, “Prefiro rosas, meu amor, à pátria” ou “Segue o teu destino” são poemas que nos mostram que este discípulo de Caeiro aceita a antiga crença nos deuses, enquanto disciplinadora das nossas emoções e sentimentos, mas defende, sobretudo, a busca de uma felicidade relativa alcançada pela indiferença à perturbação.
A filosofia de Ricardo Reis é a de um epicurismo triste, pois defende o prazer do momento, o “carpe diem”, como caminho da felicidade, mas sem ceder aos impulsos dos instintos. Apesar deste prazer que procura e da felicidade que deseja alcançar, considera que nunca se consegue a verdadeira calma e tranquilidade – ataraxia.
Ricardo Reis propõe, pois, uma filosofia moral de acordo com os princípios do epicurismo e uma filosofia estóica:
- “Carpe diem” (aproveitai o dia), ou seja, aproveitai a vida em cada dia, como caminho da felicidade;
- Buscar a felicidade com tranquilidade (ataraxia);
- Não ceder aos impulsos dos instintos (estoicismo);
- Procurar a calma, ou pelo menos, a sua ilusão;
- Seguir o ideal ético da apatia que permite a ausência da paixão e a liberdade (sobre esta apenas pesa o Fado).
Ricardo Reis, que adquiriu a lição do paganismo espontâneo de Caeiro, cultiva um neoclassicismo neopagão (crê nos deuses e nas presenças quase divinas que habitam todas as coisas), recorrendo à mitologia greco-latina, e considera a brevidade, a fugacidade e a transitoriedade da vida, pois sabe que o tempo passa e tudo é efémero. Daí fazer a apologia da indiferença solene diante o poder dos teus e do destino inelutável. Considera que a verdadeira sabedoria de vida é viver de forma equilibrada e serena, “sem desassossegos grandes”.
A precisão verbal e o recurso à mitologia, associados aos princípios da moral e da estética epicuristas e estóicas ou à tranquila resignação ao destino, são marcas do classicismo erudito de Reis. Poeta clássico da serenidade, Ricardo Reis privilegia a ode, o epigrama e a elegia. A frase concisa e a sintaxe clássica latina, frequentemente com a inversão da ordem lógica (hipérbatos), favorecem o ritmo das suas ideias lúcidas e disciplinadas.
A filosofia de Reis rege-se pelo ideal “Carpe Diem” – a sabedoria consiste em saber-se aproveitar o presente, porque se sabe que a vida é breve. Há que nos contentarmos com o que o destino nos trouxe. Há que viver com moderação, sem nos apegarmos às coisas, e por isso as paixões devem ser comedidas, para que a hora da morte não seja demasiado dolorosa.
-   A concepção dos deuses como um ideal humano
-   As referências aos deuses da Antiguidade (neo-paganismo) greco-latina são uma forma de referir a primazia do corpo, das formas, da natureza, dos aspectos exteriores, da realidade, sem cuidar da subjectividade ou da interioridade - ensinamentos de Caeiro, o mestre de todos os heterónimos
-   A recusa de envolvimento nas coisas do mundo e dos homens
·  Epicurismo
-   busca da felicidade relativa
-   moderação nos prazeres
-   fuga à dor
-   ataraxia (tranquilidade capaz de evitar a perturbação)
- prazer do momento
- Carpe Diem (caminho da felicidade, alcançada pela indiferença à perturbação)
- Não cede aos impulsos dos instintos
- calma, ou pelo menos, a sua ilusão
- ideal ético de apatia que permite a ausência da paixão e a liberdade
·  Estoicismo : considera ser possível encontrar a felicidade desde que se viva em conformidade com as leis do destino que regem o mundo, permanecendo indiferente aos males e às paixões, que são perturbações da razão
-   aceitação das leis do destino (“... a vida/ passa e não fica, nada deixa e nunca regressa.”)
-   indiferença face às paixões e à dor
-   abdicação de lutar
-   autodisciplina
·  Horacianismo
-   carpe diem: vive o momento
-   aurea mediocritas: a felicidade possível no sossego do campo (proximidade de Caeiro)
·  Paganismo
-   crença nos deuses
-   crença na civilização da Grécia
-   sente-se um “estrangeiro” fora da sua pátria, a Grécia
·  Culto do Belo, como forma de superar a efemeridade dos bens e a miséria da vida
·  Intelectualização das emoções
·  Medo da morte
·  Quase ausência de erotismo, em contraste com o seu mestre Horácio
·  Neoclassicismo
-   poesia construída com base em ideias elevada
-   Odes (forma métrica por excelência)
CARACTERÍSTICAS ESTILÍSTICAS
-   Submissão da expressão ao conteúdo: a uma ideia perfeita corresponde uma expressão perfeita
-   Estrofes regulares de verso decassílabo alternadas ou não com hexassílabo
-   Verso branco
-   Recurso frequente à assonância, à rima interior e à aliteração
-   Predomínio da subordinação
-   Uso frequente do hipérbato
-   Uso frequente do gerúndio e do imperativo
-   Uso de latinismos (astro, ínfero, insciente...)
-   Metáforas, eufemismos, comparações, imagens
Estilo construído com muito rigor e muito denso
- Classicismo erudito:
                        - precisão verbal
                        - recurso à mitologia (crença e culto aos deuses)
                        - princípios de moral e da estética epicurista e estoica
                        - tranquila resignação ao destino
- Poeta Intelectual, sabe contemplar: ver intelectualmente a realidade
- Aceita a relatividade e a fugacidade das coisas
- Verdadeira sabedoria da vida é viver de forma equilibrada e serena
- Características modernas no poeta: angústia e tristeza
- Linguagem e estilo:
- privilegia a ode, o epigrama e a elegia.
- usa a inversão da ordem lógica, favorecendo o ritmo das suas ideias disciplinadas
- estilo densamente trabalhado, de sintaxe alatinada, hipérbatos, apóstrofes, metáforas, comparações, gerúndio e imperativo.
- verso irregular e decassilábico
“Reis procura simplesmente aderir ao momento presente, gozá-lo, sem nada mais pedir.”
*”epicurista triste”- (Carpe Diem)- busca do prazer moderado a da ataraxia;
*busca do prazer relativo;
*estoicismo – aceitação calma e serena da ordem das coisas;
*moralista – pretende levar os outros a adoptar a sua filosofia de vida;
*intelectualiza as emoções;
*temática da miséria da condição humana do FATUM (destino), da velhice, da irreversibilidade da morte e da efemeridade da vida, do tempo;
*espírito grave , ansioso de perfeição;
*aceitação do Fado, da ordem natural das coisas;
Na Linguagem:
*linguagem erudita alatinada, quer no vocabulário (latinismos), quer na construção de frase (hipérbato);
*preferência pela Ode de estilo Horácio;
*irregularidade métrica;
*gosto pelo gerúndio;
*uso frequente do imperativo;
*estilo laboriosamente trabalhado; elegante; pesado;
*importância dada ao ritmo;

quarta-feira, 15 de maio de 2013


REFLEXÃO VESTIDA DE ANGÚSTIA…

“O mais terrível dos sentimentos é o sentimento de ter a esperança perdida.”

FEDERICO GARCIA LORCA

No passado dia 11, a consagrada jornalista São José Almeida (SAJ), escreveu  a sua habitual Crónica no jornal “PÚBLICO”, desta vez subordinada ao título “E SE OS VELHOS PARTISSEM MONTRAS?”.

Li-a , com toda a atenção, face ao que estamos a viver , em Portugal, neste campo social, desde que este governo ultra liberal se apossou de poderes inimagináveis,contrariando as suas promessas eleitorais.

É táctica cada vez mais satânica de passos coelho e seus acólitos o uso deliberado de palavras de provocação, de uso de uma linguagem causadora de instabilidade, de chantagem e medo para conseguirem “dobrar” o povo às suas incompetentes deliberações, nomeadamente no que diz respeito aos idosos, aos pensionistas e reformados e aos funcionários públicos, publicamente eleitos como inimigos do sistema; tudo com a intenção deliberada de “pôr o povo na ordem”.
Nestes últimos quinze dias tem sido um dó de alma ligar as televisões e ver as notícias. É um confronto diário e penoso com os sorrisos satânicos de quem tem a vontade de “fazer mal, puro e simples” aos que não podem redarguir, pois não têm as câmaras da televisão por sua conta.

Para meter mais medo ainda, o homem deu em convocar conselhos de ministros extraordinários a toda a hora, o que até se compreende se pensarmos que estes tipos não têm competências para conduzirem os normais…

Tudo serve de subterfúgio para pôr os pobres reformados e os funcionários do estado numa expectativa, doentia e amedrontada, sobre “ o que mais vem aí”. E refere-se SJA à “indignidade estigmatizadora…que atinge o patamar do vómito quando se pondera a criação de um novo imposto especial sobre quem já viveu mais anos e já cumpre há mais tempo as suas obrigações para com a sociedade. “

É que passos coelho quer investir contra os pensionistas e reformados , com efeitos retroactivos , desde antes de 2005!

Na verdade, criar impostos sobre a vida de quem já trabalhou e contribuiu com os seus impostos por períodos de mais de quarenta anos, em muitos milhares de casos, prova à exaustão o satanismo de um homem que não tem a noção do que foi a vida para estes pobres que auferem pensões de miséria. Ainda por cima, com mais de um milhão de desempregados em que mais de 600.000 não têm nenhum subsídio ou ajuda do estado, como é possível esta mente doente pensar em taxar, igualmente, os desempregados que poucas centenas de euros recebem?

Os nossos pobres estão cada vez mais sós e desprotegidos! Não sabemos com o que podemos contar! Sabemos, isso sim, que cada vez recebemos menos e temos menos direitos! Tiram-nos os direitos à saúde e à segurança social, tiram-nos milhares de escolas, muitos milhares de professores, tribunais,

juntas de freguesia, hospitais e maternidades, e agora fecham as estações de correio, onde os pobres iam receber as parcas pensões e pagar as suas obrigações para com as ricas empresas da luz, da água e do gás.

Na verdade os pobres velhos não partem montras… mas…e se passarem a parti-las? Mandará o desgoverno disparar a polícia contra eles? Onde pode chegar o desespero?

Na sua mesquinhez ditatorial, determinado a não cumprir a Constituição ou as normas do Tribunal Constitucional, este medíocre homem só se sente feliz a enumerar provocativamente, tudo o que vai fazer contra pobres classes sociais, num regozijo medíocre de-tipo-sem-alma nem competência, sabendo, apesar de tudo, e TALVEZ POR ISSO MESMO, ser o homem MAIS ODIADO DE PORTUGAL!

Todos os dias são vésperas de anúncios à socapa contra quem não sabe como viver, talvez porque a ideia deles é o desgaste do desespero que pode levar à morte, ao suicídio de que se não fala, numa filosofia de que o melhor reformado é, como o melhor doente, aquele que está morto.

SERÁ ISTO A “SOLUÇÃO FINAL” PARA ESTES DITADORES?

Mealhada, 14 de Maio de 2013
Maria Elisa R. Ribeiro


segunda-feira, 13 de maio de 2013

POEMA : VIDA-MAR







POEMA:







VIDA- MAR

( du matin au soir…le midi)





Têm séculos as caminhadas que a poesia faz por sobre as águas do mar,
(du matin au soir…le midi.)

Vieram correntes marinhas a empurrar Literaturas de Identidade
em águas sulcadas por incertezas glaciares.

Veio o sol, pelo meio-dia, a fazer a vida ser,
quando a poesia ,
como praia batida pela força das ondas,
se perdia naquele Longe –Distante, de um Além-Oriente-a-ver…

…e colinas de desejos ofegantes diluíram-se
em aromas de palavras-a-solfejar
a identidade metafórica
de navegantes ensejos…………………………………………………………………………………………

Subiram heras pelas grades da poesia dos mares,
a enroscar girassóis vivos
desabrochados na alma do velho mar,

a permanecer nas veias do povo adamastor
em ânsias desmedidas de um Lá-longe, Talvez-por-amor…

Mas o céu escureceu e as conchas soltaram ondas,
que se diluíram
em areais de outras sonhadas areias…………………………………………………………………………

meio-dia…meia vida do mastigar saudades obscurecidas
pelos crepúsculos das auroras- boreais…

Ah, como amo os pinheiros vergados aos vapores dos rios de bruma!
-que se tornaram cais dos mares de espuma,
num coro de noites invernais……………………………

……………………que soam Lá-longe,


na margem d’Outros ares ……….orientais……….. du matin au soir…………sempre-
Mais……………….


Uma concha raiada de bruma adormece, ainda,
na palma da mão de uma vela-escuna…



Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)-
CQ16-(OI)-/013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

POEMA:










POEMA (REP):




ANDAM PELO MUNDO, OS POETAS…




Andam pelo mundo, os poetas.

Caminham, perseguem metas,

cobrem-se com a luz do luar,

procuram palavras certas, para nos porem a pensar…

…e as musas, pelo ar, diluídas em harmonia

num livro da linguagem, erguem a voz da mensagem

ao nível de melodia…
…e os raios de sol ,reflexos de sentimentos e emoções da inspiração divina,
mergulham com os poetas em catarses e purificações.

Andam pelo mar, os poetas das ruas do meu país,
com o espírito repleto de fragmentos de ondas remotas
que, sob sombras de velhos palmares, construíram uma matriz…
…matriz-mátria-tormento----Pátria!

Ensimesmados, cansados e olheirentos,
por aí andam os protectores dos elementos secretos
das ondas dos pensamentos,
perdidos no meio do frutos da sua infinda dor,
a permanente falta de amor.

A noite, amiga do espaço-SÓ, luarenta , ternamente iluminada,
leva ao poeta a realidade –viva-palavra-nua-
-seiva-da-razão-sua,
festa luminosa na quietude da frase esculpida na Liberdade.

Viajam , os poetas, numa imensa nuvem de estrelas-lexemas…
Nos dedos de fogo, a lucidez do silêncio no esplendor-de-ser -a -mensagem
- luz, a libertar o tema-poema!
Andam pelo ar, os poetas, porque a Palavra Há-de Ser!
Assim, permanecem promessa-a-viver na brisa que se encosta às ravinas queimadas…
…nos ares que sopram fulgurações estelares…
…nos desertos anilados pelo azul-mar…

Poeta-canção a circular num poema persistente e eterno
do verbo- a- viajar!
Poeta…persistente regresso à casa-vida
para retomar o sorriso das sílabas desalentadas, sonâmbulas…
prontas a desabrochar!

Maria Elisa R. Ribeiro
(Marilisa Ribeiro)-AG/012(MSG)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Pensamento de EÇA de QUEIRÓS









Política de InteresseEm Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. 
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. 
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. 
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade. 

Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora (1867)

POEMA DE MIA COUTO (1955- )






SolidãoAproximo-me da noite 
o silêncio abre os seus panos escuros 
e as coisas escorrem 
por óleo frio e espesso 

Esta deveria ser a hora 
em que me recolheria 
como um poente 
no bater do teu peito 
mas a solidão 
entra pelos meus vidros 
e nas suas enlutadas mãos 
solto o meu delírio 

É então que surges 
com teus passos de menina 
os teus sonhos arrumados 
como duas tranças nas tuas costas 
guiando-me por corredores infinitos 
e regressando aos espelhos 
onde a vida te encarou 

Mas os ruídos da noite 
trazem a sua esponja silenciosa 
e sem luz e sem tinta 
o meu sonho resigna 

Longe 
os homens afundam-se 
com o caju que fermenta 
e a onda da madrugada 
demora-se de encontro 
às rochas do tempo 

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

terça-feira, 7 de maio de 2013

O pensamento de RAMALHO ORTIGÃO (SÉC. XIX)







A Base da CivilizaçãoA lei do universo baseia-se sobre o concurso destes dois grandes agentes: a luta pela vida e a selecção natural. A luta pela vida é o estado permanente de todos os seres, para os quais a criação é uma eterna batalha. A sorte do conflito decide-a a selecção natural. Como? Fixando na espécie, pela adaptação ao meio, os seres mais fortes, e expulsando os seres inferiores. Por isso o professor Haeckel affirma: «A teoria de Darwin estabelece que nas sociedades humanas, como nas sociedades animais, nem os direitos, nem os deveres, nem os bens, nem os gostos dos membros associados podem ser iguais.» Ora o que é que estabelece o Direito? O Direito estabelece precisamente o contrario disso: a igualdade dos deveres recíprocos para a mais equitativa distribuição dos bens.
O Direito portanto não só não é uma emanação da lei natural, mas é uma reacção contra essa lei. A natureza é o triunfo brutal decretado ao forte. A sociedade é a protecção consciente assegurada ao fraco. A criação funda a luta pela vida. A sociedade organiza o auxílio pela existência. 
Uma civilização é tanto mais adiantada quanto mais ela submete ao seu domínio as fatalidades naturais. E é assim que o homem, de conquista em conquista, chegará um dia, como diz Büchner, ao paraíso futuro, ao paraíso terreal, de onde não veio mas para onde vai, e que não é um dom divino primitivo mas o fruto derradeiro do trabalho humano. 

Ramalho Ortigão, in 'As Farpas (1883)'-in NET

sábado, 4 de maio de 2013

DE ARTIGO 21º:...


isto vai.
HOJE! - SÁB/04MAI - 18H30

PALÁCIO DE BELÉM!

PASSOS RUA!
139Gosto ·  · 

REPÚDIO CONTRA O GOVERNO DE DIREITA






A PARTILHAR
{Dada a gravidade da hora}
Mulheres e homens, ombro a ombro, decidiram rumar este sábado, 4 de Maio, à Presidência para denunciar a ilegitimidade do governo liderado por Pedro Passos Coelho e manifestar, de forma inequívoca, que a demissão deste Executivo é vital como condição que salvaguarda a soberania, direitos e deveres consagrados na Constituição da República Portuguesa, e a coesão do bem comum que partilhamos.
Assim sendo apelamos a tod@s, a cada sector da sociedade, que, pelas 18:30h, se concentrem junto ao Palácio de Belém.
Até que sejamos ouvid@s.
O povo É quem mais ordena!

A IMPRENSA FAZ-SE ECO DO DISCURSO ULTRAJANTE DE PASSOS COELHO, DE ONTEM


Função Pública fortemente afetada pelos cortes a anunciar hoje pelo primeiro-ministro

Função Pública fortemente afetada pelos cortes a anunciar hoje pelo primeiro-ministro

Veja o vídeo em: http://bit.ly/111YMZ7

quinta-feira, 2 de maio de 2013

ALBERTO CAEIRO(HETERÓNIMO DE PESSOA): MATÉRIA PARA O EXAME NACIONAL/12º ANO/013







FONTE DA PESQUISA: WWW.BLOG PROF2000-NET

ALBERTO CAEIRO – O MESTRE INGÉNUO
(1889 - 1915)

 
         Fernando Pessoa explicou  a “vida”de cada um de seus heterónimos. Assim apresenta a vida do mestre de todos, Alberto Caeiro:        "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó. Morreu tuberculoso."
        Pessoa cria uma biografia para Caeiro que se encaixa com perfeição na sua poesia, como podemos observar nos 49 poemas da série O Guardador de Rebanhos. Segundo Pessoa, foram escritos na noite de 8 de Março de 1914, de um só fôlego, sem interrupções. Esse processo criativo espontâneo traduz exactamente a busca fundamental de Alberto Caeiro: completa  naturalidade.
     “Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
       Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
       Mas porque a amo, e amo-a por isso,
       Porque quem ama nunca sabe o que ama
       Nem por que ama, nem o que é amar...”


     Nasceu em em 1889, em Lisboa, e morreu em 1915, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase nenhuma: apenas a instrução primária. era de estatura média, frágil, mas não o aparentava. Era louro, de olhos azuis. Ficou órfão de pai e mãe muito cedo e deixou-se ficar em casa a viver dos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Escrevia mal o Português. É o pretenso mestre de A. de Campos e de R. Reis.  É anti-metafísico; é menos culto e complicado do que R. Reis, mas mais alegre e franco. É sensacionista. Alguns temas de eleição:
  • Negação da metafísica e valorização da aquisição do conhecimento através das sensações não intelectualizadas.; é contra a interpretação do real pela inteligência; para ele o real é a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe as impressões subjectivas. Os poemas O Mistério das coisas, onde está ele? e Sou um guardador de rebanhos mostram-nos estas ideias.
  • Negação de si mesmo, projectado em Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois;
  • Atracção pela infância, como sinónimo de pureza, inocência e simplicidade, porque a criança não pensa, conhece pelos sentidos como ele, pela manipulação dos objectos pelas mãos, como no poema Criança desconhecida e suja brincando à minha porta;
  • Poeta da Natureza, na sua perpétua renovação e sucessão, da Aurea Mediocritas, da simplicidade da vida rural;
  • A vivência da passagem do tempo não existe, são só vivências atemporais: o tempo é ausência de tempo.
Alberto Caeiro apresenta-se como um simples “guardador de rebanhos”, que só se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade, com a qual contacta a todo o momento. Daí o seu desejo de integração e de comunhão com a natureza.
Para Caeiro, “pensar” é estar doente dos olhos. Ver é conhecer e compreender o mundo, por isso, pensa vendo e ouvindo. Recusa o pensamento metafísico, afirmando que “pensar é não compreender”. Ao anular o pensamento metafísico e ao voltar-se apenas para a visão total perante o mundo, elimina a dor de pensar que afecta Pessoa.
Caeiro é o poeta da Natureza que está de acordo com ela e a vê na sua constante renovação. E porque só existe a realidade, o tempo é a ausência de tempo, sem passado, presente ou futuro, pois todos os instantes são a unidade do tempo.
Mestre de Pessoa e dos outros heterónimos, Caeiro dá especial importância ao acto de ver, mas é sobretudo inteligência que discorre sobre as sensações, num discurso em verso livre, em estilo coloquial e espontâneo. Passeando a observar o mundo, personifica o sonho da reconciliação com o universo, com a harmonia pagã e primitiva da Natureza.
É um sensacionista a quem só interessa o que capta pelas sensações e a quem o sentido das coisas é reduzido à percepção da cor, da forma e da existência: a intelectualidade do seu olhar volta-se para a contemplação dos objectos originais. Constrói os seus poemas a partir de matéria não-poética, mas é o poeta da Natureza e do olhar, o poeta da simplicidade completa, da objectividade das sensações e da realidade imediata (“Para além da realidade imediata não há nada”), negando mesmo a utilidade do pensamento.
Vê o mundo sem necessidade de explicações, sem princípio nem fim, e confessa que existir é um facto maravilhoso; por isso, crê na “eterna novidade do mundo”. Para Caeiro o mundo é sempre diferente, sempre múltiplo; por isso, aproveita cada momento da vida e cada sensação na sua originalidade e simplicidade.
“Alberto Caeiro parece mais um homem culto que pretende despir-se da farda pesada da cultura acumulada ao longo dos séculos.”
“Poeta bucólico de espécie complicada.”
“Pastor metáfora.”
Para Caeiro fazer poesia é uma atitude involuntária, espontânea, pois vive no presente, não querendo saber de outros tempos, e de impressões, sobretudo visuais, e porque recusa a introspecção, a subjectividade, sendo o poeta do real objectivo.
Caeiro canta o viver sem dor, o envelhecer sem angústia, o morrer sem desespero, o fazer coincidir o ser com o estar, o combate ao vício de pensar, o ser um ser uno, e não fragmentado.
·  Discurso poético de características oralizantes (de acordo com a simplicidade das ideias que apresenta): vocabulário corrente, simples, frases curtas, repetições, frases interrogativas, recurso a perguntas e respostas, reticências;
·  Apologia da visão como valor essencial (ciência de ver)
·  Relação de harmonia com a Natureza (poeta da natureza)
·  Rejeita o pensamento, os sentimentos, e a linguagem porque desvirtuam a realidade (a nostalgia, o anseio, o receio são emoções que perturbam a nitidez da visão de que depende a clareza de espírito)
·  Objectivismo
-   apagamento do sujeito
-   atitude antilírica
-   atenção à “eterna novidade do mundo”
-   integração e comunhão com a Natureza
-   poeta deambulatório
·  Sensacionismo
-   poeta das sensações tal como elas são
-   poeta do olhar
-   predomínio das sensações visuais (“Vi como um danado”) e das auditivas
-   o “Argonauta das sensações verdadeiras”
·  Anti-metafísico
(“Há bastante metafísica em não pensar em nada.”)
-   recusa do pensamento (“Pensar é estar doente dos olhos”)
-   recusa do mistério
-   recusa do misticismo
·  Panteísmo Naturalista
-   tudo é Deus, as coisas são divinas (“Deus é as árvores e as flores/ E os montes e o luar e o sol...”)
-   paganismo
-   desvalorização do tempo enquanto categoria conceptual (“Não quero incluir o tempo no meu esquema”)
-   contradição entre “teoria” e “prática”
CARACTERÍSTICAS ESTILÍSTICAS
- Discurso em verso livre, em estilo coloquial e espontâneo. Proximidade da linguagem do falar quotidiano,  fluente, simples e natural;
- Pouca subordinação e pronominalização
- Ausência de preocupações estilísticas 
- Versilibrismo, indisciplina formal e ritmo lento mas espontâneo.  
- Vocabulário simples e familiar, em frases predominantemente coordenadas, repetições de expressões longas, uso de paralelismo de construção, de simetrias, de comparações simples.
- número reduzido de vocábulos e de classes de palavras: (dando uma impressão de pobreza lexical) pouca adjectivação, predomínio de substantivos concretos, uso de verbos no presente do indicativo (acções ocasionais)  ou no gerúndio. (sugerindo simultaneidade e arrastamento).
    Frases predominantemente coordenadas, uso de paralelismos de construção, de comparações simples
-   Verso livre
-   Métrica irregular
-   Despreocupação a nível fónico
-   Pobreza lexical (linguagem simples, familiar)
-   Adjectivação objectiva
-   Pontuação lógica
-   Predomínio do presente do indicativo
-   Frases simples
-   Predomínio da coordenação
-   Comparações simples
-   Raras metáforas
Alberto Caeiro
- Vê a realidade de forma objectiva e natural
- Aceita a realidade tal como é, de forma tranquila; vê um mundo sem necessidade de explicações, sem princípio nem fim; existir é um facto maravilhoso.
- Recusa o pensamento metafísico (“pensar é estar doente dos olhos”), o misticismo e o sentimentalismo social e individual.
- Poeta da Natureza
- Personifica o sonho da reconciliação do Universo, com a harmonia pagã e primitiva da Natureza
- Simples “guardador de rebanhos”
- Inexistência de tempo (unificação do tempo)
- Poeta sensacionista (sensações): especial importância do acto de ver
- Inocência e constante novidade das coisas
- Mestre de Pessoa e dos outros heterónimos
- Relação com Pessoa Ortónimo – elimina a dor de pensar
- Relação com Pessoa Ortónimo, Campos e Reis – regresso às origens, ao paganismo primitivo, à sinceridade plena
Mestre do ortónimo e dos heterónimos
A partir da carta a Adolfo Casais Monteiro
*nasceu em Lisboa (1889);
*morreu tuberculoso em 1915;
*viveu quase toda a sua vida no campo;
*só teve instrução primária;
*não teve educação, nem profissão;
*escreve por inspiração;
Filosofia de Caeiro:
*é anti-religião;
*é anti-metafísica;
*é anti-filosofia;
Fisicamente:
*estatura média;
*frágil;
*louro, quase sem cor;
*olhos azuis;
*cara rapada;
Características:
Importância dos sentidos, nomeadamente a visão;
O incomodo de pensar associado à tristeza;
Ele não quer pensar, mas não o consegue evitar;
Escreve intuitivamente;
Para ele a natureza é para usufruir, não é para pensar;
Desejo de despersonificação (de fusão com a natureza);
Ligação das orações por coordenações e subordinações;
Poeta bucólico, do real e do objectivo;
Valorização das sensações;
Amor pela vida e pela natureza;
Preocupação apenas com o presente;
Critica ao subjectivismo sentimentalista;
Na Linguagem:
Predomínio do Presente do Indicativo;
Figuras de estilo muito simples;
Vocabulário simples e reduzido; (pobreza lexical);
Uso da coordenação para a ligação das orações;
Frases incorrectas;
Aproximação à linguagem falada, objectiva, familiar, simples;
Repetições frequentes;
Uso do paralelismo;
Pouca adjectivação;
Uso dos substantivos concretos;
Ausência da rima;
Irregularidade métrica;
Discurso em verso livre;
Estilo coloquial e espontâneo;

quarta-feira, 1 de maio de 2013

DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR




AOS AMIGOS DE TODO O MUNDO



É DIA DO TRABALHADOR, POR TODO O MUNDO LIVRE.

DESEJO QUE, EM PORTUGAL E NESSE MUNDO QUE TEM EM ATENÇÃO OS DIREITOS DE QUEM TRABALHA, O "CAPITAL" VEJA QUE , SEM OPERÁRIOS NÃO HÁ A   RIQUEZA QUE ENGROSSA AS CONTAS DE QUEM É RICO.

HÁ, PORTANTO, UMA GRANDE URGÊNCIA EM RESPEITAR A DIGNIDADE E OS DIREITOS HUMANOS DE QUEM PRODUZ.

A SOCIEDADE PORTUGUESA, EMPOBRECIDA DE MODO ASSUSTADOR, NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS, CLAMA POR JUSTIÇA E TRABALHO, HOJE E SEMPRE, NAS RUAS DESTE PAÍS QUE DEU "NOVOS MUNDOS AO MUNDO" E SE ENCONTRA , HOJE, TREMENDAMENTE EMPOBRECIDA, SEM DIREITOS, COM UM MILHÃO DE DESEMPREGADOS, SEM DIREITOS COMO O DIREITO À JUSTIÇA, À SAÚDE, AO TRABALHO, À EDUCAÇÃO, AO PÃO!

ESTE É UM DIA DE LUTA NAS RUAS DE PORTUGAL! LUTA, IGUALMENTE CONTRA UM GOVERNO SEM NORTE , ONDE O CHAMADO MINISTRO DAS FINANÇAS NÃO TEM ACERTADO NENHUMA DAS METAS QUE DEVERIAM PÔR EM MOVIMENTO A FORÇA DA ECONOMIA E SÓ ABRE A BOCA PARA DIZER QUE VAI IMPLANTAR AINDA MAIS MEDIDAS CONTRA OS REFORMADOS E OS TRABALHADORES!

LUTEMOS, PORTUGUESES, CONTRA A EXISTÊNCIA DESTE DESGOVERNO QUE ESTÁ A PÔR POBRES A "VASCULHAR" CONTENTORES DO LIXO À PROCURA DE COMIDA...CRIANÇAS A CHEGAREM ÀS ESCOLAS COM FOME, A DESMAIAREM NAS AULAS COM FOME, POBRES A COMEREM A SOPITA DOS RESTOS DOS VIZINHOS...

É ESTE O PORTUGAL QUE ABRIL PRECONIZAVA?

NÃO!

LUTEMOS, ENTÃO!

VIVA PORTUGAL!

Maria Elisa Ribeiro
1 de MAIO/013