sexta-feira, 17 de março de 2017

Sócrates deverá ser acusado de seis crimes

Ministério Público juntou mais três crimes à lista inicial, que incluía corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.
O antigo primeiro-ministro foi ouvido esta segunda-feira
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O antigo primeiro-ministro foi ouvido esta segunda-feira MIGUEL MANSO


Corrupção passiva para a prática de actos contrários aos deveres do cargo, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, falsificação, recebimento indevido de vantagem e tráfico de influências. Estes são os seis crimes imputados a José Sócrates pelo Ministério Público, avança esta sexta-feira o Diário de Notícias. Até agora sabia-se que Sócrates estava indiciado por suspeitas de três crimes: corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.
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A informação sobre os novos crimes consta na última página do despacho do Ministério Público com que Sócrates foi confrontado na segunda-feira, durante um interrogatório em que negou todas as acusações de que é alvo. De acordo com o documento, os procuradores agruparam as suspeitas por conjuntos. O primeiro diz respeito ao Grupo Lena. Sócrates é suspeito de ter beneficiado o grupo de Leiria em três situações: na adjudicação de obras na Parque Escolar, 90 milhões de euros, segundo a investigação, representando 10,6% das adjudicações totais.

Justiça já ganhou pelo menos 17 mil euros com Sócrates


O Ministério Público considera que o consórcio "Elos", que concorreu ao projecto do TGV e que integrava o grupo empresarial de Leiria, foi favorecido com a integração no contrato de uma cláusula relativa a despesas a reembolsar pelo Estado, posteriormente considerada ilegal pelo Tribunal de Contas.



O Ministério Público alega ainda que o Grupo Lena fez chegar a Sócrates 2,8 milhões de euros através do seu amigo Carlos Santos Silva.

Ainda no Grupo Lena, é imputado ao ex-primeiro-ministro também o crime de tráfico de influências: dizem os procuradores que o Sócrates influenciou diplomatas portugueses para irem ao encontro dos interesses do grupo de Leiria, sobretudo no que diz respeito ao negócio da construção de casas na Venezuela.

O segundo grupo de acusações recai sobre o empreendimento turístico de Vale do Lobo, no qual os investigadores acusam o antigo primeiro-ministro e Armando Vara de se manterem em contacto para a concessão de um crédito de 60 milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos à sociedade proprietária do empreendimento algarvio.

O terceiro grande leque de suspeitas está relacionado com as ligações ao Grupo Espírito Santo (GES) e à Portugal Telecom (PT). O Ministério Público afirma que José Sócrates, uma vez mais através de Carlos Santos Silva, começou por receber contrapartidas do GES por ter dado indicações à Caixa Geral de Depósitos para votar contra a OPA da Sonae. O spin off da PT com a PT Multimedia, alega a investigação, resultou em ganhos para o Grupo Espírito Santo (GES).

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